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Duarte Lima quebra silêncio sobre a morte de Rosalina Ribeiro

O advogado português deu uma entrevista à RTP na qual falou sobre a morte da sua cliente e considerou a suspeita de que é alvo "medonha, sinistra e insuportável".

Ana Oliveira
27 de agosto de 2010, 13:32

É a primeira entrevista que Domingos Duarte Lima dá sobre a violenta morte no Brasil de Rosalina Ribeiro, em Dezembro do ano passado, depois de terem estado juntos. O advogado recusa qualquer responsabilidade no desaparecimento da sua cliente (que tudo leva a crer estar relacionado com a disputa da herança do milionário Tomé Feteira, de quem Rosalina era companheira), e lamenta a perda de uma pessoa que descreve como "muito íntegra, de grande carácter e elevação moral". E diz estar convicto de que está a ser alvo de uma montagem "vil e tenebrosa" que tem por objetivo incriminá-lo. O lançamento desta suspeição é "medonho, sinistro e insuportável", desabafa.

No dia em que Rosalina foi morta com dois tiros, tinha-se encontrado com o advogado português no Rio de Janeiro. Sobre essa conversa, que decorreu num café, já muito se especulou, inclusivamente que Duarte Lima teria dito à polícia brasileira (que contactou espontaneamente por fax ao saber do desaparecimento de Rosalina) que não se lembra do nome do estabelecimento. Na entrevista que deu à jornalista da RTP Judite de Sousa ontem, quinta-feira, o advogado confirma-o, justificando que o local do encontro foi escolhido pela sua cliente: "Eu não tinha noção de que poderia haver um desfecho infeliz para a vida da minha cliente como houve, pelo que não estive a anotar todos os detalhes do encontro."

Rosalina Ribeiro e Lúcio Tomé Feteira
Rosalina Ribeiro e Lúcio Tomé Feteira
D.R.

Outra questão em aberto prende-se com o facto de Rosalina Ribeiro, segundo veiculam algumas notícias, ter deixado em casa os seus telemóveis. Duarte Lima já escrevera no fax que a cliente tinha consigo um telemóvel, e voltou a confirmá-lo. Desmentiu ainda que a polícia lhe tivesse pedido para elaborar um retrato-robô da pessoa com quem deixou Rosalina depois do encontro, que descreveu como sendo uma mulher loura de nome Gisele e com quem a sua cliente aparentava manter uma relação de alguma familiaridade. A tal Gisele nunca foi encontrada pela polícia brasileira, tendo sido especulado que se poderia tratar de uma invenção do advogado, mas este parece considerar natural que essa localização apresente dificuldades. Quando Judite de Sousa lhe perguntou se achava que Gisele poderia ter, por exemplo, outro nome, Duarte Lima respondeu: "Não faço especulações sobre isso, a investigação policial, já foi dito pelos reponsáveis, é complexa."

Outro ponto abordado nesta entrevista foi a origem do dinheiro que Duarte Lima terá recebido de Rosalina (aponta-se um valor à volta dos cinco milhões de euros). O advogado respondeu que é natural que, ao longo dos nove anos em que trabalhou para Rosalina, esta tivesse feito algumas transferências bancárias para ele, mas sublinha que se tratou sempre de "dinheiro limpo", ou seja, de todo desviado da herança a que poderia não ter direito.

De resto, o advogado recusou-se a apontar possíveis responsáveis pela morte da sua cliente ao negar-se a identificar quem beneficiasse do desaparecimento desta, reforçando que por certo não seria ele nem nenhum dos outros advogados da sua cliente a encontrar vantagem na morte de Rosalina Ribeiro.

*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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