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António e Fátima Vilela defendem: "É muito difícil manter um casamento"

Casados há 27 anos, o empresário na área de corretagem de seguros e a mulher garantem que sempre conseguiram vencer com sucesso as dificuldades.

Melissa Tavanez
23 de janeiro de 2010, 17:02

Falam com muito orgulho das conquistas que foram fazendo ao longo da vida. Fazem-no com a emoção de quem não se esquece das dificuldades que teve de ultrapassar, ou do muito que lutou para conseguir concretizar os seus sonhos. Durante a conversa com a CARAS, que decorreu na sua moradia, em Cascais, Fátima e António Vilela recordaram o início conturbado do seu namoro, dos projectos profissionais e falaram entusiasticamente dos filhos, Francisco, de 26 anos, e Joana, de 22, pelos quais nutrem enorme admiração. O presidente da Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros e a mulher revelaram ainda que muito em breve concretizarão mais um sonho, ao abrirem em São Paulo - cidade pela qual se apaixonaram há 20 anos - o restaurante Museu do Padeiro.

- Conheceram-se muito jovens, com 14 anos, e começaram a namorar pouco depois. Foi um namoro aceite pela família?

António Vilela - Sim, mas com muitas reticências! O meu sogro, que foi como um segundo pai, disse-me que o maior desgosto que teve com a filha foi quando lhe fui pedir, com 16 anos, licença para namorar, porque achava que era muito cedo.

- Mas depois houve um interregno de dez anos nessa relação, sem que nenhum dos dois tivesse colocado um ponto final ao namoro...

Fátima Vilela - Exacto. Nós tínhamos combinado ir ao cinema num determinado dia, e ele simplesmente não apareceu.

António - Fui ver outro filme, o António das Mortes, ao Estúdio Império, e depois andei dez anos a ver filmes errados, pois nunca nos cruzámos nas salas de cinema. No entanto, mais tarde, acabámos por nos reencontrar devido a algo próximo do cinema: eu comecei a fazer alguns trabalhos como modelo e a Fátima acabou por me ver na televisão, num anúncio de publicidade.

- Quem tomou a iniciativa de restabelecer o contacto?

Fátima - Fui eu. Quis saber dele, marcámos encontro e, um ano depois, estávamos casados. Como já nos conhecía­mos bem, não se justificava namorar muito tempo.

António - E o meu sogro tinha alguma razão: era efectivamente cedo para começar um namoro sério. Por isso, foi bom termos feito essa travessia do deserto: amadurecemos e preparámo-nos melhor para sermos capazes de viver estes 27 anos de casamento, de que temos sistematicamente de fazer um balanço positivo.

O casal
O casal
Luís Coelho

- Porque não é fácil manter um casamento?

Fátima - Pois, um casamento até é muito difícil de manter. Nós temos por princípio conversar sobre os problemas e tentar sempre resolvê-los. Claro que tem de haver sempre cedências de parte a parte. Há altos e baixos, não foi tudo fantástico e maravilhoso durante estes 27 anos. Mas fomos fazendo conquistas.

- Que valores tentaram transmitir aos vossos filhos?

António - Sobretudo de ética, moral, fraternidade, solidariedade, respeito pelo espaço dos outros, mas também por convicções e causas. É para nós um orgulho grande perceber que os nossos filhos hoje, que são adultos, são o espelho daquilo que nós fomos procurando incutir-lhes.

- Entretanto, a Fátima acabou por deixar o seu emprego num escritório. Foi para se dedicar mais à família?

Fátima - Sim, quando chegaram os filhos, foi essa a opção que to­mámos.

- Curiosamente, os filhos seguiram as áreas dos pais: a Joana herdou a criatividade da mãe, enquanto o Francisco trabalha no sector financeiro...

António - Nunca tivemos a pretensão que os nossos filhos fossem aquilo que nós queríamos que fossem, antes pelo contrário, que sejam o que querem ser. O Francisco licenciou-se em Gestão e está a tirar o mestrado em Economia. A Joana esteve em Arquitectura, mas acabou por seguir Design, curso que termina agora em Fevereiro. Sempre defendemos que não queríamos génios cá em casa, mas sim pessoas normais. Portanto, os nossos filhos fazem o que os outros fazem, têm os seus defeitos e virtudes, mas têm sobretudo os valores que consideramos importantes. E a grande autora desta obra de que nos orgulhamos é sobretudo a mãe, que dedicou mais de si própria e do seu tempo à sua construção, porque eu fui um pai mais ausente.

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