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Ana Lourenço em produção para a CARAS

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João Lima

Ana Lourenço: "Foi para ser feliz que me dei ao trabalho de me divorciar"

Depois de uma relação de 19 anos, a jornalista teve de reorganizar toda a sua vida e a da filha, Joana.

Andreia Guerreiro
14 de julho de 2009, 11:02

Jornalista, pivô da Edição da Noite e apresentadora do Dia D, ambos na SIC Notícias, Ana Lourenço celebrou 37 anos no passado dia 20 de Junho. Uma data que marcou o virar de página de um ano difícil, para não dizer o mais complicado da sua vida: depois de uma relação de 19 anos - 14 dos quais casada -, a jornalista divorciou-se, o pai foi submetido a um transplante de rim, e ainda viu o seu nome na capa de várias publicações sugerindo um romance com o colega Ricardo Costa.
Hoje, passado o 'tsunami', como a própria classifica, Ana Lourenço assume-se renovada e mais forte, apostada em ser feliz com a filha, Joana, de 12 anos, e, quem sabe, "ao virar da esquina encontrar o que [lhe] falta".

- Sempre foi muito discreta em relação à sua vida privada. Dar esta entrevista, depois do seu divórcio, significa que estamos perante uma nova Ana Lourenço?
Ana Lourenço -
Estou a viver uma fase completamente nova. É inevitável falar do divórcio porque se percebeu, publicamente, que tinha acontecido. Quando se parte para um casamento, parte-se para um projecto de vida e para a vida. Foi assim que encarei o meu casamento e, quando as coisas não correm como nós queremos, toda a nossa vida fica em causa e nós próprios ficamos em causa. Existiu, nesse momento, um balanço enorme que foi preciso fazer e decidir se a vida deveria continuar naqueles moldes ou se era possível viver uma diferente, mais fácil, mais inteligente e mais bonita. Foi esse o trabalho que fiz, grande parte ainda dentro do casamento, até chegar aqui. Sinto que cresci muito. Acho que consegui fazer uma mudança inteligente na minha vida. Hoje as coisas estão arrumadas, o 'tsunami' passou e podemos conversar...

- É uma mulher mais forte?
-
Sem dúvida, muito mais forte. Quando, de repente, uma vida deixa de ser a três e ficamos duas, eu e a Joana, o nível de responsabilidade é muito maior, porque ao meu lado está uma pessoa que tenho de ajudar a crescer estruturada e forte. Nesse momento, olhei para mim e percebi que era a única responsável pela casa, pelo carro, pelo emprego, pela minha filha e perguntei-me se seria capaz. A verdade é que estou a ser, e de uma forma muito tranquila, desatando muitos nós que tinha para desatar e reerguendo-me. Percebo que ganhei sentido prático e consegui criar uma distinção para o que acontece na minha vida. Uma pessoa de família doente é um problema; contas por pagar ou desentendimentos são apenas assuntos. Acho que exigi de mais de mim própria durante muitos anos e sem perceber muito bem porquê. Sinto-me muito bem por ter conseguido calibrar estas situações, por isso digo que estou emocionalmente muito mais inteligente do que há um ano.

- O facto de trabalhar na Edição da Noite há já sete anos contribuiu para o fim do seu casamento?
-
Os horários são uma bela desculpa para aquilo que não conseguimos pôr a correr bem na nossa vida. São uma desculpa para que os problemas perdurem no tempo. Obviamente que gostava de estar em casa com a minha filha. Desse ponto de vista, o horário é péssimo, mas nas relações, como na educação dos filhos, o tempo de qualidade é o mais importante. Se tivermos que ser felizes, também o podemos ser em pouco tempo.

- Como tem sido esta nova vida, apenas com a sua filha?
-
Aprende­mos a partilhar muitas das tarefas e responsabilidades que antes eram, pelo horário, assumidas pelo meu ex-marido, como ir buscar a Joana à escola e dar-lhe o jantar. É uma casa de mulheres, uma república feminina, garantidamente muito divertida e muito bem habitada.

- Tão bem habitada que exclui a possibilidade de refazer a sua vida ao lado de outra pessoa?
-
Obviamente que, quando acabamos uma relação, é na perspectiva de se ser mais feliz do que se era nessa relação. Saí do meu casamento, onde entrei muito nova, com muita coisa para estruturar na minha cabeça. Grande parte do meu crescimento, que se fez ancorado num outro adulto, precisou de ser reavaliado e reestruturado baseado apenas em mim. As peças estão, agora, muito bem encaixadas. Foi para ser feliz que me dei ao trabalho de me divorciar. É isso que mais quero: ser feliz com a minha filha. Só quero continuar o meu caminho e, um dia destes, virar a esquina e encontrar o que me falta.

- Desde a sua separação têm sido noticiados envolvimentos amorosos, nomeadamente com Ricardo Costa. Como se sente ao ser objecto deste tipo de notícias?
- Revolta-me um pouco as entranhas chamar notícia a esse tipo de coisas que se escrevem. Revolta-me ainda mais ter que condicionar a minha vida e não ir a determinado local com os meus amigos por estarem lá fotógrafos. Não tenho nada a esconder, mas a verdade é que também ninguém tem nada que ver com a minha vida. A situação com o Ricardo Costa é de chorar a rir. Sou amiga do Ricardo, poderíamos ter jantado ou saído à noite milhares de vezes, mas a verdade é que isso nunca aconteceu. Por isso, volto a dizer, o que escreveram sobre mim e o Ricardo não tem qualquer fundo de verdade.

- Com a apresentação da Edição da Noite e do Dia D, sente-se realizada profissionalmente?
-
Apesar da crise que também está a afectar a SIC, consigo sentir-me muito compensada com a minha carreira. Por vezes penso que talvez me falte alguma energia após sete anos no mesmo horário, mas olho à volta e sinto que não existe maior desafio intelectual do que aquilo que estou a fazer. O Dia D continua a ser um espaço para o qual direcciono grande parte do meu esforço. É o meu projecto e um espaço onde posso ter um maior crescimento. Sei que tenho ainda muito para melhorar, mas, neste momento, não há nada que me apeteça mais do que aquilo que estou a fazer.

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