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Alda Gomes partilha a sua história de coragem

A actriz falou das dificuldades que teve de ultrapassar para alcançar o seu maior sonho.

Andreia Guerreiro
12 de abril de 2010, 10:26

Para Alda Gomes, de 31 anos, poder dizer que é actriz é a maior vitória da sua vida. Cresceu em Alenquer e as suas origens humildes não lhe permitiram frequentar o Conservatório ou conhecer as pessoas certas, por isso, o sonho da representação parecia longínquo. Contudo, quis o destino e a sua força de vontade que, aos 18 anos, entrasse como figurante na série Riscos. Foi o primeiro passo na direcção certa. Os anos seguintes foram passados entre Lisboa e Alenquer, entre o sonho e a necessidade de ter um emprego seguro. Mas, aos 25 anos, ganhou coragem e mudou-se definitivamente para a capital para participar numa novela. Desde então, Alda tem consolidado a sua carreira.
Recordar todo este percurso foi um misto de emoções para a actriz. O resultado foi uma conversa franca, durante a qual falou de alegrias, dificuldades, amor e sonhos. Conheça melhor a mulher que dá corpo a Madalena, na novela Perfeito Coração.

- Sempre quis ser actriz, mas não foi um sonho fácil de alcançar...
Alda Gomes -
Cresci numa pequena aldeia no concelho de Alenquer, onde tive uma infância e uma adolescência felizes. Não cheguei sequer a acabar o 12.º ano, comecei logo a trabalhar, porque queria ter a minha independência, queria ter liberdade e comprar um carro. Vivi com os meus avós até eles morrerem, tinha eu 25 anos, e como nunca me incentivaram a lutar pelo meu sonho de ser actriz - é preciso ver que eram eles que me sustentavam -, acabaram por travar esse percurso, uma coisa que me magoou. Podia ter sido mais rebelde, mas não fui.

Alda Gomes
Alda Gomes
Luís Coelho
- Mas não se resignou...
-
Nessa altura tomei uma atitude de aceitação e achei que não poderia fazer o que quer que fosse na área da representação. Aos 18 anos fiz o casting na RTP para os Riscos. E, nessa altura, nem me lembro onde é que arranjei dinheiro para o autocarro e para o comboio. Faltei às aulas e foi tudo uma grande aventura, e ainda tinha de dar contas aos meus avós. Nesse ano chumbei. Nessa época, acho que fui rebelde.


- Como é que lidou com essa ambivalência entre o querer arriscar e o jogar pelo seguro?
-
Só pensava: 'Não me posso meter nisto, a minha família é muito modesta, não me pode sustentar e tenho de ter o meu trabalho, o meu carro.' Estava em Alenquer, mas entretanto voltei para Lisboa e acabei por fazer umas curtas-metragens e uns filmes. Mas, às tantas, deu-me uma 'branca' e quis abandonar tudo. E abandonei...


- E como é que foi para si desistir de um sonho que até estava a ser realizado?
-
Desisti, porque achava que não podia ser actriz. Diziam-me que isto não era para mim. Só é actor quem pode e não quem quer.


- Mas provou o contrário...
-
Sim, sou actriz, porque queria e não porque tinha dinheiro para ir estudar para o Conservatório.


- Acredito que esses tempos mais difíceis a tenham obrigado a crescer mais depressa.
-
Sim, mas foi benéfico para mim. As dificuldades tornaram-me uma pessoa muito mais forte. Mas eu acho sempre que não sou uma pessoa forte...


- Mas o seu percurso de vida prova o contrário...
-
Sim, e nem sei muito bem como é que estou aqui hoje. Foi com muita persistência da minha parte. Com muito trabalho e a acreditar sempre em mim.


Alda Gomes
Alda Gomes
Luís Coelho
- Mas, entretanto, veio definitivamente para Lisboa. É aqui que se sente bem?
-
Adaptar-me a Lisboa foi fácil, normal. Nunca senti que pertencesse aqui, e hoje ainda penso que tenho de arranjar uma maneira de voltar, não para Alenquer, mas para um sítio mais saudável, tranquilo. Tenho uma família muito unida. Há uns anos, os meus irmãos e os meus pais voltaram para Alenquer e sempre fomos muito próximos. Somos muito simples, trabalhadores, e voltar a casa faz-me esquecer um bocado estas coisas da televisão. A minha família é a minha cadeirinha. Quero sempre ficar ali mais um bocadinho.


- Pouco se conhece de si fora dos ecrãs...
-
Sim, sou uma pessoa muito tímida. Sempre achei que a imprensa nunca deu muito pela minha presença, porque posso ir jantar ao Bairro Alto sem ser incomodada. Namoro ao ar livre! E isso é bom, mas também é mau, porque gosto que reparem no meu trabalho.


- Não quer revelar o nome do seu namorado, mas já tem uma relação que dura há cerca de um ano e meio. Tem o sonho de casar-se?
-
Gostava de casar-me. Não imagino como vai ser, mas sou capaz de chegar lá. Gostava de assinar um papel... Sou romântica. E gostava de ter o direito de me casar de forma tradicional. Também gostava imenso de ser mãe. Fui tia há um ano e a família ficou com um brilho diferente nos olhos, e adorava também poder contribuir para isso. Mas a representação tem adiado isso.


Alda Gomes
Alda Gomes
Luís Coelho
- E não tem medo de um dia se arrepender por ter adiado esses sonhos pessoais?
-
Sim, e às vezes penso nisso. Estou a adiar mais uma coisa. E as amigas vão ficando grávidas e eu gostava de as poder acompanhar.


- É importante ter um lado afectivo sólido?
-
É importantíssimo ter um lado pessoal muito sólido. E estou a trabalhar para que fique mais sólido. Ambos temos de crescer um bocadinho mais um com o outro. Não é só amor e paixão. Há que aceitar o outro. O amor não chega. E para que as coisas possam durar a longo prazo, temos de as trabalhar agora. Vamos ver o que é que vai sair daqui...




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