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Por amor, Joana Fernandes Homem de Mello trocou a cidade pelo campo

Maria do Carmo e Matilde, filhas de Joana e Miguel de Mello, são duas crianças felizes e perfeitamente habituadas à vida no campo.

Melissa Tavanez
23 de julho de 2009, 14:56

Quando aceitou o pedido de casamento do empresário e agricultor Miguel da Cunha Mello, de 45 anos, Joana Fernandes Homem, de 33, educadora de infância, sabia que tinha de trocar o bairro da Lapa, em Lisboa, onde vivia, pelo campo. Foi uma decisão que tomou sem pensar muito, "caso contrário não teria aceite", confessa, de sorriso aberto. Do casamento nasceram já duas meninas, Maria do Carmo, de quatro anos, e Matilde do Carmo, de dois, e o casal está à espera do terceiro filho. "Espero que seja um rapaz, senão ainda vamos ao quarto filho", diz Miguel. Depois de ter estudado na Escola Agrícola da Paiã e de ter frequentado Agronomia em Santarém, Miguel, o quarto dos seis filhos de António Vasco de Mello, conde de Sabugosa, acabou por se especializar em gestão de herdades, em Inglaterra, razão pela qual está à frente do turismo rural da Herdade das Almotolias, e ainda da Herdade do Vale da Lama, propriedades da família.

- Quando é que sentiu o apelo da terra?
Miguel da Cunha Mello -
Sempre gostei de agricultura. E desde pequenino que sou alérgico à praia. O meu pai era velejador, fazia regatas, e eu nunca ia com ele. Costumo dizer que o mar é para os peixes, o ar para as aves e a terra para nós.

- Qual é o maior prazer que tira deste trabalho?
-
O sossego. E não ter que dar muitas satisfações a ninguém. Vou consultando algumas pessoas, mas a última decisão é sempre minha. Se bem que, na verdade, isto nem é tão tranquilo como pode parecer, porque no Inverno há muitos roubos e no Verão é terrível por causa dos fogos. Nessa altura levanto-me às 5h30, vou para o campo, depois tenho uma pausa para almoço das 11h às 15h e depois fico até à meia-noite, por causa dos fogos.

- É preciso ter uma mulher muito compreensiva...
-
Elogio muito a minha mulher, porque, apesar de sempre ter vivido em Lisboa - embora tenha também propriedades em Évora -, aceitou vir para aqui. Tive sorte em arranjar alguém que me apoia. A Joana ajuda-me bastante, às vezes até mais do que eu gosto. [risos] Ela arranjou todo o nosso jardim, eu só trato das regas

- Trocar Lisboa por Almeirim foi uma prova de amor?
Joana -
Foi por amor e sem pensar muito! Sempre gostei de campo e quando o Miguel, já estávamos noivos, me disse: 'Vamos viver para o campo', eu disse: 'Vamos embora ver o que é que dá.' E entretanto já tive muito tempo para me ambientar ao dia-a-dia do campo, já estamos casados há oito anos.

A família na Herdade das Almotolias, no Ribatejo
A família na Herdade das Almotolias, no Ribatejo
António Bernardo
- Apesar de tudo, teve a sorte de arranjar emprego aqui...
-
Sim, trabalho em Almeirim e só ao fim do dia é que venho para o campo.


- Que gestão emocional é que faz para aguentar as ausências do seu marido, que passa tantas horas no campo?
-
Não é fácil. Às vezes temos de ter alguma calma para gerir esse tempo. Quando chego a casa, tento ao máximo estar com as minhas filhas, e quanto ao tempo que dedico à agricultura, também já as habituei a cavar e a arrancar ervas.


- Acha que este é o ambiente ideal para elas crescerem?
-
Tenho a certeza que sim. É óptimo chegar a casa e poder dizer-lhes que podem ir lá para fora brincar. Acho que é uma qualidade de vida que muitas pessoas gostavam de ter e que eu, graças a Deus, tenho. As minhas filhas não têm tecnologia de género algum. Mesmo a televisão, só podem ver um bocadinho por dia.


- Saiu da vida cosmopolita de Lisboa, onde tinha acesso a lojas, actividades culturais, saídas à noite... Como é a sua vida aqui?
-
Aqui tudo isso acabou. O primeiro ano foi o mais difícil, porque estava acabadinha de casar e vinha habituada a uma vida diferente. Então, dediquei-me a fazer pinturas decorativas nas paredes de casa, e todos os fins-de-semana ia a Lisboa, mas depois as crianças nasceram, começámos a ficar mais por cá e adaptei-me. Houve momentos de angústia, principalmente no primeiro ano. Lembro-me que contava os dias para o fim-de-semana para ir a Lisboa. Valeu-me ter muitas vezes a visita da família. Mas depois pensei que era esta a vida que queria fazer e que era aqui que queria ficar.


- Esta é a vida com que sonhava?
-
Deixei que a vida acontecesse. Nunca pensei que viria para aqui e vim... Quanto aos filhos, logo se vê, embora sempre tenha pensado que ia ter muitos.

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