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Dedicada ao papel de mãe, Sandra Celas confessa: "Ainda estou à procura da minha individualidade"

Redacção Caras
25 de março de 2009, 00:00

Sandra Celas, de 34 anos, nunca viveu na expectativa de ser mãe. Contudo, quando ficou grávida de Miranda, hoje com seis meses, a actriz soube de imediato que ia viver a maior aventura da sua vida. Ao lado do companheiro, o ilustrador António Jorge Gonçalves, de 44 anos, Sandra está a descobrir um novo mundo, que a tem apaixonado e desafiado permanentemente. Sem esconder os seus medos ou mesmo as dificuldades que sente em se adaptar a um ser que depende totalmente de si, a actriz fala da maternidade como uma experiência transformadora. Agora, o desafio é encontrar o equilíbrio entre os vários papéis que 'interpreta' na sua vida. Ser mãe, mulher, actriz, companheira e ter ainda tempo para si própria parece ser uma batalha permanente, da qual quer sair vencedora. Foi sobre esta nova vivência e sobre as aventuras que se seguem que a CARAS conversou com a actriz, que sorri sempre que se ala de Miranda. - Há seis meses a sua vida mudou. Como é que está a ser a experiência da maternidade?Sandra Celas - Está a ser muito boa e intensa. Também é cansativa. É uma dualidade. Puxa muito por mim e pela minha disponibilidade. Mas é absolutamente maravilhosa e impagável. Não há nada que nos prepare para a emoção que é ter um filho. - Mas é parecido com aquilo que imaginou durante os nove meses de gravidez? - É impossível imaginar o que nos espera. Até porque nunca tinha convivido com bebés. Claro que tinha expectativas, mas que não corresponderam à realidade, nem pela positiva, nem pela negativa. Perguntava-me como ela seria, como seria o seu rosto, mas nada nos prepara. De repente, chegamos da maternidade e temos mais um elemento na família! - E foi fácil adaptar-se à sua filha? - Ser-se mãe não é fácil. E é preciso dizer-se isso. Ter um bebé, sobretudo nos primeiros três meses, é muito puxado. E não há um curso que nos prepare para sermos mães. Só aprendemos mesmo com a experiência. Foram meses muito cansativos e durante os quais tive de perceber o que é que tinha de fazer em cada situação. Passada essa fase mais dura, durante a qual dormi muito pouco, a experiência tem-se adocicado. Eu já conheço melhor a minha filha e ela já nos conhece, bem como ao mundo em que veio parar. Mas precisamos de ter uma grande disponibilidade. - Ser mãe não é algo inato... - Não é. E quando a minha filha nasceu, pensei: 'Quem é este ser estranho que acabou de sair de mim?' Não senti nada aquela coisa de que já conhecia a minha filha... Fiquei a olhar para ela e não senti logo aquele instinto maternal. E foi algo que adquiri progressivamente. Bastou algumas semanas para me apegar àquele ser, que é fabuloso. E não estou nada arrependida. Enfim, são os clichés... - Mas ser mãe também é uma experiência muito envolvente...- Sim. Estou a gostar muito. Se bem que nunca fui o género de pessoa que sempre quis ser mãe. Essa vontade surgiu muito mais tarde e, por isso, tudo está a ser uma novidade para mim. Sou muito dorminhoca e, apesar de ela já dormir mais um bocadinho, ainda não consigo fazer as minhas nove, dez horas de sono. É preciso esticar o tempo e temos de encontrar espaço para nós. - E tem conseguido encontrar esse espaço? - Eu ainda estou a tentar encontrar o lugar para a outra Sandra que não a mãe. É curioso, porque as pessoas não falam muito desta fase. Tenho de me reencontrar, porque ser mãe absorve-me tanto que às vezes nem tenho espaço para ler um livro. E eu também necessito desse tempo. Preciso do meu espaço para também estar sozinha. E lembro-me que desde que a minha filha nasceu que faço questão de ir passear, apanhar um bocadinho de ar sozinha. Mas ainda estou à procura da minha individualidade no meio deste fenómeno. E o objectivo é encontrar o equilíbrio entre o meu eu e o meu ser colectivo. - Acha que a maternidade mudou o sentido da sua vida? - Um filho traz muito sentido à nossa vida, sem dúvida. Mas, no meu caso, a minha vida já tinha um sentido. A minha filha veio engrandecê-lo, mas a Miranda não é o único foco da minha vida. E penso que isso é bom, tanto para mim como para ela. - E o seu companheiro é um pai presente? - Sou uma privilegiada por ter o Jorge. Ele faz muito trabalho em casa e conto com a ajuda incondicional dele. Sermos pais tem sido uma partilha entre nós. - E cresceram também enquanto casal... - Claro que sim. É impossível não crescermos. Um filho fortalece a relação. Ou mina-a se ela não for sólida. Sermos pais é uma coisa muito exigente. E a nossa relação tem saído fortalecida. Pelo menos até agora... [risos] - Tem sentido saudades da representação? - Tenho. Mas não me conseguia imaginar a trabalhar nestes primeiros seis meses da vida de um bebé. É um mundo novo, ao qual precisamos de nos dedicar a tempo inteiro. Agora, já me estou a preparar para voltar ao trabalho. E já sentia a necessidade de me focar noutra coisa que não o universo dos biberões e das chupetas. E eu gosto muito de ser actriz. - Acha que vai conseguir fazer bem as duas coisas? - Isso é que vai ser uma incógnita e confesso que tenho pensado muito nisso. Sei que as mulheres depois de serem mães ganham uma flexibilidade que antes não tinham. Mas eu nunca consegui fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Gosto muito de me concentrar naquilo que estou a fazer. Estou curiosa para ver como é que me vou sair. Mas vai ter de correr bem. É um desafio. Se as outras mulheres conseguem, eu também consigo. - E já há algum projecto? - Ainda tenho a agenda em aberto. Mas será sempre um projecto que vou ter de conciliar com as necessidades da minha filha.

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