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FOTOGALERIA: Último adeus a Rosa Lobato de Faria

Colegas, amigos e familiares despediram-se esta tarde da escritora, actriz e compositora, que morreu na passada terça-feira, dia 2, aos 77 anos.

Cátia Pinheiro
4 de fevereiro de 2010, 15:06

FOTOS:
Campiso Rocha, Natacha Brigham, Nuno Miguel Sousa

Rosa Lobato de Faria morreu no passado dia 2, aos 77 anos, na sequência de problemas intestinais que conduziram a uma anemia grave. Estava internada no Hospital Cuf Infante Santo. "Dentro do possível, fomos apanhados de surpresa. É um desgosto enorme. Era uma mulher fantástica, óptima mãe e avó e vai fazer imensa falta" referiu Teresa Sacchetti, filha mais velha da escritora e actriz, que falou à CARAS dias depois. Também a irmã, Bi Rebelo de Sousa, aceitou partilhar connosco algumas palavras quase uma semana após a morte da mãe: "Vou recordar a mãe no lado mais solar do meu coração - linda, doce, amiga, positiva, alegre, inteligente e culta. Pensei que a teria para sempre, pois recorria a ela para tudo, desde opiniões sobre livros e autores, assuntos domésticos, coisas de mães e filhas... Todos a têm lembrado com carinho, e por isso estamos gratos e felizes. Quero estar alegre, pois a sua vida era contagiante e sempre nos dizia: 'Quando eu morrer, não chorem, vivam as vossas vidas e sejam positivos. E eu sorrirei para vós, lá onde estiver.' Penso que por estes dias já a vejo sorrir numa estrela pequenina e brilhante que no céu acaba de nascer."

A morte de Rosa Lobato de Faria tocou muita gente e no dia em que foi celebrada a missa de corpo presente, eram muitos os populares que se aglomeravam à porta da Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, para um último adeus. Lá dentro, familiares e amigos escutavam, comovidos, as palavras do padre Tolentino de Mendonça: "É na arte que revelamos tudo aquilo que Deus nos oferece e perante nós está Rosa Lobato de Faria, de quem nos devemos orgulhar e de quem herdámos muito." Expressões como "apaixonada pela vida", "força da natureza", "alegre" e "bem-disposta" foram muito utilizadas pelos amigos que a evocaram, e para a maioria deles este desfecho foi uma surpresa, já que todos acreditavam na sua capacidade para ultrapassar as adversidades.

Para a família não será fácil lidar com o seu desaparecimento, como nos confessou a mais velha dos 12 netos de Rosa Lobato de Faria, a cantora Mafalda Sacchetti, também alguns dias depois do funeral: "Não existem palavras suficientes para descrever a minha avó. Tínhamos uma ligação fora do normal, acho que da família era comigo que ela mais se identificava. Éramos amigas, confidentes, trabalhávamos juntas - ela escrevia para mim e eu cantava para ela. Ela falava comigo sobre coisas que não tinha coragem de falar com mais ninguém, inclusivamente para o fim. Vai-me fazer muita falta, era o meu colo. Tenho um enorme orgulho e tudo farei para preservar a sua memória."

Na missa em que todos se despediram da autora, ficou-nos na memória o poema da sua autoria que o filho João Sacchetti declamou, do qual reproduzimos uma parte: "Se eu morrer de manhã/ abre a janela devagar/ e olha com rigor o dia que não tenho./ Não me lamentes. Eu não me entristeço:/ ter tido a noite é mais do que mereço/ se nem conheço a noite de que venho."

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