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A actuação de Salvador Taborda rendeu a plateia

A actuação de Salvador Taborda rendeu a plateia

Salvador Colaço

Salvador Taborda mimado pelos sobrinhos e pela mulher, Caetana

"Acho que o fado não tem de ser só triste." (Salvador)

Andreia Guerreiro
12 de junho de 2009, 10:00

Fado e touros desde há muito convivem bem, e isso ficou mais uma vez provado no Salão Nobre do Campo Pequeno, que testemunhou um momento que poucas vezes acontece: o galerista Salvador Taborda a cantar fado ao vivo. Foi no lançamento do seu novo disco, A Cor do Fado, o quarto de uma carreira que vai pouco além dos registos, porque, como Salvador confessou à CARAS, "não gosto nada de cantar em público, não me sinto à vontade".

Talvez por isso, uma hora antes do começo da actuação, o cantor dizia-nos, a rir: "Nem sei se vem alguém. Se não vier a família, não sei quem vem, se calhar só vocês!" Mas, afinal, foram tantos os amigos e os familiares - do lado Taborda e do lado Beirão da Veiga, o apelido de Caetana, a mulher do fadista - que quiseram ouvir em primeira mão alguns dos temas do novo CD, que a sala quase rebentava. Entre os mais atentos ouvintes contavam-se os muitos sobrinhos de Salvador e Caetana, que não têm filhos e, por isso, se "vingam" a mimar os filhos dos irmãos.

Razões não faltaram, como se vê, para Salvador Taborda estar feliz neste fim-de-tarde a que não faltou calor humano e, claro, bom fado. "Acho que os fadistas melhoram com a idade e eu espero que o mesmo tenha acontecido comigo", confidenciou, assumindo que considera este disco (em que gravou vários estilos, desde Martinho da Vila até Alfredo Marceneiro, passando por temas novos) o melhor que já fez.

Quanto ao facto do título do CD fazer a ponte entre as suas duas actividades, o galerista/fadista esclarece: "Adoro cor. Todos estes fados têm que ver com cor e a capa também é com um fundo do pintor Paulo Ossião. Acho que o fado não tem que ser só triste."

Nascido no seio de uma família tradicional que nada tinha que ver com fado, Salvador apaixonou-se pelo género aos dez anos, ao ouvir o disco Com Que Voz, de Amália Rodrigues. E, apesar de ter tido uma educação baseada na disciplina, já que aos 12 anos foi para um colégio interno em Londres e depois tirou um curso de Letras numa universidade britânica, diz que não é conservador. E frisa que isso se sente no som e balanço que quis imprimir a este disco, tocado por músicos "todos na casa dos 20": Bernardo Romão, Francisco Gaspar e João Maria Veiga. "Não sou nada purista. Acho que o fado se sente e que não há regras. Há quem diga que não devia ser acompanhado por contrabaixo ou piano, mas não sou nada dessa opinião se preservarmos a essência do fado."

Vencida "a preguiça" de uma década sem gravar, falta agora que Salvador se decida a enfrentar novas plateias ao vivo.

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