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Os sentimentos que António Feio partilhou com a CARAS: "Não tenho medo da morte"

Desde que descobriu que tinha um cancro do pâncreas, em Março de 2009, António Feio viveu dias intensos a combater esta doença. Sucumbiu um ano e meio depois, aos 56 anos, rodeado pela família e amigos, tendo mantido a boa disposição até ao fim. Na nossa memória fica o seu talento como ator e a coragem que sempre demonstrou na forma como partilhou o sofrimento e a esperança.

Natalina Almeida
30 de julho de 2010, 02:05

Recordamos as emoções, os sentimentos e os ensinamentos que o ator e encenador António Feio partilhou com a CARAS desde os primeiros momentos em que iniciou a luta contra o cancro até bem perto da data da sua morte.

"Ando piegas. De há uns tempos para cá sinto as coisas mais intensamente, emociono-me mais facilmente." (Abril 2010)

"Neste momento tenho a sensibilidade mais à flor da pele." (Março 2010)

"Estou com muita curiosidade de saber o que é isto de ser avô. Vou acompanhando a gravidez dela e está tudo a correr bem. É bom ter um motivo para sorrir no meio disto tudo, que é a chegada do meu netinho." (Fevereiro 2010)


António Feio, com os filhos, Sara, Catarina, Filipe e Bárbara, durante a festa do seu 50º aniversário
António Feio, com os filhos, Sara, Catarina, Filipe e Bárbara, durante a festa do seu 50º aniversário
CARAS

"Agarro-me a tudo o que puder minorar o problema ou, eventualmente, resolvê-lo." ( Janeiro 2010)

"Estou numa fase de stand by. Fiz os tratamentos todos que havia a fazer e o tumor reduziu bastante, mas não ao ponto de ser operado. Neste momento, estou à espera da opinião de uma clínica nos EUA, com a qual entrei em contacto no início da doença. Não vou fazer mais radioterapia, pois já excedi todas as sessões que o meu corpo aguenta, e a quimio também não é aconselhável neste momento. Só estou a fazer fitoterapia e medicina chinesa. O que se pode fazer agora, até haver novidades, é uma vigilância constante, para ver se a doença não progride." (Outubro 2009)

"Quando soube que estava doente, a minha única preocupação era não me sentir bem fisicamente para continuar a trabalhar. Em conjugação com a equipa médica, os tratamentos e a produção, só houve dois espetáculos que falhámos. Receei que os tratamentos me deitassem abaixo e fossem impeditivos para subir ao palco como queria, mas isso nunca aconteceu." (Agosto 2009)

"Não acordo sempre bem-disposto, nem estou 24 horas do dia aos pulos e a sorrir. Tenho momentos de altos e baixos, uns mais divertidos, outros menos, mas tento quanto possível tirar o maior partido da vida." (Junho 2009)

"Não tenho propriamente medo da morte. Não é uma coisa que me anime, mas não tenho medo. Tenho mais medo de alguma incapacidade física, de perder qualidade de vida, tenho pavor de ficar ligado a uma máquina, em estado vegetativo. Mas sempre achei que iria ultrapassar o cancro. E embora não acredite muito na vida além da morte, sempre vi a morte como uma passagem, que faz parte de um ciclo de vida. A morte é a coisa mais certa que temos." (Junho 2009)

*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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