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Colegas de trabalho e amigos recordam António Feio

São várias as personalidades ligadas ao mundo da representação que lembram o ator e encenador, que morreu esta quinta feira, aos 55 anos, após uma corajosa luta contra o cancro.

Pedro Amante
30 de julho de 2010, 03:32

Francisco Nicholson, ator:
"Tudo quanto se possa dizer são banalidades, porque dizer que foi um grande homem, foi um grande homem, um grande ator, foi um grande ator, um grande encenador, um tipo extraordinário, foi isso tudo. Mas, para mim, neste momento o que me provoca mais confusão é que eu, que não sou saudosista, dou comigo a ter saudades do tempo em que trabalhei e convivi intensamente - fizemos espetáculos e coisas muito bonitas - com o António Feio. Eu que não sou saudosista, tenho saudades do António Feio".

José Pedro Gomes, ator e humorista:
"É uma perda muito grande. Foi uma pessoa muito importante, contribuiu muito para que o teatro se voltasse a encontrar com o público. Era um grande amigo e um grande homem, um homem cheio de coragem, um bom exemplo para todos nós".

Virgílio Castelo, ator:
"O António foi um revolucionário, do meu ponto de vista, porque conseguiu provar isso na prática. Conseguiu provar que era possível fazer teatro transversal para muita gente ver e, sobretudo, com muita qualidade".

Ruy de Carvalho, ator:
"É com muito desgosto que o vejo partir, embora soubesse daquela luta que ele manteve para conseguir vencer a doença. Partiu mais um grande valor do espetáculo em Portugal. É mais uma tristeza que o nosso espetáculo fica a contar no seu currículo."

Jorge Mourato, ator e humorista:
"Acho que era um homem, talvez, que se mudou, mudou para saborear os pequenos momentos, saborear mais as pessoas que nos são próximas, e acho que acima de tudo é essa a lição que o António queria...esse texto que o António queria que nós decorássemos, era aproveitarmo-nos mais uns aos outros, que esta vida é tão curta."

Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República:
"Foi com grande pesar que tomei conhecimento da morte de António Feio, figura bem conhecida e querida dos Portugueses, que tive a oportunidade de homenagear no Dia Mundial do Teatro, e cujo desaparecimento deixa um enorme vazio entre todos os que se habituaram a conviver com ele. Em nome do Povo Português, em nome da minha mulher e em meu nome pessoal, apresento sentidas condolências à Família do actor e encenador que, pela sua longa carreira e pela forma como influenciou as novas gerações de actores, se transformou numa figura incontornável do teatro, cinema e televisão em Portugal, ganhando ao longo dos anos a estima de todos os Portugueses. É, pois, muito justo que, neste momento de luto, preste a minha homenagem a um homem de elevadas qualidades humanas e artísticas que lhe granjearam o respeito de todos os que acompanharam o seu percurso pessoal e profissional."

Ministério da Cultura:
"Ator cujo talento e simplicidade deixam imensa saudade em todos os que conheceram o seu trabalho e trato pessoal, especialmente entre os jovens, que desde cedo estimulou na descoberta do Teatro. Homem de grande sentido de humor e de grande simplicidade, a sua morte prematura deixa imensa saudade em todos os portugueses e em especial na cena teatral portuguesa, no género do humor".

Rui Mendes, ator:
"Lembro-me muito bem da estreia dele, quando tinha 12 anos, acho eu. Era um miúdo com muita graça. Há uma coisa que fica e que jamais se esquecerá que é o trabalho que ele fez com 'O que diz Molero'. Encenou e representou com o José Pedro Gomes e foi um trabalho fantástico."

Carlos Avilez, encenador:
"Sinto um grande desgosto, saudade e ternura."

José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores:
"O teatro português perde um dos seus atores mais versáteis e também um encenador muito experiente e inspirado e com um talento especialíssimo para a comédia. Uma comédia moderna, ágil, de costumes, muito virada também para o 'nonsense' [disparate], para o jogo com a linguagem do quotidiano, coisa que aconteceu muito com a 'Conversa da Treta' [com que António Feio fez dupla com o actor e amigo José Pedro Gomes]. Ajudou muitos jovens a irem ao teatro, isso torna esta perda ainda mais pesada."

