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Depois do AVC de Ana Maria Lucas, Francisco Mendes assegura: "Vou ajudar a minha mãe para que volte a ser feliz e autónoma"

Redacção Caras
12 de fevereiro de 2009, 00:00

Foi na terça-feira, dia 3 de Fevereiro. Ana Maria Lucas estava na companhia dos filhos, Francisco, de 35 anos, e Miguel, de 30, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Foram os filhos que rapidamente a transportaram para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde está internada desde então. Depois do susto e de uma primeira avaliação clínica, agora é tempo de pensar com optimismo na recuperação da eterna Miss Portugal. Ana Maria Lucas, de 59 anos, já sorri e recuperou o sentido de humor que lhe é característico, o que deixa o filho mais velho muito feliz. Numa entrevista exclusiva, o apresentador do Top+ conta como tudo aconteceu, confessa que teve medo que a mãe morresse e revela ainda que já chorou muito. As lágrimas deram lugar a um sorriso que alimenta a esperança de ver a mãe longe da cama do hospital, pronta para recomeçar com a força que lhe é característica. - Como é que tudo aconteceu?Francisco Mendes - Eu e o meu irmão estávamos com a nossa mãe, e essa foi a sorte dela e a nossa também. Apercebemo-nos rapidamente que ela estava a ter um acidente vascular cerebral. - Qual foi a sua reacção?- Não sou uma pessoa crente em Deus, mas tenho a sensação que naquela altura tive um momento de clarividência fora do normal. Baixou em mim uma frieza e um controlo muito grandes, fiquei muito calmo e fomos logo para o hospital. Em dez minutos ela estava a ser socorrida. Todo o processo de identificação do AVC, até ser conduzida para o serviço especializado, foi rapidíssimo. - Depois de saber o quadro clínico, ficou assustado?- A primeira notícia do médico foi chocante e obviamente que fiquei assustado, depois, é encarada a realidade e partir para um quadro de esperança em que ela recupere. Aproveito já para dar os parabéns à equipa médica e ao fantástico serviço prestado à minha mãe no hospital. - Quando é que a sua mãe se apercebeu do sucedido?- Mais tarde. Neste momento ela está a mostrar a mulher que sempre foi, com uma grande vontade de recuperar. Já começou a fazer alguns exercícios de recuperação, que vão ser continuados na próxima semana. "A minha mãe sempre me ensinou a ser optimista, e é nessa fase que estou." - Pressuponho então que tenha ficado com sequelas...- Neste momento é difícil diagnosticá-las, porque num caso de AVC há um período de duas semanas a um mês para que seja feita uma avaliação rigorosa. Algumas células podem até regenerar-se. A minha mãe vai fazer fisioterapia para estimular processos que foram afectados durante o AVC. - Ela está com força para dar a volta por cima?- Está com uma grande atitude e uma enorme vontade de recuperar. Já recuperou o sentido de humor que a caracteriza e a boa disposição. A minha mãe é, de facto, uma grande mulher. Cada vez mais se revela uma vencedora perante os obstáculos que a vida lhe tem apresentado. - Acha que o facto dela ter sido dispensada da Tertúlia Cor-de-Rosa [rubrica do programa da SIC Fátima] poderá ter tido alguma influência? - Não foi propriamente o facto de ter deixado a Tertúlia, até porque foi-lhe proposto pela Comunicasom uma rubrica semanal dentro do mesmo programa. O factor principal, penso eu, é saber que se pode estar bem hoje, mas amanhã não se sabe. A minha mãe tem vivido com essa incerteza ao longo destes anos e acho que todas estas mudanças voltaram a acordar alguns fantasmas que ela teve antes e fazem com que se sinta muito tensa e receosa. - Ou seja, houve um conjunto de situações que espoletaram o AVC... - Sim. Ela já fez de tudo um pouco e talvez não se tenha sentido com forças para mudar outra vez, para tomar outro rumo, para dar a volta por cima perante mais uma mudança, apesar de nós e de todos os amigos dela insistirmos para estar tranquila. Apesar de ser uma pessoa muito alegre, também tem, como qualquer um de nós, as suas preocupações, os seus medos. Outro dos factores é o facto da minha mãe ser uma fumadora compulsiva há 45 anos, aliado ao facto de estar a entrar nos 60 anos. - Há o risco de sofrer um novo AVC?- Só durante esta semana é que vou reunir com os médicos e saber mais acerca do seu quadro clínico, por isso, não sei, neste momento, qual é o risco. "Ter a minha mãe a olhar para mim enquanto sofria um AVC é uma coisa que me vai marcar para sempre." - Tem tido pesadelos com o que aconteceu?- Ter a minha mãe a olhar para mim enquanto sofria um AVC é uma coisa que me vai marcar para sempre. No entanto, como filho dela, sou uma pessoa com muita força interior e uma atitude positiva perante a vida. Neste momento não olho para trás, olho para o presente e para o futuro. Vou encarar a recuperação da minha mãe como uma bandeira e um objectivo a atingir. - Tem chorado muito?- Tenho uma relação muito engraçada com o choro. Vejo o choro como um escape, uma libertação de energia acumulada, posso dizer que a minha mãe teve o AVC numa terça e no dia seguinte fui gravar o Top+. Tive um grande apoio da equipa, principalmente da minha querida Isabel Figueira, que se revelou uma autêntica irmã. Enquanto estive a gravar, desliguei o 'interruptor' do filho e liguei o do apresentador. Após o programa, já sozinho, tive uma crise de choro fortíssima. Depois, aqui e ali, tenho tido momentos de choro. Agora tenho a impressão de que já libertei tudo. O choro foi uma forma de descarregar e libertar energia. A minha mãe sempre me ensinou a ser optimista, e é nessa fase que estou. - Onde é que tem ido buscar forças?- À minha mulher e à minha filha, elas são as primeiras fontes. Eu e o meu irmão também nos temos apoiado bastante. Depois, nas alturas em que preciso, o meu pai, a mulher dele e o meu outro irmão também estão lá. O que também me tem dado alento nesta fase é perceber que há um país inteiro que a ama, que a tem em consideração por ser uma grande mulher. Não posso deixar de referir todas as pessoas que me têm enviado mensagens, não só alguns amigos meus, do coração, como amigos da minha mãe. A minha mãe tem uma sorte muito grande, porque tem pessoas que gostam muito dela. - Qual a sua maior preocupação neste momento?- A minha primeira preocupação era que ela morresse, depois, tive receio que ela não conseguisse voltar a sorrir. Queria muito que ela estivesse consciente e que tivesse emoções, e isso já mostrou que tem. Neste momento já não tenho essas preocupações. Quero, sim, ajudá-la na recuperação, para ela ser outra vez feliz e autónoma em tudo. O amor é o segredo para que ela recupere rapidamente, e isso ela tem.

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