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Catalina de Habsburgo: "Desde miúda que percebi que ser nobre era ser humilde"

Redacção Caras
15 de janeiro de 2009, 00:00

Quando lia histórias de príncipes e princesas, nunca se reconhecia nelas. Não foi uma 'gata borralheira', mas também não conheceu as mordomias exageradas das cortes antigas em que das donzelas nobres se esperava a subserviência, o decoro e a inexistência de opinião. A autora de Sissi, a Atormentada Vida da Imperatriz Isabel carrega a genética dos Habsburgos, mas o facto de ser neta do imperador Carlos I da Áustria e da princesa Zita de Borbón-Parma não impediu Catalina de Habsburgo, arquiduquesa da Áustria, de sonhar com uma carreira profissional, casar e ter filhos.Licenciada em Ciências Políticas, com especialização em Direito, pela Universidade de Lovaina, na Bélgica, já foi jornalista da Rádio España e directora de Relações Internacionais da Universidade SEK, de Segóvia.Aos 36 anos, dez dos quais casada com o conde Maximiliano Secco d'Aragona, gestor financeiro num banco, de quem tem dois filhos, Constantino e Nicola, de oito e seis anos, respectivamente, Catalina é, como diz, "uma mulher normal que cuida da casa, dos filhos e tem uma profissão".O Natal foi passado em família, em Itália, onde o casal tem uma residência, mas a vida já voltou ao normal, na Suíça, onde prepara novo livro. Passou por Portugal - onde costuma passar férias com a família - para apresentar o livro sobre a sua tia-bisavó, a famosa Sissi, popularizada no cinema por Romy Schneider num argumento muito longe da realidade. "Tenho dois filhos e sou como todas as outras mães do mundo. Levo-os à escola de manhã e depois de tratar da casa ponho-me a trabalhar." - Porquê escrever sobre Sissi, numa história algo ficcionada, depois de ter escrito sobre assuntos como a real politik de Napoleão, Bismarck e Margaret Thatcher?Catalina de Habsburgo - Foi sempre uma personagem que me fascinou. Pensei nela não como elemento da família, mas como matéria para escrever. Nunca pensei que Isabel pudesse conquistar tanta gente hoje em dia. Li tudo sobre ela e cheguei à conclusão que se tinha criado um mito. Decidi então investir nos arquivos da família e descobri que havia um lado escondido por detrás da radiosa noiva de Francisco José. Descobri alguém atormentado, as suas anorexias, o seu narcisismo e a paixão pelo seu corpo e pelo seu espírito, mas também tudo o que fez pela Hungria. - No prefácio, o seu pai conta que um dia o questionou sobre a incongruência de ser nobre e ter de levantar a mesa e fazer a cama...- Lembro-me perfeitamente que me explicou que os meus colegas da escola eram tontos por dizerem que eu não era princesa porque não usava diadema, não tinha grandes vestidos nem uma carruagem. Mas desde muito miúda percebi que ser nobre era ser humilde e estar ao serviço do seu povo. Lembro-me da minha avó, que tinha uma figura frágil mas um carácter fortíssimo, e que o seu lema foi sempre estar ao serviço do seu povo, apoiada por uma grande fé. Foram esses valores que os meus avós me deixaram. "Tenho um casamento muito feliz, o que é muito importante, porque isso significa que as crianças também estão bem." - E, hoje em dia, o que significa ser nobre?- Isso não existe na minha família. Toda a gente da família trabalhou. O meu avô foi exilado, a minha avó ficou sozinha com oito filhos e sem dinheiro. O meu avô morreu de frio e fome na Madeira, foi mais maltratado do que um criminoso. A minha avó não tinha mais casas, nem vestidos, nem jóias, mas tinha oito filhos para criar. Vestiu-se de negro toda a vida, tinha cinco vestidos e tinham de lhos esconder, porque queria sempre remendá-los para não ter que comprar novos. A todos nós incutiu o sentido da responsabilidade e a necessidade de trabalhar. Todos começámos do zero e todos conseguimos ter carreiras. Posso assegurar que às vezes ter um nome é positivo, mas muitas vezes também é negativo, porque pensam que não fazemos nada. Claro que temos a sorte de ter algumas coisas por herança, mas, por exemplo, as propriedades dos Habsburgos na Áustria foram roubadas pelo Estado e é o único país na Europa em que não devolveram nada. O mais importante na vida é saber que podemos ter tudo, mas também tudo perder. No entanto, quando se perdeu tudo, fica o amor pela família, a responsabilidade de ter u trabalho e a fé. Creio que com estes ingredientes podemos fazer grandes coisas. - Como gere a vida profissional e pessoal?- Tenho dois filhos e sou como todas as outras mães do mundo. Levo os meus filhos à escola de manhã e depois de tratar da casa ponho-me a trabalhar. Uma das vantagens da escrita é poder estar em casa a trabalhar e consigo fazê-lo mesmo com os meus filhos a gritarem aos meus ouvidos. "Considero-me uma mulher com muita sorte. A vida deu-me muito." - Considera-se feliz?- Considero-me uma mulher com muita sorte. A vida deu-me muito. Pode ser que um dia também me peça muito... Mas estou preparada. Deu-me a possibilidade de ter um marido que adoro, tenho um casamento muito feliz, o que é muito importante, porque isso significa que as crianças também estão bem. - Pensa ter mais filhos?- Adorava ter mais... Falta a menina.

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