Nas Bancas

Fernando Gouveia e Bibá Pitta, no Monte Velho Nature Resort, na Carrapateira

Fernando Gouveia e Bibá Pitta, no Monte Velho Nature Resort, na Carrapateira

Mike Sergeant

Bibá Pitta e Fernando Gouveia: Uma família unida por laços de amizade e compreensão

A relações-públicas e o médico passaram um fim-de-semana descontraído com os filhos no Algarve

Andreia Guerreiro
2 de junho de 2009, 11:49

O entendimento e a cumplicidade entre Bibá Pitta, de 43 anos, e Fernando Gouveia, de 40, torna evidente que continuam apaixonados como no primeiro dia e vivem um namoro quase constante. Juntos há 14 anos, o seu amor é também consolidado pelos filhos, Maria, de 16 anos, Tomás, de 15, Madalena, de 11, Salvador, de dez, e Dinis, de dois anos e meio.
Foi durante um fim-de-semana no Monte Velho, na Carrapateira, a convite da CARAS, que os dois falaram sobre o forte sentido de família que têm, mas também sobre o livro Cromossoma do Amor, escrito por Inês Barros Baptista e que implicou a dedicação e contributo de todos.

- Participaram num livro sobre a diferença, neste caso concreto, sobre a vossa família.
Bibá Pitta -
É um projecto que já está concluído e que será apresentado muito em breve. Fala sobre o impacto que o nascimento de uma criança diferente pode trazer a uma família. E depois fala também da vida da Madalena [que tem trissomia 21] e de como esta experiência nos enriqueceu. É um livro muito real, sem floreados, muito simples, que relata a minha visão e a do Fernando sobre a nossa filha. É uma história que quisemos partilhar, até porque há imensas famílias como nós.

- Sentem que de certa forma contribuem para a desmistificação da doença?
-
Sou uma mãe que ama incondicionalmente os seus filhos e a Madalena não está à parte disso. Desde que ela nasceu que é uma filha igual às outras.
Fernando - Julgo que uma pessoa conhecida como a Bibá, ao mostrar sem preconceitos que temos uma filha assim, tira a vergonha a muitas pessoas que pensam que se ela teve coragem, também eles poderão ter.
Bibá -
Como figura pública, jamais esconderia a Madalena. Penso nos meus filhos num todo... Quero lá saber se a Madalena tem trissomia 21 ou não. O que é preciso é que, quando acontece alguma coisa, haja uma união familiar. Para esconder a minha filha, teria de me esconder a mim primeiro, porque ela é minha. Desde que ela nasceu e assim que a colocaram no meu colo, poderiam ter vindo mil Madalenas sem trissomia 21 que era a minha que eu queria.

- Percebe-se facilmente que tratam os vossos filhos de igual modo. Há ou alguma vez houve ciúmes entre eles?
-
Nunca. Todos foram incumbidos desde pequenos a tomar conta do irmão. Não têm ciúmes porque nunca deixaram de ter carinho e atenção. Esse é um papel fundamental dos pais, não deixar que um bebé em casa tire a atenção dos outros filhos.

- Sentem que a doença da Madalena poderá, de alguma forma, condicionar o futuro dos vossos outros filhos?
-
Nem pensar. Aquilo que tentamos, sem castrar os nossos filhos ou obrigar, é ensinar-lhes que precisam todos uns dos outros. A Madalena precisa tanto deles como eles precisam dela. Quando eu já cá não estiver, não estou mesmo. Não vivo a pensar nas preocupações.

- Também isso advém do sentido de família que incutiram às crianças...
- Exactamente. Se calhar, se esse sentido de família não existisse, seria um peso para eles. Sendo assim, não, até porque os mais velhos já têm uma opinião formada sobre esse assunto.
Fernando - Actualmente eles já têm um comportamento diferente do das outras crianças. Não estão condicionados por existir uma Madalena, mas têm preocupações que outras crianças não têm. Faz parte do dia-a-dia deles e é a nossa família.

- O Tomás e a Maria estão na fase da adolescência. Alguma vez sentiram receio ou dúvidas sobre se fizeram um bom trabalho a formá-los?
Bibá -
Não sei quais serão as escolhas deles na vida e nem me atrevo a falar sobre isso, mas sinto que os educámos e preparámos para que possam fazer boas opções. Eles já começam a sair com os amigos...

- Sei que na vossa casa há regras que têm de ser cumpridas.
- Usamos muitas vezes a palavra 'não' e nenhum dos dois tem medo de o fazer. E eles sabem que quando assim é, não há volta a dar. Temos sempre a casa cheia de amigos deles e as portas estão sempre abertas, porque prefiro que eles estejam em casa sob a minha alçada do que noutro local. Não quer dizer que eles não saiam, mas fazem-no sempre com conta, peso e medida. Eles sabem que têm de cumprir com as obrigações estipuladas e que a escola tem de correr bem. Não é que sejam compensados, mas assim também não serão penalizados. Acho que uma boa educação tem de ter muitas vezes a palavra não.
Fernando - Eles sabem que nós somos severos em relação a saídas e que não fazem o que querem, e isso também faz com que eles já nem peçam para sair as vezes que gostariam. Têm muito tempo para isso.

- Vocês têm muito o hábito de fazer programas como este, em família...
Bibá -
É verdade. Durante a semana temos sempre a vida muito ocupada e tirando a hora do jantar, que é sagrada, onde tentamos estar sempre juntos, é difícil termos momentos juntos. Por isso, aproveitamos os fins-de-semana, como aconteceu com este convite. Achamos muita graça a estarmos juntos e até a Maria e o Tomás perguntam muitas vezes quando vamos viajar os sete. É engraçado, porque nestas idades muitas vezes os adolescentes querem é estar com os amigos, e eles não. Mal souberam da possibilidade deste fim-de-semana, disseram logo que também queriam vir. [risos]

- Eles 'absorveram' realmente o sentido de família...
-
Acho que sim. E isto também é a prova de que ter pais presentes e que viveram em função deles compensa. Não é que seja uma moeda de troca, mas não há dinheiro nem trabalho que pague a felicidade de estarmos juntos.
Fernando -
E isso também depende da forma como fomos criados, porque tanto eu como a Bibá sempre andámos muito com os nossos pais, o que acontece ainda hoje. A maneira como fomos educados também se reflecte na maneira como educamos.
- Embora também tenham tempo para os dois...
Bibá -
Nós estamos sempre os dois. É óptimo termos fins-de-semana ou até férias a dois, mas não é fundamental. Primeiro estão eles, depois estamos os dois, quando podemos.
Fernando -
Todos as semanas jantamos fora os dois e às vezes precisamos de não ter crianças à volta a puxar-nos pelo casaco. [risos]

- Qual é o segredo para, tendo uma família tão grande, conseguirem não se anular enquanto casal?

Bibá - Gosta­mos muito de estar um com o outro. Tudo se constrói. No início é tudo mais intenso e depois, quando se casa, passa-se a viver em função de e para a vida toda. Acho que o nosso segredo, se é que isso existe, é o respeito. Somos pessoas totalmente dife­ren­tes e nunca nos quisemos mu­dar. Costumo dizer que ele me traz à terra e eu elevo-o ao céu. [risos]
Fernando - Tentamos respeitar os gostos um do outro e fazer cedências.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras