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Vicky Fernandes em produção para a CARAS

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João Lima

Vicky Fernandes: "Saber envelhecer com elegância é uma arte, mas também um sinal de inteligência"

A vencedora da eleição de elegância da CARAS fala sobre o casamento, a aparência e a vida depois dos 40

Andreia Guerreiro
7 de julho de 2009, 15:23

Nasceu em Lisboa, mas as suas recordações da infância estão ligadas a Beja, onde viveu até aos dez anos. Vicky Fernandes, que nessa época sonhava ser bailarina, diz que era o "patinho feio da família" e pouco vaidosa. No entanto, era muito atenta ao universo feminino e, sempre que podia, experimentava os sapatos, as jóias e a maquilhagem da sua mãe. Tornou-se uma adolescente introvertida, tímida e insegura que não queria dar nas vistas nem prestava grande atenção à aparência, mas, ironia do destino, acabou por se tornar um exemplo de beleza, tendo vencido diversas vezes as eleições de elegância que a CARAS tem promovido. Este ano voltou a ocupar o primeiro lugar, um pretexto para esta conversa, onde a empresária e autora do livro Saber Estar, de 49 anos, falou não apenas de moda, mas também da suposta crise no seu casamento, com o empresário João Fernandes. Vicky recorda ainda o nascimento do filho, Manuel Maria, de 21 anos, fruto do seu anterior casamento. Nesta entrevista, demos ainda a palavra a João Fernandes, que prefere observar a ser observado, pelo que ficou por detrás da câmara fotográfica.

- O seu primeiro casamento não foi bem sucedido. Acha que foi uma decisão precipitada?
Vicky Fernandes -
Não. Casei-me com vinte e pouco anos, após um longo namoro, e com essa idade nem questionamos essa possibilidade.

- Dessa relação nasceu o Manuel. Estava preparada para ser mãe?
- Já estava casada há vários anos, tinha plena maturidade, foi muito planeado.

- Com um filho e sonhando com o casamento para a vida inteira, decepcionou-se quando isso não aconteceu?
-
Não me decepcionei. Aconteceu. Foi um processo civilizado, continuamos amigos.

- A prova é que voltou a casar-se. Com o João foi amor à primeira vista?
- Sim, gostei imediatamente do sentido de humor do João, da sua enorme perseverança, aliás, foi a sua grande insistência que me levou ao casamento.

- O João sentiu o mesmo?
João Fernandes -
Desde o momento em que conheci a minha mulher, senti que ela ia ter um lugar especial na minha vida, o que, com o passar dos anos e o evoluir do nosso casamento, tem vindo a ganhar cada vez mais força.

- Que balanço fazem do vosso casamento?
Vicky - Muito positivo. Continuamos apaixonados e até hoje nunca me arrependi de ter escolhido o João como companheiro de vida.
João - Do mesmo modo que a Vicky esteve sempre a meu lado nas minhas decisões pessoais e profissionais, também eu sempre fiz questão, com bastante orgulho, de a acompanhar e apoiar nas suas decisões e opções. Admiro-a muito.

- Recentemente, foram publicadas notícias de que a relação estaria em crise...
Vicky - O nosso casamento continua como até aqui, muito sólido. Divórcio é uma palavra que nunca passou pela nossa cabeça. Os boatos não passam disso mesmo, são lançados por pessoas sem inteligência, e não perco um minuto a pensar nisso.

- Os boatos podem ser o reverso da medalha de se ser uma figura pública. Lamenta aparecer nas revistas?
-
Não. Comecei a aparecer de uma forma tão lenta e tão gradual que nem me apercebi do mediatismo. Naquela altura as coisas não tinham a rapidez que têm hoje.

- Receber, aos 49 anos, o 'título' de mais elegante atribuído pelos nossos leitores não é para qualquer mulher...
- Sempre procurei não sobrevalorizar esse apreciado título, se bem que tenha sido bastante reconfortante para o meu ego. Encaro-o como um elogio à minha forma de estar. Sinceramente, este ano o prémio deu-me particular satisfação, talvez devido à quantidade de pessoas que votaram em mim. Vou aproveitar e pedir que para o ano me coloquem como júri. [risos]

- Ser-se elegante passa por 'saber estar'?
- Claro que sim. Para mim, a elegância é, antes de mais, uma questão de atitude. Mede-se nas palavras, nos gestos, nos comportamentos e reacções, na atitude revelada em diferentes cenários, mas, sobretudo, nas situações privadas, aquelas em que ninguém nos está a observar. A elegância não significa ter roupa de marca, nem dinheiro, tem sobretudo que ver com a personalidade. É uma questão de individualidade, atitude, simplicidade, discrição, auto-estima. Não se nasce elegante, aprende-se, vai-se assimilando. Uma pessoa elegante é notada ao entrar numa sala, mas não faz nada para isso. Marca a diferença porque gosta de si própria, respira confiança.

- Já fez alguma cirurgia estética?

- Nunca fiz uma cirurgia plástica, nem sequer lipoaspirações. Não sou contra, conheço alguns casos de sucesso, mas até agora não senti essa necessidade. Sou muito céptica em relação aos processos invasivos, correm-se, a meu ver, muitos riscos, e o resultado pode ser desastroso. Não se pode ter 60 anos e querer aparentar 30.

- Lida bem com o seu corpo?
- É fundamental sentirmo-nos bem com o nosso corpo e cuidarmos dele, mas não nos devemos deixar aprisionar pelos ditames exteriores. Não existem receitas secretas para a eterna juventude. Coco Chanel dizia que aos 30 temos o nosso rosto, a partir dos 50 temos o rosto que merecemos. [risos]

- Acha que hoje em dia se dá demasiada importância à aparência?
- Goste-se ou não, esta é uma questão crucial dos dias de hoje. Em sociedades globais, tão voltadas para o imediatismo, o aspecto passou a ser quase tão importante como o talento ou até a capacidade intelectual. Não foi por acaso que escrevi um livro que versa sobre este tema. Somos constantemente avaliados pela nossa imagem, que é hoje uma absoluta prioridade para quase todas a áreas profissionais. Mas é também muito importante encontrarmos quem somos, resgatar a mulher que deixámos de ser ou que ainda não conseguimos ser.

- Como alimenta a sua auto-estima?
- A vida começa e acaba em nós, a vida não é um miradouro panorâmico, mas um caminho, temos que ser nós a fazer e a acreditar. As mulheres com auto-estima marcam a diferença, parecem estar sempre bem, sem esforço e sem dúvidas, não se limitando às tendências, mas reinventando-as. É o caso de ícones como Audrey Hepburn, Jackie O, Grace Kelly, Kate Moss ou Tilda Swinton.

- O passar dos anos assusta-a?
-
Uma mulher deve ter consciência e orgulho da sua idade, saber envelhecer com elegância é uma arte, mas também sinal de inteligência. O processo de envelhecimento é natural. Se o puder retardar, tanto melhor, mas não sinto necessidade de tentar revertê-lo com medidas drásticas. Quanto mais envelhece, mais uma mulher deve depurar e fortalecer o seu estilo. Carácter, imaginação e positivismo são essenciais.

- Em que fase da sua vida está?
- Estou numa fase consistente, há coisas que vamos aprendendo ao longo da vida, uma delas é a gostar de nós, os 40 dão-nos confiança A partir desta idade temos luz própria, sentimo-nos mulheres mais sofisticadas, mais sábias e charmosas.

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