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Pedro Miguel Ramos

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Mike Sergeant

Pedro Miguel Ramos: "É à Fernanda que vou buscar a força, ela nunca me deixaria ir abaixo"

A um mês de ser pai pela terceira vez, o empresário e apresentador de televisão fala das batalhas da sua vida

Andreia Guerreiro
3 de maio de 2009, 19:43

Pedro Miguel Ramos cresceu na Amadora, no seio de uma família de classe média - o pai era bancário e a mãe escriturária - que lhe ensinou a nunca viver acima das suas possibilidades. Com eles aprendeu a saborear cada conquista e a manter os pés assentes na terra, por isso se define como "um corredor de fundo", daqueles que não saboreiam vitórias logo nos primeiros metros. Foi talvez esta lucidez que lhe permitiu desenvolver a capacidade de dar vida aos seus sonhos, o que prova a sua persistência e vontade de vencer.

Criador e gestor da marca Amo-te, director da agência de comunicação Rouge, animador de rádio, apresentador de televisão, mas, acima de tudo, comunicador, não podemos falar de Pedro Miguel Ramos sem falar da actriz Fernanda Serrano, com quem está casado há quase cinco anos, e de quem tem dois filhos, Santiago, de quatro anos, e Laura, de 14 meses. O terceiro, uma menina, vem a caminho, e o seu nascimento está previsto para a primeira quinzena de Junho. Pedro não consegue deixar de sorrir quando se fala dos filhos e o sorriso só se desvanece quando lhe pedimos para recordar o dia em que soube que Fernanda Serrano tinha cancro da mama ou quando lhe perguntamos se ainda chora a morte do pai, José Manuel Ramos, que sofreu um acidente de viação fatal dias depois do casamento do filho. O acidente deixou ainda a mãe de Pedro, Maria de Fátima Ramos, dependente de terceiros.

Nesta primeira 'viagem' que fez no segundo andar de um autocarro turístico por algumas zonas emblemáticas de Lisboa, Pedro Miguel Ramos falou também pela primeira vez das tragédias que têm ensombrado a sua vida.

- Em 2003 dizia à CARAS que daí a dez anos gostaria de estar a viver na praia e a ver os seus filhos a correr no campo. Continua a ser uma meta?

Pedro Miguel Ramos - Parte desse desejo está realizado. Os meus filhos já correm no campo, mas infelizmente não tenho o tempo de que gostaria para saborear esses momentos.

- Continua a viver no mundo dos sonhos ou as adversidades fizeram-no conhecer o mundo real?

- Sempre tive os pés assentes na terra, mas os sonhos continuam a fazer parte da minha vida. Quero manter esse lado, embora saiba que a vida é feita de adversidades, de momentos menos bons, de dificuldades...

- Às quais tem sobrevivido...

- Sim, por isso digo que sou um corredor de fundo. Não estou habituado a conquistas fáceis, todas elas foram muito difíceis de alcançar, por isso têm outro valor.

- Essas adversidades fortaleceram-no?

- Fazem parte da vida. Há momentos que vivemos que é impensável esquecermos por diversas razões, e claro que esses momentos nos marcam para o bem e para o mal. Eu tenho alguns, são cicatrizes que fazem parte da minha pele, que me fizeram crescer e amadurecer e fizeram de mim um homem com um 'H' um bocadinho maior. No fundo, há que estar preparado para tudo.

- Mas não estava preparado para a morte do seu pai, por exemplo... Ainda chora?

- O meu pai faz parte das minhas conversas e será recordado para sempre. Lembro-me dele todos os dias.

- E como está a sua mãe?

- A minha mãe evoluiu de uma forma muito lenta e infelizmente hoje não é uma pessoa autónoma, tem limitações, mas está viva, ri e chora, o que é importante para nós.

- Também não estaria com certeza preparado para ouvir que a sua mulher tinha um cancro. Quando soube, como reagiu?

- Tenho sido o mais discreto possível em relação a isso. É uma situação que na prática não me pertence. Publicamente, foi sempre vivida pela Fernanda e eu não fiz mais do que a minha obrigação: saber qual o meu lugar, qual o meu papel, e tentar fazer o melhor que posso e sei. Portanto, não posso ser notícia por causa dessa situação e do que aconteceu. É uma falta de respeito para com a Fernanda pronunciar-me sobre esse assunto.

- Este ano tem sido muito atribulado. Nunca se sentiu ir-se abaixo?

- Não, porque a Fernanda sempre teve uma força única, e mesmo que eu me fosse abaixo, ela não deixaria que isso acontecesse. É à Fernanda que vou buscar forças.

- Hoje admira-a mais?

