Nas Bancas

FOTOGALERIA: O funeral de Mário Bettencourt Resendes

Familiares e amigos despediram-se hoje do jornalista e comentador político.

Pedro Amante
3 de agosto de 2010, 20:08
FOTOS: Pedro Melo

O seu sorriso, humildade e profissionalismo foram as qualidades mais enaltecidas pelos amigos e colegas de trabalho do jornalista
Mário Bettencourt Resendes
, que lhe quiseram prestar uma última homenagem, esta tarde, na Igreja de São João de Deus, em Lisboa. O antigo diretor do Diário de Noticias faleceu ontem de manhã, aos 58 anos, vítima de cancro.

Pedro Santana Lopes
:
"Era um homem bom, sério, livre, independente e de convicções. Nunca escondeu as suas convicções ideológicas, sempre as assumiu. Sempre foi um homem da liberdade e educado. Deixa muitas saudades e faz muita falta. É um exemplo a seguir por todos os cidadãos portugueses. Foi um cidadão de corpo inteiro, muito decente e a quem a democracia portuguesa deve muito."

Edite Estrela
:
"Vou recordá-lo como uma pessoa de bem, um grande jornalista, um comentador político muito equilibrado e muito lúcido. E também um amigo. Para além do grande profissional que ele foi, também era uma pessoa extraordinária cheia de qualidades humanas e é isso que o vamos recordar, todos os seus amigos."

Ricardo Sá Pinto
:
"Conheci-o há dois anos na faculdade, no Instituto de Comunicação Empresarial, foi meu professor na cadeira de técnicas de jornalismo. E tive a honra de aprender e conviver com ele. Era um homem sábio, culto e preocupado com o futuro dos seus alunos. Para mim, foi um enorme prazer tê-lo conhecido e é com imensa pena que o vejo partir."

José Manuel Fernandes
:
"Eu era diretor do Público ao mesmo tempo que ele era diretor do Diário de Notícias. Ele foi diretor durante 12 anos e eu 11 e houve uma sobreposição, entre 1998 e 2003, em que disputamos alguns colunistas, algumas notícias, mas isso fez-se sempre com correção. Era uma pessoa com quem se podia discutir, porque ouvia os argumentos, uma pessoa serena, que não passava rasteiras, o que era uma coisa importante, e ajudou muitos novos profissionais a chegarem à profissão de jornalistas."

Luís Marinho
:
"Foi um mestre, na forma como esteve sempre na profissão e na vida. Para mim foi um mestre, sem dúvida nenhuma. Nunca trabalhamos juntos, mas considerei-o sempre como uma grande referência do jornalismo e como pessoa. Era um homem de bom senso, uma pessoa que tinha opiniões firmes, mas com um espírito diplomático. É uma pessoa que nos vai fazer muita falta e ao jornalismo.
"

Mário Crespo
:
"O Mário não é uma pessoa substituível. Viver o desaparecimento dele não vai ser fácil. Era um cavalheiro, um senhor, como há poucos e com muito senso de humor. Há uma história dele, terrível, mas de uma beleza grande... Já no fim, ele sabia que o fim era iminente e inevitável e houve um dia em que teve uma noite péssima e quando acordou de manhã disse: "Mas ainda estou vivo?" Olha para a mulher e com aquele sorriso que era só dele e diz: "E agora o que é que dizemos às pessoas?" E isto era o Mário que eu recordo e com quem tive o prazer de privar alguma coisa, mas não muito... mas também nunca seria o suficiente. É uma pena que se tenha ido embora."

Luís Delgado
:
"Vou recordá-lo como um homem de muita coragem, profissional, pessoal e humana. A forma como ele enfrentou tudo na vida, tanto profissionalmente como a nível pessoal, a forma como ele enfrentou a doença, acho que é um exemplo. Eu muitas vezes lhe dizia: "Mário, tu és um exemplo para nós, não te vás embora." E esse exemplo, nós devemos segui-lo, porque ele foi uma pessoa que conseguiu ter uma noção muito relativizada da vida, que não era como nós em que tudo é muito dramático e serio. E ele nesse ponto de vista, no meu caso específico, até me acalmava um bocado e dizia: "Isso não é tão dramático, essa crise, o problema do país e mais não sei do que." Trabalhei com ele durante muitos anos, gostei muito e foi um diretor excecional. E tudo o que se possa dizer dele é pouco. Porque só conhecendo o Mário pessoalmente... não há ninguém que não tenha gostado dele, porque ele era tão afável e empático que as pessoas gostavam mesmo dele."

Francisco Sarsfield Cabral
:
"Era uma pessoa muito sábia e que tinha a humildade de até se julgar menos bom do que aquilo que era. Era uma pessoa sensata, sóbria, inteligente e que vai fazer muita falta. Era uma pessoa que não se deixada arrebatar por paixões, capaz de criticar mesmo as pessoas de quem politicamente estava perto. E isso tudo abonava a favor dele."

Carlos Andrade
:
"Eu nunca trabalhei numa redação com o Mário, mas os nossos destinos profissionais cruzaram-se muitas vezes. Eu guardo do Mário a inteligência, a simpatia, a nobreza... há muitos anos que olho para o Mário, não apenas como amigo, mas como um mestre, um mestre na profissão de jornalista, um mestre como infelizmente já há poucos e um mestre na cidadania, no olhar, um homem que nos ajudava a pensar. E ele era sobretudo isso. E a recordação que guardo como amigo e camarada de profissão, é a de uma gargalhada inimitável, de um sentido fino da ironia, de uma simpatia transbordante... Confesso, estou muito comovido com o desaparecimento do Mário, embora fosse uma notícia que já esperava, até porque eu sabia que, nas últimas semanas, ele estava a enfrentar a maior das batalhas, o maior dos desafios que tinha enfrentado ao longo dos 15 anos. E eu tive o privilégio de também o acompanhar nesse percurso e pude testemunhar a sua enormíssima coragem. Acho que o Mário nos deu uma grande lição de vida, não apenas na forma como enfrentou o cancro, mas na forma como, com ou sem cancro, conseguiu ser um tão admirável profissional e um amigo tão grande de tanta gente. Não conheço alguém que tendo conhecido o Mário, não sinta orgulho em dizer que era seu amigo.
"

*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras