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Maria João Bustorff: "Sou uma mulher de causas, certamente acabarei assim"

A presidente da Espírito Santo Cultura associou-se à campanha de prevenção da osteoporose.

Melissa Tavanez
27 de julho de 2009, 17:09

Aposentada desde há alguns meses da Função Pública, nomeadamente do quadro técnico do Ministério da Educação, Maria João Bustorff continua a ser uma mulher activa e, mais, uma mulher de causas. A começar pela sua paixão pelos temas culturais, sem esquecer as iniciativas de solidariedade ou de sensibilização para problemas que atingem a sociedade portuguesa.
Recentemente, a presidente da Espírito Santo Cultura associou-se à campanha A Vida É Feita de Escolhas e tentou chamar a atenção para um problema de saúde que atinge meio milhão de portugueses, na sua esmagadora maioria mulheres. Aos 58 anos, a ex-ministra da Cultura confessa, com um sorriso, que está aposentada para "poder trabalhar mais".

- Que razões a levaram a associar-se a esta campanha?
Maria João Bustorff - Participar e ajudar era a única resposta possível, uma vez que, segundo os dados mais recentes, o problema da osteoporose atinge 500 mil pessoas em Portugal, a maioria das quais mulheres e, tanto quanto se sabe, apenas 200 mil estão a fazer os tratamentos indicados para esta doença. Ou seja, uma campanha como esta é importantíssima para sensibilizar as pessoas, levando-as a ter consciência de que é possível prevenir a osteoporose.

- É comum as figuras públicas associarem-se a campanhas de sensibilização ou causas solidárias por uma relação de proximidade pessoal ou por padecerem dessa mesma doença. É o seu caso?
- Ainda não sofro de osteoporose, mas sofro de osteopenia, que surge um degrau abaixo. Na verdade, faço tratamentos há vários anos, consequência de uma queda há 15 anos. Ao suspeitar-se de uma fractura no braço, acabou por se concluir que tinha uma descalcificação óssea grande. Aconselhada pelo meu médico, comecei a prevenir a osteoporose. Para além das dores, a descalcificação óssea aumenta o risco de fracturas, e algumas podem ser graves. Insisto, por isso, para que todas as mulheres visitem regularmente o seu ginecologista e que façam os exames e os tratamentos de prevenção.

A presidente da Espírito Santo Cultura
A presidente da Espírito Santo Cultura
João Lima

- Essa situação obrigou-a a mudar os seus hábitos e o estilo de vida?
- Comecei a tomar cálcio e vitamina D e a fazer desporto de uma forma mais disciplinada e sistemática. Actualmente, tento fazer ginástica e caminhadas todos os dias. Vou duas vezes por ano ao ginecologista, faço uma densitometria óssea por ano e trato-me com bifosfonatos, de acordo com a prescrição médica.

- Por outras palavras, apesar de tudo, hoje tem uma maior qualidade de vida...
- Sim, e se me conseguir manter assim, tanto melhor. Com a consciência de que vamos envelhecendo, o que se pode fazer é cuidar o melhor possível de nós, da nossa alimentação e estilo de vida e não esquecer o ginecologista.

- É oficialmente, e desde muito recentemente, aposentada da Função Pública. A reforma é sinónimo de menor actividade?
- Estou aposentada para poder trabalhar mais. [risos] Neste momento estou dedicada à Espírito Santo Cultura, que é uma associação cultural sem fins lucrativos, com sede no Rio de Janeiro, à qual presido. Estamos a desenvolver novos projectos e estou muito entusiasmada. Muito francamente, enquanto tiver saúde e cabeça, não me vejo sem trabalhar.

Maria João Bustorff
Maria João Bustorff
João Lima

- Mas a aposentação não deveria servir para cumprir alguns daqueles sonhos que não teve oportunidade de concretizar?
- É isso que estou a fazer. E os meus mais de 30 anos a servir o meu país também foram feitos de sonhos sonhados e concretizados.

- Os filhos e os netos são também um sonho concretizado?
- Os meus filhos são o melhor que fiz na vida. E os meus dois netos [filhos do meu filho António] são uma fonte de alegria e encantamento indizíveis. Considero todos uma dádiva de Deus e agradeço-a todos os dias.

- Citando o lema da campanha da osteoporose, A Vida É Feita de Escolhas. Arrepende-se de alguma que tenha feito?
- Não. Francamente, não. Por vezes, arrependo-me ou lamento não ter podido fazer algumas coisas. Mas as escolhas às vezes não são fáceis, por serem dilemas: alguma coisa que nos interessa, entusiasma e envolve terá que ser abandonada. Às vezes consegue-se o milagre de escolher tudo, mas é raro e nem sempre inteligente ou adequado.

- A cultura é a sua grande causa? Ou é uma mulher de causas?
- Sou e fui sempre uma mulher de causas, certamente acabarei assim.

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