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Lília e Luís Rouxinol com os filhos de ambos, Luís André e Simão

Lília e Luís Rouxinol com os filhos de ambos, Luís André e Simão

Mike Sergeant

Luís Rouxinol: preparativos para a tourada da CARAS com o apoio da família

O toureiro e a família receberam a CARAS na sua casa, em Faias, para uma conversa franca e descontraída

Andreia Guerreiro
4 de junho de 2009, 13:34

Já perdeu a conta às touradas da CARAS em que participou, mas ainda assim garante que consegue sentir um sabor especial em cada uma delas. Cavaleiro profissional há 22 anos, Luís Rouxinol nunca sonhou com outra profissão e teve a sorte de encontrar uma mulher que aceitasse o seu modo de vida. Lília, com quem é casado há 14 anos, e de quem tem dois filhos, Luís André, de 12 anos, e Simão, de seis meses, diz já estar habituada à vida do marido, mas que ainda assim fica com o coração nas mãos sempre que Luís entra numa arena.

- Aproxima-se mais uma tourada CARAS. O que é que estas corridas têm de diferente das outras em que participa?
Luís Rouxinol -
Todas as corridas são importantes, mas esta tem um sabor especial, principalmente por ser no Campo Pequeno, a praça mais importante que temos no nosso país onde todos os artistas querem triunfar, e depois por ser da CARAS, a melhor revista do género. E é uma corrida em que está sempre muita gente a assistir, o que é uma motivação para qualquer artista. Irei dar o meu melhor.

- Há quantos anos toureia?
- A primeira vez que actuei numa praça tinha oito anos, mas foi com nove que me estreei mais a sério, numa garraiada no Campo Pequeno. Já lá vão uns aninhos... Mas como cavaleiro profissional, já passaram 22 anos desde que fiz a alternativa em Santarém, em 1987.

- Com muitos sustos pelo caminho?- Sempre, mas isso faz parte. Por entre triunfos há, também, alguns fracassos, mas, de um modo geral, as coisas têm-me corrido bastante bem. Nos últimos anos, tenho sido sempre o cavaleiro que tem feito mais corridas no nosso país, talvez tenha sido também dos cavaleiros com mais troféus conquistados... Espero dar continuidade, durante mais algum tempo, à minha carreira, não muito, mas algum.

- Quando pensa parar?- Enquanto sentir que o público me aceita e eu me sentir bem física e psicologicamente, e consiga corresponder à minha maneira de tourear, vou continuar. Assim que veja que isso não acontece, serei o primeiro a retirar-me.

- A Lília nunca lhe pediu para deixar o toureio?- Não, apesar de não ser uma vida fácil. As corridas são sempre no Verão, passo muito tempo fora de casa, fins-de-semana fora... De Março a Setembro ando sempre de um lado para o outro. Mas quando a Lília se casou comigo já sabia qual era a minha profissão e sempre a aceitou e me apoiou.
Lília - Desde o início que sabia que ia ser assim, mas não deixa de ser complicado. Chego a estar 15 dias sem ver o Luís. Mas compreendo e aceito. Com o Luís André é que é mais complicado. Ele queixa-se muito com saudades do pai.

- Ainda assim, consegue ser um marido e pai presente?Luís - Sim, tento ser o mais possível. Tenho os cavalos aqui perto de casa, normalmente saio de manhã, venho almoçar e, ao fim da tarde, já estou de regresso.

- Apesar da experiência, a Lília ainda fica com o coração nas mãos cada vez que o Luís pisa uma arena?
Lília -
À medida que os anos vão passando, acho que consigo controlar cada vez menos, mas tenho sempre o meu filho a repreender-me, pois diz-me que o pai supera os problemas todos e que é o maior. É o ídolo dele.

- Suponho então que o filho vá seguir as pisadas do pai...

- Espero bem que não, já chega um toureiro na família!

Luís -
Eu gostava. Se ele tiver jeito e vontade, que já demonstra ter, dar-lhe-ei todo o apoio. Mas em primeiro lugar está a escola.

Lília -
Obviamente que também o vou apoiar se ele assim o decidir, mas se pudesse escolher... É a preocupação de mãe a falar, sofre-se muito deste lado.

Luís -
Nas últimas férias, ele acompanhou-me e montou quase todos os dias e teve uma evolução muito positiva. Ele diz que se quer estrear esta temporada, em Setembro. Vamos ver. Mas como disse, primeiro está a escola. Eu arrependo-me de não ter estudado mais, gostaria de ter conciliado as duas coisas tirando um curso.


- É uma profissão de risco...
-
Em tudo na vida se corre risco, mas, sim, tenho consciência de que há alguns riscos inerentes a esta profissão, já têm acontecido acidentes graves...


- E ter um filho toureiro não o preocupa?

- Penso nisso e vejo que os meus colegas sofrem mais ao ver um filho na arena do que quando eles próprios andavam a tourear.

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