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Cristina Branco

Cristina Branco

D.R.

A escolha de... Cristina Branco

Jornalista de formação, encontrou no fado a forma de se exprimir, contribuindo, com um estilo muito próprio, para uma surpreendente renovação da canção nacional.

Joana Carreira
30 de agosto de 2010, 19:28

Amante da palavra - os "redondos vocábulos", como lhes chama -, Cristina Branco queria ser jornalista e para isso estudou. Mas "num serão de cantigas entre amigos", interpretou de improviso alguns dos fados que conhecia, por os ouvir trauteados pelo avô materno. E se nunca tinha imaginado sequer tornar-se fadista amadora, aos 24 anos Cristina estreava-se em palco em... Amesterdão. Desde então, o que começou por uma "brincadeira" ganhou contornos sérios, e a fadista - que a exemplo de Amália, uma das suas referências, tem interpretado os maiores poetas de Portugal (de Camões e Pessoa a José Afonso), mas também alguns estrangeiros, como Paul Éluard ou Léo Ferré -, tem vindo a reanimar a tradição do fado com a sua originalidade. A par da digressão de Kronos pela Europa, prepara atualmente um novo álbum, de onde sairão palavras de Vasco Graça Moura e António Lobo Antunes, entre outros.

O Disco
"Rara e Inédita"
De Amália Rodrigues. Pela história que me liga sentimentalmente a este vinil [oferecido pelo avô materno]. Muitos são os discos da minha vida, inesquecíveis e recorrentes, mas o Rara e Inédita mudou-me o rumo. De jovem aspirante a jornalista passei a cantora empenhadíssima.

O Poeta
David Mourão Ferreira
Talvez o poeta que mais cantei, aquele que faz com que temáticas intrincadas pareçam exercícios de estilo. É uma arte transformar um pensamento, um momento, numa linguagem cantável, esse dom só os grandes possuem.

A Cidade
Amesterdão
Sendo a cidade onde passo mais tempo por motivos de trabalho, é também a que mais me apaixona, por nunca perder o carisma e o aspeto de cidade pequena, mantendo, ao mesmo tempo, a capacidade de albergar gente dos quatro cantos do mundo, o que lhe confere uma imagem cosmopolita, descontraída e descomplexada.

O Concerto
North Sea Jazz Festival
Em Roterdão. Desde a diversidade de músicos estupendos de jazz (alguns dos meus ídolos passam por lá com frequência), aos concertos de excelência, passando pela multiplicidade cultural e terminando num ambiente de exceção, é, sem dúvida, o festival (dos que conheço) que mais rapidamente me faz comprar um bilhete de avião só para assistir a um ou outro concerto que tenho a certeza de trazer na memória.

O Filme
"Citizen Kane"
Este filme dirigido por Orson Welles marcou profundamente o meu tempo de aprendizagem nos bancos da faculdade. Ao depurar cada cena, cada gesto, apercebi-me da grandiosidade que marcou o seu tempo, graças às inovações aplicadas à técnica narrativa, como o próprio script.

*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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