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Alfredo Hervías y Mendizábal

Alfredo Hervías y Mendizábal

Carlos Ferreira Marques

Morreu Alfredo Hervías e Mendizábal

O jornalista e crítico de vinhos e de gastronomia morreu no Brasil, vítima de ataque cardíaco, aos 47 anos

Ana Paula Homem
21 de outubro de 2010, 15:34

Colaborador da CARAS quase desde o início, e durante vários anos, Alfredo Hervías e Mendizabal, homem de talentos múltiplos - jornalista, crítico de gastronomia e de vinhos, escritor e poeta, gourmet e cozinheiro de mão cheia -, morreu na terça-feira, dia 19 de Outubro, com 47 anos, vítima de um ataque cardíaco, no Brasil, para onde se mudara em 2006.

Natural de Madrid, Alfredo, que nos anos 80 teve na capital espanhola um restaurante frequentado pelos intelectuais e artistas ligados à famosa Movida, o El Café, mudou-se para Portugal no início dos anos 90, porque, disse-o em 2009, no seu blogue Sorria, vc tá na Bahia, "procurava duas coisas fundamentais: colocar distância do meu pai e integrar-me na natureza. Percebi, desde o primeiro momento, o aconchego dos elementos: terra, mar, ar e fogo, que consegui descodificar na praia da Adraga. Não foi, pois, casual que terminasse por instalar-me no Cabo da Roca, na falésia ao lado do farol".

O seu nome entre nós tornou-se conhecido com a original crítica gastronómica que publicou n'O Independente, uma página onde a sua escrita dava sabor e aroma a cada prato de que falava, e que era ilustrada por excelentes imagens a preto e branco do basco Javier Díaz, com quem formou uma profícua dupla durante vários anos, o que incluiu a longa série de entrevistas - que quase sempre tinham como protagonistas figuras ligadas aos vinhos, à gastronomia e ao turismo - que publicou na CARAS.

Em 2006, chegado "a um beco sem saída", e cansado do seu "inconformismo com a infelicidade" e de "ser tão maltratado emocionalmente na intimidade" desfez-se das obras de arte que colecionara, "coisas bonitas, objetos que me ligavam à beleza e estimulavam um bem-estar que anelava com sofreguidão mais fora do que dentro de mim", trocou Portugal pelo Brasil. Refugiou-se em Trancoso, onde se permitiu "algo tão elementar como ser e amar". E ali passou os últimos quatro anos da sua vida, como um adolescente, "fascinado pelo desafio da existência".

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