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Bárbara Guimarães: "Sou boa a fazer surpresas ao Manel"

Com Manuel Maria Carrilho a viver em Paris como embaixador de Portugal na UNESCO, Bárbara, que está em Lisboa com o filho, tem de conciliar as viagens com a apresentação de um programa diário na SIC.

Melissa Tavanez
4 de novembro de 2009, 12:10

Sem rodeios, avisa que nunca lhe bastaria ser a grande mulher por detrás de um grande homem. Bárbara Guimarães diz que é mais de andar ao lado. O homem que mais lhe mudou a vida é, evidentemente, Manuel Maria Carrilho, seu marido e actual embaixador de Portugal na UNESCO. De forma quase cinematográfica, descreve como ambos, de agendas abertas, se entendem na gestão de uma vida que se divide entre Lisboa - cidade onde ela vive com o filho de ambos, Dinis, de cinco anos, - e Paris - para onde o filósofo e político se mudou no final do ano passado.

Nesta entrevista, cujo ponto de partida foi o novo programa que apresenta na SIC, conversou-se sobre o amor, a família e as saudades.

- M/F: Sarilhos em Casa é o desafio profissional que desejava nesta altura da sua vida?

Bárbara Guimarães - Gosto de pensar que sim, a partir do momento em que começo a trabalhar num novo projecto. E este é, sem dúvida, muito exigente. Não só por ser diário, de segunda a sábado, mas também pela temática. É mesmo diferente de tudo o que fiz até hoje, mas, como gosto de correr riscos, aqui está mais um...

- Como é a sua relação com o mundo dos homens?

- Óptima. Variável. Previsível.

- Quem são os homens que mais admira no seu universo pessoal?

- Os que acreditam, apesar das dificuldades. Os que riem, apesar dos dissabores. Os que amam, apesar dos obstáculos.

- E o homem que mais mudou a sua vida?

- Evidentemente, ele.

- Manuel Maria Carrilho?

- [Silêncio acompanhado de um sorriso que sugere que a dedução está correcta].

- Imagina-se feliz no papel de a grande mulher por detrás de um grande homem?

- Sou mais de andar ao lado.

- E como se sente a mulher de um homem de reconhecido charme, admirado por outras mulheres? Como se sente a Bárbara em relação ao seu marido?

- Eu? Orgulhosa. Mas atenta e feliz.

Bárbara Guimarães
Bárbara Guimarães
João Lima
- E como se sentem os homens das mulheres bonitas? Como acha que se sente o seu marido em relação a si?

- Todas as mulheres têm um encanto próprio para o 'seu' homem. E vice-versa. Caso contrário, algo vai mal.

- Ser estrela de televisão é correr riscos. Como preserva essa parte de certa forma provocatória da profissão com o facto de ser mulher de um político, que ainda por cima é agora embaixador?

- Sem tabus nem preconceitos. As mulheres têm uma grande capacidade para resolver e fazer coisas muito diferentes ao mesmo tempo. É talvez um dom, que a história acabou por nos dar. Fui posta à prova em várias situações inesperadas e sinto - modestamente - que estive à altura. Nos momentos-chave estou sempre com o meu marido, sinto que gerimos bem esta fase da nossa vida.

- Mas como é que conseguem planear a vossa vida morando em países diferentes?

- De agenda 'em riste', disparamos os nossos compromissos e avaliamos as nossas obrigações comuns! É a única maneira de ter uma boa vida pessoal. Que procuramos que esteja sempre em primeiro lugar. Mas reconheço que agora, com este inesperado programa diário, teremos que ser muito imaginativos. O meu trabalho em televisão absorve-me muito, mas só com essa dedicação é que consigo dar conta dele.

- A palavra saudade passou a ter um significado diferente?

- Nem sempre é fácil, mas trata-se apenas de uma fase na vida de ambos. Quando a saudade bate à porta, reorganizamo-nos! Ou faço-lhe uma surpresa, sou boa nisso!

- Preocupa-se com o equilíbrio que necessita de ter entre a sua carreira e a sua vida familiar?

- Claro que sim. Isso é prioritário, não só para o nosso bem-estar, como para o bem-estar do nosso filhote e de toda a família. É tão bom brincar, inventar, rir, fazer pequenos nadas em conjunto com o meu filho. Também é doce quando estamos os três e cada um entretido com algo, em silêncio. Nesses momentos consigo sentir a paz, a serenidade destes meus dois amores.

- Que segredos de bem-viver procura transmitir ao Dinis?

- Francamente, os que passam pela educação. A educação exige muita atenção, imensa disponibilidade, estímulos e desafios. Educar é não só dar mundo, mas também ajudar a criar um mundo próprio, interior. Na minha opinião, só assim se enraízam valores, se preparam opções, se distingue o essencial do acessório. É uma aventura ter filhos nos tempos que correm.

- E voltar a ser mãe, está nos seus planos?

- É melhor dizer que não. Senão, para a semana lá vem mais uma daquelas notícias...

