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Luísa Beirão aprendeu com a filha uma outra forma de amar

Redacção Caras
27 de março de 2009, 00:00

Isabel não chorou nem se aborreceu com os flashes que registaram os momentos de ternura que viveu com a mãe, Luísa Beirão. A bebé, fruto da relação da manequim da Central Models, de 31 anos, e do empresário Miguel Pedrosa, de 37 - que estava em Itália por motivos profissionais e por isso não pôde participar nesta sessão fotográfica -, é bem-disposta, sorridente e muito sociável e quem olha para ela nem se apercebe que está perante um bebé que nasceu dois meses e meio antes do previsto, quando os pais gozavam férias em Belfast, na Irlanda do Norte. Dias antes de Isabel completar um ano, a 29 de Março, Luísa Beirão emocionou- se ao relembrar os momentos de angústia que viveu quando percebeu que a filha corria risco de vida, elogiou o marido pela forma como a ajudou a ultrapassar com optimismo esse momento difícil e confessou-se ansiosa por dar continuidade ao que melhor sabe fazer: desfilar e emprestar a imagem a grandes campanhas publicitárias. - Agora que já passou um ano e pode respirar fundo ao lado da Isabel, admite que teve medo de perdê-la?Luísa Beirão - Sim, houve uma altura em que achei que ela poderia não sobreviver. Foi ainda em Belfast. Os bebés prematuros correm um risco muito grande, quase de 99%, de desenvolver uma infecção entre o sétimo e o décimo dia. Foi logo no sétimo dia que isso aconteceu à Isabel e foram 24 horas angustiantes, pois ela não reagia nem se mexia. Era um sintoma normal, porque estava doente, mas confesso que cheguei a pensar o pior. Os médicos tinham-nos alertado para essa possibilidade, mas ao mesmo tempo sossegaram-nos dizendo que ela iria reagir. E reagiu. "Houve uma altura em que achei que a Isabel poderia não sobreviver. (...) Tive de ser realista, mas ao mesmo tempo optimista." - Em algum momento se questionou como lidaria com a possibilidade da Isabel não resistir?- Ela tinha apenas uma semana quando temi o pior, mas já era impossível imaginar a minha vida sem ela. Depois da gravidez e do nascimento de um bebé, não se espera que ele desapareça. - Manteve o optimismo?- Tive de ser realista, mas ao mesmo tempo optimista. Acho que o meu grande suporte foi ter encarado as coisas de forma positiva, além de termos beneficiado de um excelente acompanhamento médico. - Em algum momento sentiu o Miguel perder a esperança?- Não. Ele sempre reagiu e deu-me força para que eu não pensasse no pior. - Depois deste susto, sente que é demasiado protectora em relação à Isabel?- Fui sempre descontraída. Sempre tentei mostrar que não é por ela ser um bebé prematuro que temos de nos dedicar mais, dar mais amor ou carinho. Claro que no primeiro mês a resguardei, mas aos poucos fomos retomando a nossa vida e ela portou-se sempre muito bem. - Tudo aconteceu de forma inesperada. Teve tempo para pensar em si?- Não. O meu pensamento estava focado na Isabel. No momento foi preciso resolver coisas e fazer o que era necessário sem tempo para pensar em pormenores. "Quando olho para o Miguel, tenho a certeza que estou com a pessoa certa, agora também por causa da Isabel." - Teve a tão conhecida depressão pós-parto? Não digo imediatamente, pois já deixou claro que não, mas depois sentiu algum sintoma?- Pois, não foi imediatamente, porque não tive tempo sequer para pensar nisso. [risos] Só quando cheguei a Portugal, uma semana depois de estar em casa, é que me senti ir abaixo. A viagem de regresso foi bastante cautelosa e ao mesmo tempo desgastante, o que fez o meu leite secar, e isso causou-me algum stresse. Depois, o facto de não levar a bebé para casa, ter de ir todos os dias à Maternidade Júlio Dinis, onde ela ficou internada, para passar o maior número de horas com ela, para senti-la e para ela me conhecer, provocou-me uma enorme pressão. Mas tive essa consciência e rapidamente ultrapassei esse momento. - Como tem sido a sua vida neste ano?- Tem sido melhor, mais preenchida. Muito diferente do que alguma vez imaginei. Estou a viver a maternidade de forma muito intensa, 24 horas por dia. Agora estou a tentar desligar-me um bocadinho mais, porque também preciso de fazer as minhas coisas, ter tempo para mim, que é uma coisa que não tenho tido. "Sempre disse que me dedicaria um ano a um filho, mas não sabia que iria sentir tanta falta de trabalhar." - Imagino que não a realize completamente ser mãe a tempo inteiro quando estava habituada a correr o mundo...- É por isso que estou a reorganizar a minha vida, a tentar deixar a Isabel com a família para eu me sentir melhor. Ser mãe é muito gratificante e compensador, mas também cansativo e esgotante. Chegou a altura de equilibrar as coisas e regressar ao activo, trabalhar e viajar. - Sente-se privilegiada por se ter dedicado a 100% à sua filha durante um ano inteiro?- Sim, muito. Foi uma opção, sempre disse que um dia, quando tivesse um filho, queria ficar um ano dedicada ao bebé. Mas confesso que achei que não iria sentir tanta falta de trabalhar. [risos] Claro que sinto que sou útil à Isabel, mas penso que chegou um momento em que ela própria poderá desenvolver novas capacidades se passar alguns momentos sem mim. - Imagino que ainda não tenha tido oportunidade de gozar alguns dias só com o Miguel...- Pois não. Faz-me imensa falta, mas gozamos agora a vida a três. Ela faz parte da nossa vida. - Passaram dez anos a viver só um para o outro. Como foi a entrada da Isabel na vossa rotina?- Cada um tem o seu papel na família, mas é claro que, também por opção nossa, a minha rotina se alterou mais que a do Miguel. "Na Irlanda, não tive tempo sequer para pensar em depressão pós-parto. Só quando cheguei a Portugal é que me senti ir abaixo." - Os afectos alteraram-se?- Não. Agora existe é mais um afecto. - O Miguel tem sido um pai exemplar?- Tem. Ele adora estar com a Isabel, dá-lhe muito mimo, brinca, estão sempre na risota. - Quando olha para o Miguel, ainda sente que está junto da pessoa certa?- Tenho a certeza que sim, por vários motivos, e agora também por causa da Isabel.

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