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Manuela Moura Guedes

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Natacha Brigham

Manuela Moura Guedes desabafa, após a suspensão do 'Jornal Nacional'

 "A partir do momento em que me tiram do programa, espero que me deixem fazer informação"

Andreia Guerreiro
12 de setembro de 2009, 15:59

Na passada quarta-feira, dia 2, a suspensão do Jornal Nacional, apresentado por Manuela Moura Guedes à sexta-feira, teve como consequência a demissão em bloco da direcção de informação da TVI, que se mantém em funções até ser substituída. O assunto saltou para as primeiras páginas da imprensa nacional - até porque se segue à saída do marido, José Eduardo Moniz, director-geral do canal até há cerca de um mês - e o estilo acutilante da jornalista proporcionou comentários sobre a possibilidade de este ter sido um acto de censura.

Apesar de ainda não saber qual será o seu papel na estação de Queluz, Manuela mantém-se interinamente na direcção de informação, diz que não sabe de onde partiu a decisão de suspensão e garante que nunca sofreu pressões por parte da direcção. "Não faço ideia se a decisão proveio da Prisa [grupo espanhol que é accionista maioritário do canal] em Espanha ou em Lisboa. Nunca senti pressões e continuo a não as ter. A única coisa que tive foi a suspensão do Jornal." A jornalista recebeu a solidariedade de vários elementos da sua equipa, com quem jantou em Lisboa dois dias depois, momento em que foram captadas as imagens que publicamos e onde respondeu a algumas perguntas da CARAS.

- Como está a viver esta situação?
Manuela M. Guedes -
Com tristeza.

- Ficou satisfeita por ter sido exibida a peça sobre o Freeport mesmo depois do cancelamento do Jornal?
-
Claro que sim, foi um trabalho de investigação que começou antes das férias, que ocupou muito tempo, implicou muito trabalho de confirmação. Tudo o que fizemos até agora não teve um único desmentido. Tudo o que pomos no ar é sempre confirmado por várias fontes, com documentação, por isso nunca corremos o risco de que alguma coisa seja desmentida.

- À luz dos acontecimentos recentes, alguma vez se arrependeu das peças que pôs no ar?
-
Nunca. Nós, jornalistas, trabalhamos para informar sobre a verdade, e tudo aquilo que seja esclarecer as pessoas sobre tal é a nossa função. Não me arrependo disso, só quero que me deixem fazer informação.

- Sente que não estão a deixar?
-
[pausa] A partir do momento em que me tiram do programa, espero que me deixem fazer aquilo de que gosto, seja o que for.

- Acha que se vai conseguir manter na TVI?
-
Tenho de me manter. Tenho de trabalhar, vivo do meu salário e não posso depender de ninguém, pois isso é a pior coisa que há. Portanto, não posso ir para o desemprego e tenho de trabalhar.

- Apesar da solidariedade de alguns colegas, tem sido criticada por outros. Isso incomoda-a?
-
Estou habituada, não me incomoda. Aprendi ao longo da vida a filtrar o que é importante e a respeitar quem devo. Durmo de consciência tranquila, que é algo muito importante, e tenho um respeito enorme pela minha profissão. Faço-o com uma enorme paixão e com um sentido de dever e de garantir que há regras fundamentais que nunca se devem desrespeitar e nunca confundir o que é acessório com o que é fundamental. E há muita gente que o faz. Não confundam estilos, coisas pequenas, com o que é fundamental, que é a independência, o rigor, a seriedade, o não deixar passar em claro coisas fundamentais para a opinião pública.

- Imagino que nesta fase o apoio da sua família seja fundamental...
-
A família é a base.

- Estando eles do seu lado, aguenta tudo mais facilmente?
-
A família é uma coisa, a empresa outra. Não misturo.

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