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Maria Barros: "Ter filhos sempre foi uma certeza na minha vida"

Redacção Caras
29 de dezembro de 2008, 00:00

Maria Barros é, aos 37 anos, uma mulher realizada. Decoradora há mais de dez anos, Maria é uma apaixonada pelo que faz. Contudo, a grande prioridade da sua vida são os filhos, Salvador, de sete anos, e Clara, de quatro, e o marido, Rui Hipólito, com quem está casada há sete anos.Criativa e sempre à procura da nova tendência, a decoradora aproveita ao máximo o Natal, época que estimula a sua originalidade. Aproveitando o seu talento, a CARAS desafiou Maria a decorar uma sala de jantar adequada à ocasião. Foi numa produção cheia de momentos de ternura que a decoradora falou sobre as emoções únicas que têm pautado cada escolha da sua vida. "Sempre gostei do Natal e alimento muito a cultura natalícia. Tenho caixas com adereços de várias cidades do mundo." - O Natal deve ser uma época de muita criatividade para um decorador...Maria Barros - Eu sempre gostei do Natal e sempre gostei de montar a árvore antes de toda a gente. Tenho caixas com adereços de Natal que trouxe de várias cidades, de Nova Iorque, Paris..., e tenho muito essa cultura natalícia. Como decoradora, tenho acesso a mais informação e posso fazer decorações natalícias para várias pessoas. - Sei que é uma apaixonada pelo que faz. O que é que atrai tanto na decoração?- Atrai-me o detalhe. E, depois, gosto de tudo o que esteja relacionado com a casa, porque sou muito caseira. Acabei por canalizar a minha criatividade para um sítio onde adoro estar. Melhoramos imenso a nossa vida se cuidarmos do nosso lar. Tenho esta teoria, que vai sendo posta à prova e sai reforçada com as experiências que tenho tido. Ao decorar a casa de alguém, sinto que estou a fazer a diferença na vida dessa pessoa. - A decoração ajuda-a a atingir o bem-estar interior?- Sim, sem dúvida. Sinto-me muito realizada com o que faço e acho que chegar à minha idade e gostar de trabalhar todos os dias é óptimo. Nunca tenho a sensação de que finalmente é sexta-feira. Felizmente também tenho um marido que às vezes trabalha ao fim-de-semana e, por isso, não temos aquela semana padronizada. Divertimo-nos em família em qualquer dia e não somente ao sábado ou domingo. E a decoração permite-me ficar muito íntima dos meus clientes, porque para as coisas correrem bem tem de haver uma empatia muito grande entre nós. "Eu sou a antítese da decoradora que está sempre a remodelar a própria casa." - Como decoradora, deve andar constantemente a mudar a decoração da sua casa...- Eu sou a antítese da decoradora que está sempre a remodelar a própria casa. Vivo na minha casa há sete anos e a decoração continua igual. No início, eu e o Rui vimos exactamente o que gostávamos e o resultado foi algo visto a dois. Como trabalho muito sozinha, o Rui é o meu conselheiro. Sempre que tenho alguma dúvida, vou falar com ele e confio imenso na opinião dele. Agora ando com vontade de mudar tudo e ele já me deu carta branca. Como estamos juntos há tanto tempo, já nos conhecemos muito bem e eu já sei exactamente o que é que ele gosta. Já somos mais um só. - Mas não é só na decoração que são um casal cúmplice...- Somos duas pessoas com os pés bem assentes na terra, que conversamos muito. Acima de tudo, somos muito amigos um do outro. Adoramo-nos, mas prevalece uma amizade e uma honestidade muito grandes. E isso é muito importante nas relações. É com base nesta cumplicidade que temos vivido da melhor maneira que conseguimos. Não há uma receita para a relação perfeita. Mas penso que eu e o meu marido temos feito um bom trabalho, como casal e como pais. - Sentiram alguma diferença na forma como vivem a vossa relação a partir do momento em que foram pais?