Reuters Jaycee Dugard com 11 anos, idade que tinha quando foi raptada
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Reuters Continuam as buscas perto da casa de Phillip e Nancy Garrido
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Jaycee Dugard: A história da jovem que foi libertada depois de 18 anos de cativeiro

A jovem americana tinha apenas 11 anos quando foi sequestrada a norte da Califórnia e foi encontrada pela polícia na passada quarta-feira, dia 26.

Andreia Guerreiro
01 Setembro 2009, 16:42
Reuters Jaycee Dugard com 11 anos, idade que tinha quando foi raptada

Passaram 18 anos desde que Jaycee Dugard, agora com 29, foi raptada numa paragem de autocarro perto da sua casa no Lago Tahoe, cerca de 200 quilómetros a nordeste de São Francisco, na Califórnia. Tudo aconteceu a 10 de Junho de 1991, sob o olhar impotente do padrasto, Carl Probyn, que não conseguiu impedir que duas pessoas levassem a criança numa carrinha. Na passada quarta-feira, quando já ninguém acreditava que o seu regresso pudesse acontecer, a jovem foi encotrada pela polícia, na sequência de comportamentos suspeitos do raptor.



Segundo informou o responsável da polícia no Condado de El Dorado, Jaycee Dugard permaneceu durante todos estes anos numa tenda situada no jardim dos raptores, Phillip Garrido, e a mulher, Nancy. Ao longo destes anos, a jovem foi abusada sexualmente e teve duas filhas do raptor, hoje com 15 e 11 anos.



Phillip Garrido, de 58 anos, já tinha sido preso anteriormente por violação e sequestro e integra, inclusivamente, a lista de agressores sexuais do Estado da Califórnia. Desta vez, também a sua mulher, de 54 anos, foi detida pela polícia pelo seu envolvimento neste caso.



Phillip e Nancy Garrido
Phillip e Nancy Garrido
Reuters
Quem já tinha poucas esperanças de rever a filha era a mãe de Jaycee Dugard, Terry Probyn que, quando foi informada, terá afirmado às autoridades: "é como ganhar a lotaria." O padrasto da jovem, Carl Probyn, que não conseguiu evitar o rapto, também já expressou o seu contentamento, bem como a sua preocupação com o estado de saúde da jovem: "Ela parece estar bem. Espero que tenha sido bem tratada durante estes 18 anos". De acordo com a imprensa internacional, mal soube do reaparecimento da filha, Terry viajou desde o sul até ao norte da Califórnia para se encontrarem.



Entretanto, à medida que têm avançado as investigações deste caso, já foram reveladas imagens do local onde Jaycee vivia com as filhas, várias tendas situadas no quintal do casal de raptores, que se encontravam rodeadas por arbustos, de modo a não serem vistas.



Agora as principais questões que se colocam prendem-se com o facto de nunca ninguém ter dado pela presença da jovem e sobretudo desta nunca ter tentado libertar-se, uma vez que, pelo que tem sido avançado, teve diversas oportunidades para o fazer. Aliás, a polícia chegou mesmo a ser informada de que havia movimentações estranhas na casa do raptor e apesar de ter estado no local em duas ocasiões distintas, nunca efectuou uma busca.



Ao que tudo indica, a primeira vez que a polícia esteve em casa dos Garrido foi em 2006, depois de ter sido alertada de que havia crianças no local, o que era suspeito tendo em conta os antecedentes criminais do proprietário, que em 1975 já tinha sido condenado por violação e estava em liberdade condicional. Na altura, o agente esteve a falar com o suspeito, mas sempre na frente da residência, sem verificar o interior ou as traseiras, onde se encontravam Jaycee e as filhas.



Um episódio semelhante voltou a acontecer dois anos depois, mas nada foi encontrado, isto apesar do raptor sair em público com as vítimas em diversas ocasiões. Aliás, neste sentido, o comandante da polícia Warren Rupf já pediu desculpas " por ter perdido a oportunidade de resgatar Jaycee."



Quanto ao facto da jovem nunca ter tentado fugir, é algo que continua sem explicação, uma vez que desempenhava funções de secretariado na gráfica de que Phillip Garrido era proprietário. 'Alyssa', nome pelo qual Jaycee Dugard era conhecida pelos clientes, tinha contacto diário com pessoas via telefone e e-mail, mas nunca terá dado indícios de estar sequestrada.



Continuam as buscas perto da casa de Phillip e Nancy Garrido
Continuam as buscas perto da casa de Phillip e Nancy Garrido
Reuters
Entretanto, o padrasto da jovem, Carl Probyn revelou à cadeia televisiva Sky News que a enteada pode sofrer de síndrome de Estocolmo, um estado psicológico desenvolvido pelas pessoas que são sequestradas e acabam por criar laços afectivos com os raptores. "Nós tivemos a Jaycee connosco durante 11 anos, eles tiveram-na durante 18 anos. Depois de tanto tempo, as pessoas estabelecem uma ligação. Foi provavelmente isso que a manteve viva - o facto de todos se terem ligado emocionalmente. Era quase como uma pequena família", explicou Probyn. "Eles nunca foram à escola, nunca foram ao médico, nem ao dentista. Apenas se abraçam e querem estar umas com as outras. Pode levar meses, senão anos [até terem uma vida normal] ", acrescentou, salientando que Jaycee é uma excelente mãe e que ambas choraram quando o raptor foi preso.



As autoridades policiais norte-americanas continuam a investigar este predador sexual que, suspeita-se, poderá estar ligado ao homicídio de várias prostitutas nos anos 90. Já foram encontrados vários ossos perto da residência de Garrido e estão a ser efectuados testes para saber se pertencem a humanos ou a animais. Além disso, foram também encontrados corpos de mulheres perto da empresa do raptor, pelo que este caso ainda fará correr muita tinta.



Phillip e Nancy Garrido, que já se declararam inocentes perante o tribunal de El Dorado, são por enquanto acusados de 29 crimes, entre os quais rapto e violação.



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