- É mulher para colocar um quadro na parede ou mudar o pneu de um carro?

- Claro, ainda há uma semana comprei um berbequim... e os quadros que queria pendurar, lá estão! Quanto ao pneu, tenho a certeza que vou demorar bastante tempo, mas mudo!

Bárbara Guimarães
Bárbara Guimarães
João Lima
- E o seu ma­rido, vai às compras, ou faz o jantar sem qualquer tipo de tabu?

- Sim, ele sempre fez tudo isso com a maior das naturalidades.

- Que características - ou poderes - tipicamente masculinas inveja no sexo oposto?

- Invejar... Aí está algo tão masculino como feminino, não é? Talvez inveje um certo tipo de racionalidade mais planeada.

- No mundo das suas amizades, existem mais homens ou mulheres?

- Mulheres, sempre temos mais coisas em comum.

- O que acha da força e da fraqueza das mulheres?

- Acho que as mulheres fazem das fraquezas forças!

- Quem foram as mulheres que mais marcaram e continuam a marcar a sua vida?

- As que me criaram, educaram e continuam a inspirar-me. E digo-lhe que, quanto mais tempo passa, mais inspiradoras se têm tornado. A experiência das pessoas em quem confiamos é muitas vezes um farol na vida.

- Dizem os cientistas que toda a mulher tem um lado masculino. De que forma esse se revela em si?

- Pois digam os cientistas o que disserem, eu sempre me senti 100 por cento feminina.

- Recordo-me de uma fase em que usava, com frequência, peças de vestuário tipicamente masculinas, como gravatas e coletes de alfaiataria. O guarda-roupa dos homens fascina-a?

- Para variar, o guarda-roupa masculino tem muitas peças interessantes. Gosto de gravatas, coletes, calças com corte masculino, e de muitas outras coisas que não estão reservadas aos homens.

- É reconhecida como uma mulher bonita e elegante. Como se adapta ao facto de ser cada vez mais observada à lupa?

- Isso é assustador. Tenho prazer em sentir-me bem, cuidar de mim, mas sem fazer disso o centro da minha vida. O que mais gosto é de andar e ser descontraída.

Bárbara Guimarães
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João Lima
- Nos últimos anos tem deixado de lado uma imagem mais clássica, a que nos habituou em determinado período da sua vida, e mostrado um estilo igualmente sofisticado, mas mais fashion. Essa mudança exterior é o reflexo de uma mudança interior?

- É mais uma mudança do meu armário! De resto, cada vez mais quero ter menos coisas, reciclar as que estavam no fundo da memória, mas, essencialmente, ter menos! O que me obriga a ser mais criativa e selectiva. Na televisão, a imagem também vai acompanhando os tempos. Quando olho para os primeiros Chuvas [de Estrelas], vejo-me de poupa, cheia de laca, vestida com peças que hoje não fariam sentido! Mas naquela altura aquilo era tudo muito cool. Mudam-se os tempos, mudam-se os estilos.

- Parece ter uma visão da vida muito positiva. Onde é que a foi buscar?

- Não nasci com queda para maus dias, sou bem-disposta, gosto de viver e de conquistar as coisas, as pessoas, ideias e causas. Preocupo-me com a injustiça, com a falta de saúde, com a fragilidade do mundo em que vivemos. E, com energia, à minha pequena escala, tento colaborar sempre com o 'lado bom', que luta por mais esperanças e mais alegrias.

- Não resisto a pedir-lhe que partilhe connosco alguns dos seus segredos de beleza.

- Cuidar é a palavra-chave desse segredo. Temos que cuidar de nós, por nós.

- E tem tempo para fazer ginástica, faz dietas?

- Não tenho tido tempo nem muita paciência. Sinto-me melhor quando posso andar a pé, dar grandes passeios. Quanto às dietas, vou controlando de quando em quando a balança, tento manter um certo equilíbrio. Não faço dietas, faço por ter uma alimentação saudável.

Bárbara Guimarães
Bárbara Guimarães
João Lima
- O Mude - Museu do Design e da Moda, espaço onde a Bárbara foi fotografada, propõe-se explorar novos lugares e diferentes tempos. Na profissão e na vida pessoal, quais são os novos lugares que a Bárbara gostaria de explorar e que diferentes tempos gostaria de viver?

- É o mais jovem museu da cidade, onde a moda e o design se expõem. Gosto do conceito, de juntar os dois e ver que combinam na diversidade das suas inspirações. É também uma Bárbara [Coutinho] que o dirige, uma pessoa de quem gosto muito, é uma mulher audaz e cheia de sonhos. Os pisos de cima ainda não estão verdadeiramente recuperados, mas já são museu. E foi um privilégio vê-los, ocupá-los durante esta sessão. Quanto aos diferentes tempos, aqui é possível senti-los, e isso também é viajar: os novos lugares podem estar dentro de nós.

- Nessa viagem, onde fica o seu refúgio?

- No meu coração. Quando ele bate forte de alegria, é porque cheguei ao meu refúgio.

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