António Reis, Fundador e Diretor da companhia de teatro Seiva Trupe, no Porto:
"É uma referência nacional no teatro. Aos 55 anos, tinha ainda muito para dar. Perdemos um homem muito novo, com muita qualidade e com muito para dar."

Nuno Artur Silva, autor:
"O António foi cedo demais.Era um tipo muito activo e pôs tanta gente a fazer coisas tão boas, que tenho imensa pena. É injusto que lhe tenha sido tirada a possibilidade de fazer o que ele fazia tão bem, que era, sobretudo, dirigir pessoas, encenar peças e entrar nelas e fazer isto tudo com um grande sentido de humor com grande simplicidade, sem complicar. Fiz com o António aquela que é uma das coisas de que mais gostei de ter feito, que é 'O que diz Molero'. Por isto, e por muito mais coisas, hoje é um dia particularmente triste."

Bruno Nogueira, ator e humorista:
"Era um ser humano extraordinário. Era raro ver o António chateado ou de mau humor".

Herman José, ator e humorista:
"Não consigo imaginar a dor de José Pedro Gomes neste momento, porque eles funcionavam os dois como um só organismo. Não faz sentido que tão boa pessoa morra assim".

Álvaro Covões, promotor de espectáculos:
"António Feio foi uma pessoa com uma personalidade muito vincada e que acreditava muito na sua profissão. Isto dói, hoje é um dia muito triste".

Inês Santos, cantora:
"Foi com enorme tristeza que recebi a notícia de que o grande actor e grande homem António Feio nos deixou. Gostava muito dele e acreditava na sua vitória".

Ana Rocha, atriz:
"Guardo memórias de um dos melhores professores que tive na vida: António Feio. Fico profundamente triste. É uma perda gigante, tanto artísticamente tanto enquanto pessoa. A todos os meus colegas do grupo de Benfica um abraço sentido. Obrigada António pela carreira que me proporcionaste e por tudo o que me ensinaste".

Nuno Markl, humorista:
"Custa-me muito a aceitar que o António Feio se foi embora. Dita a razão que todos devíamos estar preparados para isto, mas a verdade é que raras vezes se viu alguém enfrentar um cancro com tamanha coragem e, porque não dizê-lo, sentido de humor. E isso não merecia um final feliz.
Se a vida fosse como em alguns filmes, um homem que se fez a um terrível drama com a incrível alegria que o Feio foi mantendo - dentro da medida do possível, mas, por vezes, para lá disso - em tudo o que ia escrevendo no seu Facebook, no trabalho que continuava a fazer, na pequena janela de chat que se abria, de vez em quando, aqui no meu computador e onde me dizia que lá ia indo, ele teria vencido a doença. Infelizmente, a vida é, boa parte das vezes, uma valente merda.
Não exagero quando digo que era um sonho trabalhar com ele: um bom homem, humilde, talentoso, adepto do trabalho em equipa, do diálogo para que tudo corresse na perfeição".


Maria Rueff, atriz:
"Estou profundamente sentida com a morte do António. Vou ficar sempre com a memória de um extraordinário encenador, de um ator de comédia excepcional, que lutou sempre até ao fim contra a doença que o levou. Vou ter muitas saudades dele, mas sei que ele estará a sorrir onde quer que esteja"

Nicolau Breyner, ator:
"Vou recordar o António Feio como um amigo de longa data. Tínhamos ainda uma grande diferença de idades. Era um ator muito inteligente, com um sentido de humor excepcional. O António deu também um exemplo de coragem pela forma como lutou com toda a força esta doença. Fez uma parelha fantástica comJosé Pedro Gomes"

Manolo Bello, produtor:
"Perdeu-se um grande homem e um grande ator. Era muito importante para o País. Amigo de toda a gente, estava sempre disponível. Lembro-me do António, há mais de 20 anos, no programa do Joaquim Letria, com o Nuno Artur Silva. Andava sempre preocupado com os textos, por causa da censura... Encarou este último momento da sua vida com muita dignidade".

*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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