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Maria Barroso em noite de homenagem

"Fico um bocadinho atrapalhada com toda esta amizade"

Melissa Tavanez
15 de maio de 2010, 11:31

No dia em que apresentou o disco Geração do 'Novo Cancioneiro', no qual empresta a sua expressividade a 17 poemas de autores dos anos 40, Maria de Jesus Barroso foi surpreendida com uma distinção da Sociedade Portuguesa de Autores. "Fico um bocadinho atrapalhada com toda esta amizade", começou por dizer a mulher de Mário Soares. "Agradeço as palavras tão bonitas. Foi de uma grande simpatia e generosidade da vossa parte estarem aqui e prestarem-me esta homenagem que não mereço", disse, comovida, à plateia improvisada no Salão Nobre do Teatro D. Maria II, casa que a acolheu como actriz durante quatro anos, na época em que era estudante universitária. Acompanhada por Luísa Amaro à guitarra portuguesa e por Gonçalo Lopes, no clarinete, Maria Barroso brindou os amigos e admiradores com seis dos poemas que gravou para o disco que está agora nas lojas.

Mário Soares, a filha, Isabel Soares, a actual mulher do filho João Soares, Annick Burhenne, e a ex-mulher, Olímpia, mãe de dois dos seus quatro netos, estiveram presentes nesta ocasião relevante na vida da presidente da Fundação Pro Dignitate. Apesar de ter sentido a voz um pouco afectada pelo ar condicionado, Maria Barroso confirmou, com esta sessão inaugurada pelo poema Prometeu, de Joaquim Namorado, o poder da palavra, da poesia e da sua arte de declamar.

Maria Barroso e Mário Soares
Maria Barroso e Mário Soares
Victor Freitas

No fim da sessão, Mário Soares estava rendido, mas não surpreendido. "Tenho-a ouvido recitar muitas vezes e gosto muito de a ouvir recitar. Muitos destes poemas são de autores da minha geração e muitos mais haveria, mas ela não podia escolher todos", declarou o antigo Presidente da República, confessando ter sentido um grande orgulho no momento em que a mulher foi homenageada pela Sociedade Portuguesa de Autores.

"A Maria de Jesus é um ícone de uma geração e parece-me urgente e necessário que essa memória não se perca", desejou o artista plástico Júlio Pomar. Por seu lado, Isabel Soares lembrou que os poemas declamados já faziam parte do seu 'património familiar': "Desde miúda que conheço estes poemas porque a minha mãe, quando preparava os recitais, pedia-me sempre ajuda para perceber se se enganava ou não. Muitos deles sei-os de cor, e isso foi um privilégio. Estou muito orgulhosa da minha mãe, como sempre estive. Fiquei emocionada com a homenagem que lhe fizeram, porque era justíssima." Uma opinião partilhada pela generalidade dos presentes, que se desdobraram em elogios à homenageada.

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