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Joana e Luís Norton de Matos: Um amor feito de sintonia

O treinador do Étoile Lusitana, a mulher, Joana, e a filha de ambos, Maria, vivem em Dacar há um ano e meio. Juntos, têm vivido no Senegal aventuras que jamais esquecerão.

Andreia Guerreiro
14 de agosto de 2009, 11:08

Em Janeiro de 2008, Luís Norton de Matos, de 55 anos, abraçou um novo desafio profissional que o fez mudar de continente. O ex-treinador do Vitória de Setúbal deixou Lisboa e rumou até Dacar, a capital do Senegal, para desenvolver o projecto Étoile Lusitana, um clube que criou de raiz e que visa encontrar jovens talentos africanos que serão depois colocados no grande mercado europeu do futebol. Como não podia deixar de ser, a mulher, Joana, de 35 anos, e a filha, Maria, de 11, quiseram acompanhá-lo nesta aventura, e juntos têm vivido emoções que partilharam com a CARAS durante esta produção realizada no Suites Alba Resort & Spa, no Carvoeiro. Em Portugal ficaram os filhos mais velhos do treinador, Luís, de 34 anos, Bárbara, de 30, Carolina, de 20, e a neta, Luz, de três.

- A mudança para um país de cultura tão diferente não deve ter sido fácil...
Luís Norton de Matos -
Para elas o choque inicial foi superior, pois tudo é diferente, desde a língua aos costumes, à pobreza, à realidade que se vive. Depois uma pessoa habitua-se e as coisas não são tão más como à primeira vista. Costumo dizer que ali enchemos o nosso vazio e esvaziamos o cheio. Ali toma-se atenção a novas coisas e não se dá tanta importância a outras. A Maria aprende coisas que queremos que façam parte da sua educação e que ali se tornam normais, como, por exemplo, a não desperdiçar comida.

Maria, Luís e Joana Norton de Matos
Maria, Luís e Joana Norton de Matos
Natacha Brigham
- A Joana nunca hesitou em ir também?
Joana -
Nem pensar, sempre disse que a minha realização pessoal passa pela minha realização familiar. A estabilidade familiar e da minha relação com o Luís é fundamental para mim. Apesar das novas tecnologias, não acredito em relações à distância, e acho que a pessoa tem de estar presente nas dificuldades e nas coisas boas, e viver o dia-a-dia. Tudo é mais fácil quando as coisas são feitas a dois, neste caso a três. [risos] Também sempre encarei isto pela positiva e como uma oportunidade de tanto eu como a Maria ganharmos novos pontos de vista.


- A Maria foi a vossa principal preocupação?

Luís -
Claro que sim. A maior preocupação era mesmo a escola, mas conseguimos encontrar uma escola fantástica, um colégio americano onde ela tem colegas de diversas nacionalidades. Claro que lhe foi difícil deixar os amigos e a família, mas habituou-se e passou a gostar de lá estar. Até acho que em termos de bagagem cultural ela fica beneficiada, pois ali convive com crianças de todo o mundo, e isso obriga-a a ter uma mente mais aberta e a valorizar mais a sua vida.


- Agora já estão totalmente integrados?
-
Sim. A Maria e a Joana também vêm cá quatro vezes por ano e acabam por estar lá apenas oito meses, eu é que fico mais tempo.


- E consegue ter tempo para estar com a família, visto que além de treinador da equipa é também director-geral e director desportivo, entre outras competências?
- Sim, talvez até tenha mais lá do que cá. Consigo organizar o meu tempo de forma a estar com elas. Tomo as refeições todas em casa, vou levar e buscar a Maria à escola e, normalmente, devido ao calor, passo a tarde em casa. Se calhar trabalho mais lá do que cá num clube, pois tenho mais afazeres, mas consigo ter uma vida familiar bastante normal.


- Sente que o seu sucesso também se deve à Joana?
-
Não tenho dúvidas. A Joana tem sido uma heroína na forma como encara o meu trabalho e as mudanças que dele advêm. O ser humano adapta-se a viver em qualquer lado, mas é claro que há locais mais difíceis do que outros. Quando se vive num país com características do continente africano, e embora haja pessoas que gostam de estar sozinhas, eu preciso de ter a família, pois já basta a ausência de muitas das coisas a que estamos habituados, como o cinema. O apoio da família dá-me força para encarar tudo com naturalidade. A família é o sustentáculo de tudo, sobretudo quando tenho os meus filhos mais velhos e a minha neta em Portugal.

Joana -
Apesar de fazer voluntariado e de criar algumas peças de roupa, por brincadeira, visto que lá há tecidos lindíssimos, não trabalho, e isso também nos permite passarmos mais tempo juntos. Este ano foi muito bom, pois como não há muitas solicitações, estamos muito em família e estreitámos muito os laços.


Joana e Luís Norton de Matos
Joana e Luís Norton de Matos
Natacha Brigham
- Já partilham a vida há 16 anos. Como tem sido?

Luís -
Com a Joana é muito fácil. Este é o meu terceiro casamento e, quando se parte para uma relação, achamos sempre que vai dar certo. Se isso não acontece, as pessoas ficam tristes. Mas, neste caso, é engraçado, porque encontrei uma pessoa como a Joana que me completa. Há um equilíbrio e uma amizade muito grande entre nós. Estes 16 anos que temos juntos passaram no arder de um fósforo. A Joana trouxe-me a sua juventude, maturidade, condescendência e eu tornei-me uma pessoa mais humana, menos egoísta.

Joana -
Têm sido anos fantásticos, de muita cumplicidade, tolerância, participação activa na vida um do outro e sempre com grande paixão e amor. Têm sido anos tão ricos que às vezes até temos medo que alguma coisa aconteça e acabem. Somos um pouco a palma e o reverso da mão, quase como se fôssemos o mesmo corpo.


- O Luís é romântico?
Luís -
Acho que há um romantismo em todas as pessoas que se manifesta de formas diferentes. Provavelmente haverá pessoas mais românticas do que eu, mas naquilo que é a essência do romantismo, ela existe. Não sou muito de ligar a datas, mas gosto muito de fazer surpresas.

Joana -
Já me habituei ao facto do Luís não ligar a datas, mas também não temos necessidade que assim seja, pois cuidamos muito da relação o ano inteiro. Para nós, todos os dias são muito bons.


- Faz parte dos vossos planos terem mais filhos?
-
Eu gostava, mas ser mãe limita-nos um pouco em termos de disponibilidade e quero aproveitar os próximos 15, 20 anos, bons do Luís. [risos] Também já temos uma casa cheia, não há necessidade de mais uma criança. Mas o futuro a Deus pertence...

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