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Pedro Marreiros garante: "Sou um pai permissivo porque eles o permitem"

O piloto e empresário tem nos filhos, Constança e José Maria, os seus maiores companheiros.

Andreia Guerreiro
2 de julho de 2010, 10:28

A falta de oportunidades e as dificuldades de aceder ao desporto automóvel fizeram com que Pedro Marreiros só conseguisse mostrar a sua paixão pela velocidade e a sua vontade de vencer aos 21 anos. Desde então, arrecadou diversos prémios e, além de continuar a participar em provas de competição, tudo tem feito para se manter ligado a este desporto. Proprietário da Prime Promotion e diretor da Escola de Condução Desportiva Porsche, Pedro, hoje com 38 anos, tem nos filhos, Constança, de dez anos, e José Maria, de oito, dois grandes admiradores e apoiantes.
Foi em sua casa, no Estoril, que o piloto recebeu a CARAS e falou do seu percurso profissional e da sua relação com os filhos. Separado da mãe destes há oito anos, diz que a dedicação com que se entrega ao trabalho faz com que não sinta necessidade de voltar a apaixonar-se.

Pedro Marreiros com os filhos, José Maria e Constança
Pedro Marreiros com os filhos, José Maria e Constança
Nuno Miguel Sousa
- Como começou o seu amor pelo automobilismo?
Pedro Marreiros -
Tenho um percurso um pouco diferente dos outros pilotos. Este é um meio difícil, com um envolvimento financeiro muito elevado, com poucas oportunidades. O meu pai interessava-se por outras coisas e eu tive de esperar que me surgisse a oportunidade certa. Isso acabou por acontecer no Kartódromo de Évora, onde entrei numa prova que ganhei e como prémio recebi um
kart.
E comecei a correr com ele. Em 1996 houve outra iniciativa desse género, na Fórmula Ford, e consegui alcançar um lugar de destaque. E a minha vida tem sido assim...


- Os seus pais incentivaram-no a seguir esse caminho?
-
Nunca, mas também nunca me impediram. Achavam alguma graça, mas sempre se preocuparam muito, embora sempre lhes tenha explicado que é muito mais seguro competir do que conduzir no dia-a-dia.


- Com o nascimento dos seus filhos, tornou-se mais cauteloso na pista?
-
Não. Tornei-me mais responsável, mas em relação à competição, como sei que não é assim tão perigosa, sinto-me muito tranquilo.


Pedro Marreiros
Pedro Marreiros
Nuno Miguel Sousa
- A sua vida mudou muito com a experiência da paternidade?

-
Muito mesmo. Tenho esta paixão enorme pelas corridas, e até ao nascimento deles não trocava nada por um fim de semana com automóveis. Hoje em dia eles estão em primeiro lugar. Mas agora o Zé Maria já me acompanha, já anda de
kart
e adora. A Constança é a típica menina e acha que é tudo muito barulhento. [risos]


- É um pai permissivo ou autoritário?
-
Sou permissivo, porque eles o permitem, pois não são crianças que me obriguem a ter normas muito rígidas. São muito diferentes um do outro... Com a Constança, tenho um instinto protetor maior, com o Zé Maria, uma ligação quase de irmãos. Há pouco ele dizia-me que somos gémeos falsos. [risos]


- Os seus filhos moram com a mãe. É fácil gerir toda essa situação?
-
Já estamos divorciados há muito tempo, eles já estão habituados, mas não deixou de ser difícil no começo, até porque a Joana é do Porto e foi onde eles viveram no início, embora agora estejam em Lisboa e tudo se tenha tornado mais fácil. Não há qualquer atrito, mas é claro que, como qualquer pai, gostava de estar com eles 24 horas por dia. Não sendo possível, estamos muito bem assim.


Pedro Marreiros
Pedro Marreiros
Nuno Miguel Sousa
- Por vezes deve ter de assumir o papel de mãe. É fácil?
-
No começo também não foi fácil, sentia-me desacompanhado e com poucos conhecimentos, mas também tive muito apoio da minha família, em especial da minha irmã, o que foi fundamental. E hoje em dia a Constança já me ajuda a tomar conta do Zé Maria e é tudo muito fácil, até porque eles são crianças maravilhosas.


- É visível a cumplicidade que têm...
-
Somos muito companheiros e aproveitamos ao máximo o tempo que estamos juntos.


- Ainda não refez a sua vida. É difícil partilhar um espaço que já é tão vosso?
-
Muito mesmo. Tenho um problema muito assumido: sempre fui muito independente, com o desejo de avançar com os meus projetos, e tenho uma vida tão agitada que me falta tempo para ter alguém e disponibilidade para cuidar de uma relação. Não quero com isto dizer que não possa acontecer, logo se vê. Os meus filhos dizem que o pai tem muitas amigas e de vez em quando elegem uma como minha namorada. [risos] Mas eles sabem que se algum dia voltar a ter alguém, eles serão os primeiros a saber.




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*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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