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Kirsty Gusmão: "Tem sido duro criar os meus filhos sozinha"

A mulher de Xanana Gusmão está em Portugal para estabelecer contactos úteis a Timor-Leste

Melissa Tavanez
10 de julho de 2009, 10:30

Kirsty Sword Gusmão é de uma calma, modéstia e temperança inigualáveis. Qualidades que terá desenvolvido durante os tempos turbulentos que teve de passar ao lado do marido, Xanana Gusmão, primeiro-ministro de Timor-Leste, personalidade que os portugueses bem conhecem pelo papel que sempre desempenhou na luta pela independência do seu pequeno país.
Mãe de três rapazes, Alexandre, de oito anos, Kayolok, de seis, e Daniel, de quatro, a australiana Kirsty Gusmão está em Portugal com a mãe e os filhos para fazer contactos com vista ao melhoramento da vida dos timorenses, principalmente daqueles que a instituição a que preside - Fundação Alola, uma organização não-governamental que fundou em 2001 e que tem por objectivo primordial extinguir "a extrema vulnerabilidade das mulheres da nossa pequena nação", como explicou - ajuda. Para além de ter vindo chamar a atenção para a necessidade de um reforço de professores de Português no seu país, Kirsty Gusmão quis ainda agradecer pessoalmente aos militares da GNR que a 11 de Fevereiro de 2008 a salvaram da morte, a ela, ao marido e aos filhos, no dia da tentativa do assassinato de Xanana Gusmão e de Ramos Horta.
Durante a visita de 15 dias ao nosso país, que termina a 6 de Julho, Kirsty Gusmão esteve na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa a apresentar a sua fundação e ainda um livro do marido. Depois de falar perante uma plateia de timorenses radicados em Portugal, e de amigos da causa daquele povo - entre eles Maria José Ritta, Luís Represas e Margarida Pinto Correia -, conversou com a CARAS e explicou que lembra sempre aos filhos "que para além da Austrália, eles têm outra segunda casa, que é Portugal", acrescentando: "Por isso estou muito feliz de poder apresentar os meus filhos a este país."Sobre o marido, um verdadeiro herói para o seu povo, Kirsty explicou: "É um homem com defeitos, nenhum líder é perfeito, mas aprecio o papel absolutamente fundamental que tem tido ao longo dos anos e que continua a exercer. Algo que sempre soube fazer foi colocar os interesses superiores do povo acima de tudo." Nomeadamen­te acima do relacionamento de mais de dez anos com a australiana. Sem dramatizar, Kirsty não escondeu que tem sido difícil educar os filhos sem a presença constante do pai. "Quando me casei sabia, e aceitei, que ele seria sempre em primeiro lugar o pai da nação e depois o pai dos meus filhos. Para mim, tem sido muito duro criar os filhos sozinha." Os três rapazes nasceram em Timor e é lá que vivem, embora viajem muito frequentemente para a Austrália. Por essa razão, Kirsty diz que "é importante que eles tenham sentido de responsabilidade, de respeito pela História, pela luta de Timor-Leste. Claro que ainda são pequenos e não compreendem muito bem o papel que o pai teve, mas são interessados pelas histórias que o pai conta".
Tal como no início, continua a ser "o grande comprometimento com o país e o seu futuro que continua a unir-nos. Tem sido muito difícil, mas é o amor que ambos temos pela nossa pátria que nos dá força e inspiração para continuarmos", afirmou timidamente Kirsty Gusmão, que fez questão de dizer que Timor-Leste vive em paz, de tal modo que dispensou a sua segurança pessoal.

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