Nas Bancas

Vera Roquette: "Não somos menos femininas por não termos filhos"

Embora não seja mãe, a ex-apresentadora diz que tem nas crianças a sua maior fonte de inspiração.

Andreia Guerreiro
1 de janeiro de 2010, 17:46

Vera Roquette saiu dos ecrãs há vários anos, contudo, o seu sorriso rasgado e a conversa fácil que estabelecia com os telespectadores do Agora Escolha continuam presentes na memória de muitas pessoas. Já não trabalha em televisão, mas continua a comunicar, o que considera ser a sua verdadeira vocação. Seja através da ajuda que dá ao marido, José Manuel Trigo, como relações-públicas nos vários espaços nocturnos que possui, ou a escrever livros para crianças, Vera não abdica de estar em permanente contacto com o mundo que a rodeia.

Recentemente, a ex-apresentadora publicou O Senhor que Vivia na Lua e Outras Histórias Divertidas e confessa que quer fazer carreira com estas histórias que despertam o imaginário infantil. Apesar de nunca ter tido filhos, Vera sente-se "mãe de muitos". Esta vocação para estar com os outros já despertou em si o desejo de se tornar missionária e não esconde a vontade de ir para África durante alguns meses.

Foi sobre os afectos que se escondem, ou misturam, com o seu pragmatismo e dinamismo que falámos com a autora que, tal como as crianças para quem escreve, não se cansa de sonhar.

- Como tem sido esta experiên­cia enquanto escritora?
Vera Roquette -
Comecei por escrever crónicas. Sinto-me muito ligada ao jornalismo. Gosto de escrever coisas rápidas que fazem parte do dia-a-dia. A realidade é tão rica... Mas sempre sonhei com crianças. O meu programa Agora Escolha era dedicado às crianças. São elas que lançam as modas. As pessoas podem pensar que é pelo facto de não ter filhos que sou tão ligada às crianças, mas não. Isto pode chocar, mas nunca me vi a ficar em casa com os filhos e com o marido... Acho que é maravilhoso uma mulher poder ser mãe, mas há muitas mulheres que não têm filhos e que são mães de muitos outros filhos. E eu sou assim. Não somos menos femininas por não termos filhos. Mas a ideia de escrever para crianças surgiu há muito tempo e agora realizei esse sonho.

Vera Roquette
Vera Roquette
Mário Galiano
- E a inspiração, vem da sua infância?
-
Tive uma infância muito feliz. Os meus pais deram-me muito carinho e amor. Nunca os vi discutir, por exemplo. E isso é amor que fica e depois transmitimos aos outros. As crianças, para mim, são o sonho, o futuro. E foi a ternura que tenho por elas que me suscitou esta vontade.


- Parece ser muito ligada aos afectos...
-
Sou uma pessoa muito impulsiva. Tento ser menos, porque a maturidade também nos ensina. Mas continuo a ser rebelde e gosto de ter uma certa rebeldia e ingenuidade que fazem parte da juventude. As pessoas dizem que deveria ser mais calma, mas quando vejo uma injustiça, fico rebelde. Sou uma mulher muito ligada aos afectos e viver sem eles é um horror. São a essência da nossa identidade e aquilo que deixamos nos outros. Mas noutras coisas sou muito pragmática. Equilibro o racional e o afectivo, mas as emoções ganham.


- Arrepende-se de não ter tido filhos?
-
Não. A vida foi-me acontecendo e tem sido muito preenchida. Comecei como guia-intérprete, passei para a publicidade, depois para assistente de cinema, mudei para a televisão, e agora estou com um homem da noite... Optei sempre pela profissão e pelo meu estilo de vida. Houve uma altura em que pensei: ou tenho filhos agora ou já não tenho. Mas percebi que pensar assim era egoísmo. Temos de saber se não estamos apenas a satisfazer os nossos egos. Temos de ser muito conscientes. Há várias formas de ser mãe no mundo.


Vera Roquette
Vera Roquette
Mário Galiano
- Acredito que serem só os dois numa relação tenha aprofundado o conhecimento que têm um do outro...
-
Com certeza. Conheço casais que vivem a dois e são muito felizes. Não são apenas os filhos que trazem alegria. Não há felicidades plenas, nem para os casados, nem para os solteiros. E um dia vamos todos estar sozinhos, porque muito raramente se morre em simultâneo. E é difícil recomeçar tudo de novo. Temos de aprender a viver sozinhos. Perguntar se somos felizes é ridículo. Ao olharmos à nossa volta, vemos pessoas a sofrer e, por isso, não podemos ser totalmente felizes! Temos momentos de felicidade na vida, mas a partir de um momento, começa a ser difícil.


- Pode dizer-se que o seu marido é o seu pilar?
-
É, sem dúvida. Sempre fui muito independente e ele também é, e damo-nos muito bem. Temos liberdade. Vou com uma amiga ao cinema e ele não faz qualquer problema disso. Se não fosse assim, não poderíamos estar a trabalhar na noite.


- Gostaria de voltar à televisão?
-
Não sei... Quanto mais vejo as pessoas a aparecerem, mais fico retraída. Não quero ser mais uma. Se houvesse projectos interessantes e a horas decentes, sim senhora. Acima de tudo, sou uma comunicadora. Mas hoje há telenovelas e futebol. E vejo programas fantásticos que começam à uma da manhã...


Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras