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Joana Lemos: "A ausência do Manel só nos une mais enquanto casal"

Redacção Caras
26 de fevereiro de 2009, 00:00

Pouco tempo depois de chegar de mais uma aventura no Dakar, já não como piloto, mas como autora de reportagens para a RTP, Joana Lemos confessa o quanto lhe custou estar 17 dias longe dos filhos, Tomás, de dez anos, e Martim, de oito. A lançar-se num novo projecto profissional, com a sua própria empresa de organização de eventos, Joana enfrenta outro desafio a nível pessoal: há um ano que o marido, Manuel Reymão Nogueira, está na Polónia a desenvolver um projecto de uma unidade bancária portuguesa. E é por lá que vai ficar mais um ano. Uma ausência que a ex-piloto desvaloriza, e da qual diz retirar apenas as coisas positivas. A saudade é uma delas, pois sente que reforça a relação. "Sou uma pessoa muito optimista e, cada vez mais, valorizo aquilo que tenho." - Não lhe custa estar fora de Portugal tanto tempo, sobretudo por estar longe dos seus filhos?- Esse sempre foi o meu maior tormento. Quando assinei o acordo com a RTP para acompanhar o Dakar na América do Sul, fiquei numa grande angústia. Depois correu bem, e os meus filhos vibram tanto com as coisas que faço, deram-me tanto ânimo, que tudo acabou por passar. Mas nunca tinha estado 17 dias longe deles. E a meio da prova ainda senti que tinha de voltar naquele momento. Depois concentrei-me na missão que tinha e acabou por se reflectir tudo na factura de telefone [risos]. Sou muito agarrada aos meus filhos. - Eles herdaram o espírito independente dos pais?- É algo que procuramos gerir muito bem, a dependência ou independência dos nossos filhos, porque a lei da vida é mesmo isso. Um dia vão ter que voar por eles próprios. Nós somos ambos muitos independentes, é verdade, e isso reflecte-se neles, claro. Mas como somos muito coesos, somos também muito dependentes uns dos outros. Sobretudo desde há um ano, em que só vêem o pai uma vez por mês. Mas o que pode ser mau por um lado, pode transformar-se num bom alicerce para o futuro. "Um casamento faz sentido quando há cumplicidade, admiração e, inevitavelmente, amor." - Como têm vivido a ausência do Manuel?- De início foi muito violento, porque não tínhamos consciência de que iria ser tão difícil. Achámos que as vindas dele, uma vez por mês, iriam colmatar a ausência, mas não é assim tão fácil. Os nossos filhos mostram que têm saudades do pai, mas fazem-no de uma forma muito subtil. O Tomás sente mais, talvez, porque joga no Sporting há um ano e meio e foi o pai que lhe passou aquela paixão pelo futebol. Mas tentamos enfrentar tudo com a maior naturalidade, como uma missão que o Manuel está a cumprir. Foi um desafio que lhe lançaram e que ele agarrou com determinação. E está a sofrer mais que nós, porque está sozinho. - Acredita que este é mais um teste à vossa relação?- Não está a ser de forma alguma um teste à nossa relação. Acredito que esses testes são provas constantes pelas quais muitas vezes nem damos. A magia do casamento é mesmo isso. Nós estamos casados há 14 anos e um casamento assim faz sentido quando há cumplicidade, admiração e, inevitavelmente, amor. Senão, não passa de uma utopia. Claro que os sacrifícios têm de estar sempre presentes, mas tem de haver felicidade e estes princípios têm de existir nos bons e nos maus momentos, em especial nos maus. E esta ausência do Manuel só nos une mais enquanto casal, porque fica aquela saudade. "Tenho a felicidade de poder dizer que os meus filhos são miúdos saudáveis e felizes." - O passar dos anos ajudou-a a ganhar maturidade?- Acho que os 35 anos me deram uma maturidade diferente. Adorei a inconsciência dos 20 aos 25, em que tinha de fazer tudo naquele momento. Hoje tenho 36 anos e sinto-me feliz, porque sei exactamente aquilo que quero e, mais que tudo, sei o que não quero. É giro quando começamos a perceber quais são as nossas prioridades, o caminho a seguir, e eu sou muito focada nos meus objectivos. Por tudo isso, tenho motivos de sobra para sorrir. - Profissionalmente, prepara-se para novos desafios...- Nos últimos cinco anos tive uma experiência fantástica a nível profissional, numa empresa maravilhosa e com pessoas de quem sou hoje muito amiga. Tive o privilégio de trabalhar com um homem que admiro e que muito tem dado ao desporto, o João Lagos. Concretizámos todos juntos o sonho de trazer o Dakar para Portugal. Agora, até pela idade que tenho, achei que era altura de voar pelas minhas próprias asas. E por isso vou testar a minha capacidade com a organização dos meus próprios eventos. Aprendi muito nestes cinco anos e quero pôr tudo isso à prova. Este ano vamos ter já alguns eventos em Portugal, mais tarde espero chegar ao campo internacional.

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