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Alexandra Quadros: "Mais do que uma lutadora, sou uma pessoa que acredita"

A escritora tem dois filhos, Tomás, do seu primeiro casamento, e Vicente, da sua actual relação.

Melissa Tavanez
10 de outubro de 2009, 13:17

Alexandra Quadros nasceu em Portimão e aos 19 anos mudou-se para Lisboa para estudar. Depressa se habituou ao bulício da cidade e hoje sente-se uma verdadeira alfacinha. A única coisa que lhe custou foi deixar os pais - que continuam a morar no Algarve -, com quem tem uma relação de enorme afecto. Apaixonou-se, casou-se, teve um filho, Tomás, hoje com 13 anos, divorciou-se. Alexandra, 44 anos, publicitária e autora do livro Por Detrás das Paredes, voltou a apaixonar-se, por Vítor Vasques, director criativo, e teve mais um filho, Vicente, agora com seis meses. A CARAS foi ao seu encontro para conhecer melhor a autora da frase "por detrás das paredes, pode haver muito mais do que simples vigas, betão, pedra e madeira". O encontro deu-se precisamente por detrás das paredes da sua casa, no Restelo.

- Se esta casa falasse, já teria muitas histórias para contar?

Alexandra Quadros - Algumas. [risos] Só cá estamos desde Ja­neiro, mas esta casa acolheu-nos com muita simpatia. Se estas paredes falassem, já falariam do nascimento do Vicente, que foi uma nova luz na nossa vida e o nascimento deste livro.

- Como é que surgiu a ideia desta história?

- Eu vivia no Príncipe Real e a minha casa começou a mandar-me embora, e já não era a primeira vez que isto me acontecia. Surgiu então a ideia de escrever a história de uma família que era contada pela casa, porque acredito que as casas têm alma.

- Essa história de a casa a mandar embora não foi apenas uma desculpa para mudar de casa?

- [risos] Neste caso não. Adorava a minha casa, tinha uma energia muito positiva. Vivi lá bons momentos da minha vida. E acabei por me mudar para a Aroeira, onde vivia o meu marido, o que implicou uma grande mudança na minha vida. Sempre fui muito urbana. Mudei-me por amor.

- Por falar em amor, no blogue do seu pai, Alberto Quadros, ele faz-lhe rasgados elogios, escrevendo: "Alexandra - filha diamante de 'n' quilates" ou "Alexandra - que, sem dar por isso, nos dá e ensina muito, sem nada cobrar." É amor de pai ou revê-se nesses elogios?

- Os pais e os irmãos são mais suspeitos. Vindo do meu pai, fico particularmente comovida, porque ele é extremamente exigente... E é curioso, porque a minha mãe, sim, é mais espontânea, é espanhola, tem sangue caliente... Ele até é tímido nas emoções.

Alexandra Quadros
Alexandra Quadros
Victor Freitas
- Escrever este livro não foi correr um certo risco, sendo sobrinha de Fernanda de Castro e António Ferro e prima de António Quadros, todos eles escritores?

- Nunca tive medo de arriscar. Senti-me, sim, responsável por um apelido, mas sem que isso me criasse qualquer tipo de ansiedade.

- É uma mulher que persegue os seus objectivos?

- Sim, tenho muita fé e, quando tenho uma meta, persigo-a, mas sem atropelar ninguém, disso não sou capaz.

- Portanto, é uma lutadora...

- Sim, sou uma lutadora, mas, mais do que isso, acho que sou uma pessoa que acredita. Tinha um tio que costumava dizer que a sorte não existe, que o que é preciso é não ter medo de agarrar oportunidades. Sou lutadora, mas sou, sobretudo, uma acreditadora. [risos]

- E desanima quando não consegue atingir os objectivos que traçou?

- Pode parecer falsa modéstia, mas nunca me aconteceu. Já me deparei com obstáculos, com a necessidade de os contornar e ultrapassar, mas interpreto-os sempre como provas.

- No amor é igualmente bem-sucedida?

- [risos] Acho que sim. O amor é mais difícil, mais subjectivo, e há outra pessoa de quem se depende para se ser bem-sucedido.

Alexandra Quadros com o pequeno Vicente
Alexandra Quadros com o pequeno Vicente
Victor Freitas
- O seu primeiro casamento não correu da melhor forma. Tendo o exemplo dos seus pais, que estão casados há mais de 45 anos, planeava a mesma longevidade para esse casamento?

- Sim, era nova e achava que era para toda a vida. Hoje tenho uma concepção diferente: o casamento dura até que a morte do amor nos separe, e ainda bem que é assim. Temos o dever, acima de tudo, de sermos felizes.

- Quando percebeu que não era feliz, tomou logo a decisão de se separar, de procurar um novo rumo?

- Gostávamos um do outro, mas acabou, e não foi fácil. Houve uma sensação de tristeza e de algum fracasso, mas ambos estávamos mais preocupados em proteger o nosso filho, para que ele sofresse o mínimo possível. E, no entanto, o meu ex-marido, para além de um excelente pai, é um excelente amigo.

- Ficou descrente sobre a possibilidade de um casamento durar para sempre?

- Durante uns tempos, sim. Não queria pensar nem em casamento, nem em namorar. O meu filho tinha quatro anos e decidi dedicar-me a ele. Precisava disso, e ele também. Precisei de estar sozinha, de me encontrar, de reflectir sobre o que tinha acontecido, sem martírios, nem dramas.

- E depois apareceu o Vítor...

- Sim, quase seis anos depois, apareceu este publicitário por quem me apaixonei. Sou muito romântica, ainda acredito em contos de fadas. [risos]

- De seguida veio o Vicente, 12 anos depois do primeiro filho... Que coragem!

- Ou uma grande incons­ciência. [risos] Acima de tudo, foi um presente ao meu marido, ele não tinha filhos e queria muito, e eu sempre disse que gostaria de ter mais do que um. Mas foi sobretudo uma dádiva ao Vítor, mais uma prova de amor.

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