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Para estar com o marido, Dalila Carmo torna-se 'nómada': "Nunca acreditei que fosse ter uma vida convencional"

Redacção Caras
4 de março de 2009, 00:00

Considera-se uma verdadeira trabalho-dependente e, quando um dia corre mal, passa da realização à máxima frustração em menos de nada. Ainda assim, Dalila Carmo, de 34 anos, tem aprendido a equilibrar as emoções na sua vida e, para conseguir essa harmonia, conta com o apoio da família e, em especial, do marido, Vasco Machado, com quem se casou em 2006. E nem os 600 quilómetros que actualmente os separam, já que ele está a trabalhar em Madrid, prejudicam a forte ligação dos dois. Implicam, isso sim, muitas viagens de avião. - Os últimos tempos têm sido intensos em termos de trabalho...Dalila Carmo - Tenho andado numa roda-viva. Depois do Equador, fiz uma paragem, viajei bastante, e acabei agora um filme do Vicente Alves do Ó, que se chama Quinze Pontos na Alma, e que foi um projecto que me deu imenso prazer. E agora vou fazer mais cinema. Mas foi muito importante a paragem que fiz, de cerca de três meses, porque me deu uma grande energia. Os últimos meses de gravações de televisão foram desgastantes. "Não sei de que forma me adaptaria a esta vida se houvesse um filho (...) Porque viver de uma forma nómada tem desvantagens..." - Segue-se um novo projecto que implica o regresso a Moçambique...- Um país que conheço bem, desde a Jóia de África, e de que gosto muito. Tenho amigos lá e estou contente por poder voltar. Vou gravar um filme em Moçambique, intitulado Quero Ser uma Estrela, realizado pelo José Carlos Oliveira, produzido pela Marginal Filmes e co-produzido pela TVI. Vou estar oito semanas em África, a partir de Abril. Vai ser bom, porque vou poder continuar afastada da televisão, o que me permite fazer esta alternância de que tanto gosto. - Pelo meio, esteve em Madrid, mas não profissionalmente...- Várias vezes, o meu marido mora em Madrid e claro que aproveitei esta paragem para ir lá. Mesmo quando estou a gravar novelas, e o que envolve a minha vida pessoal está relativamente perto, não é fácil gerir as coisas. Quanto mais gerir as distâncias. Tenho ido a Madrid para poder compensar isso e estar um pouco mais de tempo com ele. "Preciso de alicerces afectivos, se bem que também preciso de momentos de solidão, introspecção. É o tal equilíbrio." - Não deve ser fácil gerir uma vida profissional tão intensa com uma relação em que a outra pessoa está longe...- Não é nada fácil, mas Madrid é muito perto. Antes Espanha que o Brasil... já passei por isso. Adoro a cidade, adoro as pessoas, e não me custa assim tanto. O ambiente que se vive é fantástico. - Equacionaria mudar-se para lá para ficar mais perto do seu marido?- Não sei. É complicado. Mas considero essa hipótese, claro. Para já, estou contente com a forma como estamos a levar as coisas, porque consigo viver entre Lisboa e Madrid. E como agora estou com mais flexibilidade que ele, sou eu quem o visita mais vezes. Por isso, para já prefiro acreditar que tenho duas casas. Mais tarde, se achar que é uma ginástica muito grande andar sempre de um lado para o outro, teremos de optar. - Mas teria que mudar muita coisa na sua vida...- É bom ter um poiso, mas também é bom acreditarmos que podemos sempre começar tudo do princípio noutro lado qualquer. Gosto da ideia de começar tudo do zero. Não gosto de me acomodar, o mundo é tão grande e temos tanto para aprender... "Se não fosse actriz, adorava trabalhar como guia turístico, daqueles que escrevem para a 'Lonely Planet'." - O facto de estarem casados e não serem apenas namorados, torna as coisas mais complicadas?- Acho que nos temos habituado muito a isso, feliz ou infelizmente. Digamos que cria uma relação diferente. Agora, acredito que hoje em dia os padrões de vida mudaram. É muito complicado levar um estilo de vida convencional. As coisas mudaram muito. E, profissionalmente, Portugal acaba por ser um país que limita muito a evolução de cada um. E nunca acreditei que fosse ter uma vida convencional, por isso estou preparada para o que der e vier. Não quero acabar na minha casinha a tomar conta de tudo... - É muito activa...- Gosto muito da ideia de movimento constante. Não sei de que forma me adaptaria a esta vida se houvesse um filho, mas acho que só vou perceber quando isso acontecer. Admito que seja complicado gerir isso com uma vida familiar. Porque viver de uma forma nómada tem vantagens e desvantagens. - E não começa a sentir vontade de iniciar essa vida familiar, de ter um filho?- Tudo são projectos e tento não programar as coisas. Gosto que as coisas aconteçam sem as provocar. E gosto de me deixar surpreender, por isso não vou criar expectativas. - Mudaria muita coisa na televisão portuguesa?- Alguma... a todos os níveis. Penso que na televisão existem muitos egos em rota de colisão, e sei que nós actores estamos muito longe de ter autonomia artística, mas acredito no diálogo, na criação, e tenho medo que as coisas acabem por tornar-se uma máquina. Daí eu ter necessidade de fazer as minhas paragens, para não entrar em piloto automático. Gosto de inventar e descobrir, cada vez mais. "Penso que na televisão existem muitos egos em rota de colisão, e sei que nós actores estamos longe de ter autonomia artística." - É nas viagens que recupera o equilíbrio de que precisa para fugir dessa rotina?- Sim. Se não fosse actriz, adorava trabalhar como guia turístico, daqueles que escrevem para a Lonely Planet. A nossa realidade é muito pequena e gosto de perceber isso. E, depois, tenho alguns sítios para onde gosto de fugir quando preciso. Mas, regra geral, prefiro variar e não ir duas vezes para o mesmo destino. Se pudesse, dava a volta ao mundo. Depois, tenho também um outro lado... Adoro Portugal e cada vez que saio sinto muitas saudades da minha família, daquele nosso mundo dos afectos de que é sempre complicado separarmo-nos. - É esse 'mundo' que ajuda a manter alguma harmonia na vida que leva?- É fundamental para manter o equilíbrio, sobretudo quando se tem uma profissão desequilibrada como a minha. Preciso de alicerces afectivos, se bem que também preciso de momentos de solidão, introspecção. É o tal equilíbrio.

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