- Não, porque desde o momento em que partilhei a minha vida com a Fernanda que percebi que ao meu lado estava uma mulher com uma força da natureza muito grande e com uma personalidade muito vincada, que sabia muito bem o que queria e que seria a mãe dos meus filhos. Nunca tive dúvidas em relação a isso e felizmente os anos passaram e tudo se concretizou.

- Admirar a pessoa que está ao nosso lado ajuda a manter a paixão?

- É meio caminho andado para tudo. É importante sentirmo-nos felizes junto da pessoa que está connosco. É natural, quando se vive com alguém, que essa pessoa seja importante para contribuir para que os dias tenham sempre um brilho diferente.

- Está apreensivo com esta terceira gravidez, por ter acontecido numa altura em que a Fernanda ainda estava a recuperar dos tratamentos de quimioterapia e radioterapia a que se tinha submetido?

- Estou ansioso para que chegue o momento, tal como estava quando nasceram o Santiago e a Laura. E estou ansioso para mudar mais umas fraldas e passar mais uma ou duas noites em claro. [risos]

- O que lhe dá mais prazer?

- Profissionalmente, ver reconhecido o meu trabalho, pôr em prática as ideias que tenho... Em termos pessoais, ter a minha família unida e feliz, o que nos dias que correm já é muito. Não é nada fácil gerir e preservar isso.

- Entretanto, voltou a trabalhar em televisão. Como tem sido?

- Nunca escondi que a televisão é a minha prioridade, nasci para ser comunicador. Voltar à SIC, onde comecei, num programa de horário nobre, é um regresso pela porta grande. O Tá a Gravar está sempre nos três primeiros lugares da estação, é um programa divertido que conquistou o público. É um regresso feliz e positivo que me abre horizontes. Cresci muito enquanto comunicador a trabalhar a minha marca, à frente e atrás de um balcão, e quero continuar a crescer. Muitos colegas meus acham que quando atingem a televisão, atingem o topo da sua carreira de comunicadores, eu penso precisamente o contrário. Depois do Big Brother, que teve o mediatismo que teve, achei que era o momento de parar para continuar a aprender enquanto comunicador, experimentando outras técnicas, e foi o que fiz. Neste programa, que é gravado, pode não se notar tanto essa aprendizagem, mas se, no futuro, tiver a possibilidade de fazer um formato em directo, acho que vai ser notório.

- A Fernanda é a sua maior crítica?

- A Fernanda é a espectadora mais difícil de conquistar. Estando ela ligada à ficção e a outro canal, nem sempre é fácil convencê-la a ver o programa. De qualquer forma, como em tudo, sempre me apoiou. Aliás, quando surgiu o convite, foi a primeira pessoa a incentivar-me para aceitar. É a pessoa que partilha comigo as coisas boas e más, portanto, ficou satisfeita com este meu regresso...

- Têm dois televisores lá em casa ou torna-se difícil gerir o zapping?

- Fui obrigado a comprar o segundo para resolvermos a questão. [risos]

- Os seus filhos reconhecem-no na televisão? As reacções são as mesmas de quando vêem a mãe?

- Não são crianças obcecadas por televisão, nós próprios os educamos nesse sentido, mas às vezes vêem e reconhecem a voz. O Santiago gosta particularmente de referir o e-mail para onde as pessoas podem enviar os vídeos. [risos] De resto, os comentários dele são os de qualquer criança de quatro anos.

- Um programa de televisão, um de rádio, quatro restaurantes e uma agência de comunicação para gerir, dois filhos, que em breve serão três. Como concilia tudo?

- Na minha actividade profissional sempre tentei ser bastante disciplinado. O segredo dessa gestão é gostar muito das vertentes onde estou envolvido, ter prazer no meu trabalho e ser feliz e disciplinado a executá-lo. Não perder tempo para poder desfrutar também da minha família.

- Sente-se realizado profissionalmente?

- Realizado nunca estou nem estarei. Sou um conquistador, gosto de programar, viabilizar tarefas, conceitos. Mas sou feliz com o que tenho, com o que tenho feito e com o que sei que tenho condições para vir a fazer.

- De que forma procura assegurar o futuro dos seus filhos?

- As incertezas do futuro são cada vez maiores a todos os níveis e a única coisa que posso dizer é que os filhos que tenho e que espero vir a ter são todos desejados. Quero possibilitar-lhes a maior felicidade possível e educá-los de forma a perceberem que devem tentar conquistar os seus sonhos.

- Voltando ao mundo dos sonhos, qual é o seu maior sonho neste momento?

- Tenho vários. No campo profissional, quero continuar a alimentar a marca que criei. Em breve terei novos parceiros que permitirão à marca crescer, com um hotel e o lançamento de uma gama diversificada de produtos. Quero prosseguir a minha actividade na televisão de forma mais regular e com outro grau de exigência. No campo pessoal, desejo ter braços para todos os meus filhos. [risos]

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