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Paula Rego recebe figuras ilustres na 'sua' Casa das Histórias, em Cascais

"Só temos de ficar satisfeitos quando artistas têm este gesto de tão grande generosidade para com o País onde nasceram." (Aníbal Cavaco Silva)

Andreia Guerreiro
27 de setembro de 2009, 11:02

A Casa das Histórias Paula Rego foi inaugurada em Cascais perante milhares de convidados, muitos deles figuras ilustres da sociedade. O museu, projectado pelo arquitecto Souto Moura, expõe 257 quadros e um conjunto quase inédito de 278 desenhos doados pela pintora. A juntar à colecção permanente, há ainda uma exposição temporária com obras da autora que vão de meados dos anos 80 até trabalhos mais recentes.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, teve direito a uma visita, na companhia da mulher, Maria Cavaco Silva, guiada pela própria pintora, após a qual elogiou a doação que esta fez a Portugal: "Só temos de ficar satisfeitos quando artistas têm este género de generosidade para com o País onde nasceram." Também Jorge Sampaio, que já foi retratado pela pintora quando era Presidente da República, esteve presente, na companhia da mulher, Maria José Ritta. "Tenho um grande amor pelas artes em geral e pela pintura em particular. Sou um grande admirador de Paula Rego, além de seu amigo há muitos anos."

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e Paula Rego
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e Paula Rego
Victor Freitas
Esta generosa doação tinha ficado prometida a
António Capucho
, presidente da Câmara Municipal de Cascais, em 2004.
"Tudo fiz para que este dia se tornasse rea­lidade. Conjugaram-se várias vontades, primeiro, da pintora, depois, da câmara, e resolvemos arriscar. Julgo que foi uma aposta vencedora. Esta exposição é deslumbrante, não apenas as obras que a pintora doou, mas também as que agora emprestou, fazem um conjunto extraordinário e muito representativo da sua pintura"
, referiu António Capucho.


Também a artista, radicada em Inglaterra há mais de 30 anos, se mostrava satisfeita com esta 'parceria', até porque mantém com a zona de Cascais uma relação de afectividade pelos 13 anos em que viveu no Estoril.
"Está tudo muito bonito e gostei muito. A livraria é um sonho e ainda há muito mais histórias para contar... e para ouvir... e sentir"
, explicou.


Após a inauguração oficial logo de manhã, à tarde, a Casa das Histórias Paula Rego abriu ao público e a um grupo de convidados. Expostos estão tanto alguns dos trabalhos que fez enquanto estudante na Slade School of Fine Art, como também os mais recentes, entre os quais destacamos
A Filha do Polícia
ou a série
Avestruzes Bailarinas
, assim como a famosa
Mulher Cão
. A colecção integra ainda obras de
Victor Willing
, o pintor de quem Paula Rego ficou viúva em 1988, alguns modelos utilizados pela pintora em obras de referência, uma obra em
patchwork
de grandes dimensões e ainda parte do seu espólio documental.


Após o encerramento do espaço neste primeiro dia de funcionamento, alguns dos convidados, incluindo Paula Rego, os três filhos,
Carolina
,
Victoria
e
Nicholas
, e duas das cinco netas,
Grace Willing
e
Lola Mueck
, rumaram à Cidadela de Cascais, onde assistiram a um concerto de
Camané
em homenagem à pintora portuguesa mais reconhecida internacionalmente.


Jorge Sampaio e Maria José Ritta à conversa com a pintora e Anthony Rudolph
Jorge Sampaio e Maria José Ritta à conversa com a pintora e Anthony Rudolph
Victor Freitas
Victoria Willing aproveitou a estada para rever alguns amigos portugueses, mas não deixou de elogiar esta iniciativa que homenageia a mãe - e também o pai:
"Este foi um dia muito especial para mim, pois além das obras da minha mãe, também estão algumas do meu pai expostas. Havia algumas obras da minha mãe que não via há muitos anos, mas também não consegui ver a exposição muito bem, pois estava realmente muita gente. Foi um dia muito emocionante, é fantástico ver um edifício feito especialmente para ela e nunca pensei que isso pudesse acontecer com ela ainda viva. A minha mãe esteve muitos anos sem conseguir vender muito, por isso, é bom chegar a este ponto da vida e ter este sucesso."
Victoria levantou ainda um pouco do véu do seu quotidiano com um génio da pintura:
"Nunca estávamos perto dela quando ela pintava, era demasiado privado. Como mãe, sempre nos apoiou muito, mas ao fim do dia sempre foi pintora e tinha muito bem traçado o que tinha e queria fazer."


Também a neta Lola Mueck, filha de Carolina Willing, partilhou com a CARAS como é a avó na esfera privada.
"É uma avó fantástica, muito companheira, um pouco louca, mas eu adoro-a. Gosto muito da sua pintura e entendo perfeitamente por que é que o seu trabalho é adorado em todo o mundo."

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