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Mafalda Vilhena: "Fiquei muito contente quando soube que ia ter outra menina"

Grávida de oito meses, a actriz aguarda tranquilamente o nascimento da segunda filha, Leonor, fruto do seu casamento com o também actor Pepê Rapazote.

Melissa Tavanez
24 de novembro de 2009, 11:26

Não é o tipo de mulher que diz que nasceu para ser mãe. Muito pelo contrário. Mafalda Vilhena nunca quis ter filhos até se casar com o actor Pepê Rapazote, há cerca de 11 anos. Mesmo assim, só passados seis anos tiveram a primeira filha, Júlia, agora com quatro anos e meio. A experiência vai repetir-se já em Dezembro, com o nascimento de Leonor, previsto para dia 12. O pretexto desta conversa foi a criopreservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical, que o casal vai fazer nesta segunda gravidez, mas serviu também para a actriz falar abertamente de sentimentos, vontades e desejos.

- É daquelas mulheres que dizem que ser mãe é o seu grande papel na vida?

Mafalda Vilhena - Adoro ser mãe e quem me acompanha de perto elogia-me imenso, dizem que sou uma supermãe. Todos os dias faço actividades com a Júlia, ela é mesmo a minha companheira. Mas gosto de acreditar que tenho outros talentos.

- Mas sempre quis ser mãe?

- Não. Aliás, às vezes, dizia ao meu médico que eu devia ser uma pedra, porque não tinha relógio biológico. Acabou por ser uma consequência do casamento, porque o Pepê queria muito. Se calhar, se ele não quisesse muito, não teríamos tido filhos e eu estaria a perder uma coisa fantástica. E agora pela segunda vez. Fiquei muito contente quando soube que ia ter outra menina.

- As mulheres costumam dizer que ser mãe é a melhor coisa do mundo. Mas, no início, sobretudo na primeira gravidez, pode não ser assim...

- No início é mesmo assustador. Para quem está habituado a lidar com bebés, acredito que seja diferente, agora, no meu caso, que nunca tive muito contacto com bebés, é mesmo assustador. Não me esqueço que, ao sair da maternidade - e ainda por cima a Júlia chorava muito -, caíam-me as lágrimas e pensava: "Meu Deus, e agora o que é que vai acontecer?" Porque, de facto, temos de cuidar daquele ser vivo que precisa de nós e é uma coisa inesperada. Por isso é que dizem que o segundo filho já é mais 'a pontapé', é mais descontraído.

- O que é que foi mais dramático no nascimento da Júlia?

- Acho que foi mesmo o início, porque ela chorava muito e eu só pensava: "Mas o que é que lhe vou fazer?" Mas nunca entrei em paranóia. O mais assustador foi mesmo a saída da maternidade, o choque. Porque ali tinha a ajuda das enfermeiras, e quando saí pensei: "E agora, quem é que me ajuda?" Mas nós arranjamos sempre formas de sobrevivência, e a minha até foi afastar um bocadinho o Pepê da bebé.

- Porquê?

- Porque eu sabia fazer melhor. Esse sentimento é muito comum nas mulheres. Na verdade, nós é que temos o peito, é que conseguimos alimentar o bebé. Em qualquer situação, eu dizia-lhe que eu é que sabia, que eu é que fazia, apesar dele, no primeiro mês, lhe dar banho e fazer mais umas coisinhas. Ele é bastante inteligente e percebeu logo que tinha que ver com a minha forma de sobrevivência e quase só fazia aquilo que eu permitia.

- E isso não prejudicou a vossa relação? Dizem que o nascimento do primeiro filho afecta, por vezes, a relação do casal, e com esse afastamento...

- Não. Ele compreendeu perfeitamente. Tem que ver com a gestão do casal... E a nossa relação não mudou, sofreu uma alteração para melhor. Deixámos de ser dois e passámos a ser três. Mas há, de facto, uma grande mudança... Falo por mim, mas acho que tem que haver muita estabilidade no casal para se ter um filho, se não, é impossível. Nós deixamos praticamente de dormir, andamos muito cansados, é um trabalho de 24 horas que não é remunerado. [risos]

Mafalda Vilhena
Mafalda Vilhena
Mário Galiano
- As atenções vão para o bebé e o romantismo fica de lado...

- Sim, é verdade. Passou a haver menos tempo para namorar, mas consegue-se sempre. Acho que até em casa, de pantufas, no sofá, desmaquilhada e com uma manta... Bastam cinco minutos debaixo da manta, perto da salamandra, e olharmos um para o outro, que se recupera muito da relação. Não que não tenhamos problemas como todos os casais, discussões, birras... mas é só encontrar momentos e perceber que há outras alturas em que estamos mais virados para nós próprios ou para o trabalho e dar um bocadinho de espaço à outra pessoa, não é preciso estarem sempre agarrados. E eu sou bastante possessiva, atenção! É bom que as pessoas não pensem que o deixo andar por aí. Nem pensar! [risos]

- E a Mafalda sentiu que perdeu também a sua individualidade, o tempo para si?

- Nós, mulheres, conseguimos fazer muitas coisas ao mesmo tempo, temos superpoderes... Mas mesmo só tendo a Júlia, há alturas em que só me apetece chorar, porque é tratar dela, trabalhar muitas horas, gerir a casa... Também sou dona de casa, cozinho, faço as compras, arrumo... Consegue-se, mas há alturas em que me sinto mesmo cansada e me apetece chorar. Depois, é verdade que perdemos a nossa individualidade. Ou fica a depilação por fazer, ou o cinema... Há sempre coisas que se perdem. Vamos ver se com a Leonor isto não acontece. Com a Júlia, houve ali uns seis meses em que estava mesmo só vidrada para ela.

- Já aprendeu...

- Sim, tenho de ser activa. Já disse à minha mãe: nem que fiques só duas horas com elas para eu ir ao ginásio ou ver montras, senão vou dar em doida.

- E deixa o Pepê fazer alguma coisa em casa?

- Pois... [risos] Eu até deixaria, ele é que anda sempre muito distraído nas coisas dele. Só quando lhe ponho cinco sacos de reciclagem e tropeça neles passado 15 dias é que diz: "Bom, se calhar tenho de os levar." Eu sou muito eléctrica, também não lhe dou grandes hipóteses. Mas a verdade é que ele também não faz nenhum, desarruma. Mas cozinha muito bem. É rara a semana em que não cozinha.

- Deixaria de trabalhar para ser mãe e esposa a tempo inteiro?

- Acho que para ser uma boa mãe tenho de estar realizada profissionalmente. Se abdicasse disso por obrigação, acho que ficaria uma pessoa muito mais triste e feia, logo, isso iria reflectir-se na educação das minhas filhas. Iria ser infeliz, e elas também.

- E mais filhos, quer ter?

- Não. O Pepê gostava muito, mas não pode ser, nos dias de hoje é impensável. Com a profissão que tenho, não dá, além disso, a vida está mesmo muito cara. A educação, que é fundamental, está caríssima, e depois os meus pais não estão novos para me ajudarem. E gostaria de conseguir acompanhar as duas dentro das minhas possibilidades. Claro que vou falhar mil vezes como mãe, nós somos humanos, e é assim mesmo... Acho que quantos mais filhos tiver, mais complicada se torna a gestão do tempo.

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