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Com 45 anos de carreira, Joel Branco diz que ainda espera o papel da sua vida

Redacção Caras
22 de janeiro de 2009, 00:00

A dançar, representar ou cantar, Joel Branco sente-se realizado e feliz. A comemorar 45 anos de carreira, o actor, que tem estado na Invicta com o musical Um Violino no Telhado, recordou à CARAS os momentos mais importantes das últimas décadas. No Porto sente-se em casa, pois foi ali que viveu sozinho entre os 14 e os 18 anos, um afastamento de Lisboa imposto pelos pais, que o quiseram longe das escolas de bailado. Sonhador e com espírito jovem, o actor, que já vimos nas telenovelas Origens, A Grande Aposta ou Os Lobos, ou nos musicais de Filipe La Féria Amália, My Fair Lady ou Música no Coração, tem como referência West Side Story, filme e musical que já viu 85 vezes. Joel Branco é movido pela constante procura de desafios, necessidade que o levou a preparar o seu próprio espectáculo e a apresentá-lo a solo, durante 15 anos, em Portugal e no estrangeiro. Quando terminar Um Violino no Telhado, já pensa no próximo trabalho que o irá manter pela Invicta. Com todas as provas dadas, e o reconhecimento do público, o artista confessa que continua à espera do papel da sua vida. "Aos 14 anos, os meus pais mandaram-me sozinho para o Porto, onde sabiam que não havia escolas de bailado." - Acaba de festejar 45 anos de carreira. Recorde-nos como começou.Joel Branco - Em Outubro de 1963 estreei-me como bailarino no Teatro Maria Vitória. Tinha 18 anos e consegui quatro anos de adiamentos para a tropa. Ao mesmo tempo que cumpria o serviço militar obrigatório, continuei a trabalhar num espectáculo de folclore no Maxime, dirigido ao público estrangeiro. - Como surgiu a dança na sua vida? Chegou a ter formação?- Quando era garoto, o meu pai levava-me a ver espectáculos e eu ficava fascinado. Mas como tinha jeito para desenho, e o meu pai queria que fosse arquitecto, ingressei numa escola de artes decorativas. Aos 13 anos soube que o S. Carlos estava a precisar de bailarinos e inscrevi-me. Frequentei as aulas três meses, mas quando os meus pais descobriram, mandaram-me para o Porto, onde sabiam que não havia escolas de bailado. "Tenho quatro 'netos' que me perguntam quando volto para Lisboa, porque têm saudades." - Viu-se afastado da família, noutra cidade, aos 14 anos. Como se adaptou?- Fui muito bem recebido pelos meus colegas, mas com o passar do tempo comecei a distanciar-me dos estudos. Aí vivi a minha adolescência em liberdade, com a mesada dos meus pais e umas explicações de inglês que dava a adultos. Sempre que havia peças no Rivoli ou no Sá da Bandeira, ia ver, e sabia que era aquilo que queria fazer. - Quando é que os seus pais descobriram tudo?- O meu pai adoeceu e tive de lhes contar. Voltei para Lisboa com 18 anos e consegui arranjar um trabalho como pintor de cartazes no Teatro Monumental. Como colega, tinha um cenógrafo do Parque Mayer que, quando me viu dançar frente aos monumentais espelhos que havia nos salões do teatro, me desafiou para integrar a equipa. Fiz umas provas e consegui. - Estreou-se no Maria Vitória com a revista E Viva o Velho, como bailarino. Quando é que acumula o papel de actor?- Com o passar do tempo foram-me dando papéis com mais destaque, a dançar e cantar. Com a morte do meu avô, herdei algumas coisas e resolvi investir na minha formação de bailarino. Entreguei parte da herança a uma das melhores professoras de bailado no nosso país, Ana Mascolo. "Não sou uma pessoa de fácil trato, mas consegui manter uns amigos muito bons, que são pedaços de mim." - Fez o Godspell, dirigido pelo Vasco Morgado, e partilhou o palco com Raul Solnado, entre muitos outros. Como entra Filipe La Féria na sua vida?- Era espectador assíduo das coisas extraordinárias e ousadas que ele produzia. Quando fomos apresentados, fiquei a saber que ele costumava ver os meus trabalhos e falámos em trabalhar juntos. Pouco depois ele fez o Maldita Cocaína e chamou-me para substituir o Manuel Coelho nos últimos três meses. - Como fica a vida pessoal com tanta dedicação artística?- Fica muito bem! Não sou uma pessoa de fácil trato, mas consegui manter uns amigos que são pedaços de mim, e isso também acontece com alguns familiares que adoptei ao longo dos anos. Agora, posso dar-me ao luxo de dizer que tenho quatro netos, que estão sempre a perguntar quando é que o avô regressa a Lisboa. São pessoas que foram surgindo na minha vida por diferentes razões. Gente que conheci em francas dificuldades e que convidei para minha casa, demasiado grande só para mim. Foi uma aventura que correu bem. Os pequeninos nasceram todos em minha casa e eu sou o avô Joel. - Que desejos tem para 2009?- Gostava de fazer o papel da minha vida, que acho que ainda está para vir. Sinto também que tenho muito para dar e que só usei ainda dez por cento das minhas potencialidades.

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