- Nós vamos tendo fases. Primeiro, há aquela coisa de vivermos um para o outro, durante o namoro e no início do casamento. E, depois, quando fiquei grávida, a nossa vida mudou, e é óbvio que a nossa relação se modificou também, porque começou a haver outras prioridades. A partir do momento em que fomos pais, a coisa mais importante para nós passou a ser o Salvador. E, com ele, eu e o meu marido experienciámos juntos muita coisa pela primeira vez. Mas passámos por tudo isso juntos. Vamos focando a nossa atenção em coisas diferentes, conforme o que a vida nos exige. São os nossos próprios episódios. "Não há uma receita para a relação perfeita. Mas penso que eu e o meu marido temos feito um bom trabalho, como casal e como pais." - E agora, com duas crianças, também vivem uma fase diferente...- Agora estamos a passar por uma nova fase. Os meus filhos já estão a ficar com personalidades muito definidas, já se estão a tornar pessoas. E conversamos imenso os quatro, viajamos... Eu e o Rui temos uma coisa muito boa: nunca quisemos que nada passasse depressa, sempre aproveitámos ao máximo o dia-a-dia. Nunca pensámos nas saudades que temos de eles serem pequeninos, porque como aproveitámos essa fase deles, agora vivemos sem nostalgias do que passou. - Conseguem ter tempo para ser marido e mulher, ou o facto de serem pais deixa pouco tempo livre para o romantismo?- Temos tempo para nós e não dispenso ter esses momentos. Os meus filhos vão para a cama às oito e meia e depois eu e o Rui vamos ao cinema, ao teatro, jantar fora... A partir dessa hora, o tempo é todo para os nossos momentos. E como jantamos só os dois, conversamos muito sobre como correu o dia, planeamos coisas... É o momento em que temos conversas de adultos. E tiramos dez dias por ano para fazermos férias só os dois. O ano passado, preparámos tudo e, para cada dia que estivemos fora, os meus filhos receberam uma carta e um presente, para não sentirem a nossa falta. E este ano, quando lhes disse que íamos de férias, eles perguntaram logo se ia ser igual ao ano passado. [risos] "Nunca senti muito que tivesse mudado com a maternidade, porque já vinha formatada para ter filhos." - Para além de ter mudado a sua relação com o seu marido, a maternidade também a mudou como mulher?- Nunca senti muito que tivesse mudado com a maternidade, porque já vinha formatada para ter filhos. Sempre brinquei muito às bonecas e, mesmo com os animais, sempre tive uma atitude muito maternal. Ter filhos sempre foi uma certeza na minha vida. Não sei explicar de outra forma... A maternidade é um prolongamento na minha experiência enquanto pessoa. Não há um antes e um depois. Ser mãe foi uma coisa natural. Fiquei grávida quando tive de ficar... - Mas ter filhos deve ter mudado algumas coisas na sua personalidade e, obrigatoriamente, na sua vida...- Sim, é verdade, mas nunca senti muito que ficasse melhor pessoa depois de ser mãe... Penso que com os meus filhos ganhei mais paciência. Antes deles nascerem, vivia a uma velocidade um bocadinho diferente. Neste momento, quem dita o meu ritmo são eles. Faço as coisas consoante a disponibilidade que me sobra depois de fazer tudo o que tenho de fazer com os meus filhos. "O que me faz sentir uma mulher completa é saber que o meu marido pode contar comigo, que estou lá para o ajudar." - Ter uma profissão que lhe dá alguma autonomia de horários permite-lhe ser uma mãe mais presente...- Sem dúvida. Mas também fui tomando as opções que me conduziram à vida que tenho. Eu podia trabalhar muito mais do que aquilo que trabalho. Contudo, a minha ambição profissional termina quando começa a interferir com a relação que tenho com a minha família. Gosto imenso do meu trabalho, mas gosto muito mais de ser uma boa mãe e uma boa mulher. Ao fim do dia, o que é importante é que eu tenha estado lá para as pessoas que são importantes. O que me faz sentir uma mulher completa é saber que o meu marido pode contar comigo, que estou lá para o ajudar incondicionalmente e que os meus filhos sentem o mesmo. - Quer ter mais filhos?- Isso não está nos nossos planos.

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