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Cristina Santos Silva celebra, ao lado das filhas, a chegada de um novo ano e revela: "Uma casa com três mulheres é uma animação"

Redacção Caras
29 de dezembro de 2008, 00:00

O ano de 2009 promete ser inesquecível para Cristina Santos Silva. A arquitecta e decoradora vai comemorar 50 anos em Outubro e, em jeito de balanço, confidencia, orgulhosa, que "uma família feliz, harmoniosa e sólida" ajuda a uma vida cheia de alegria.No Hotel Infante Sagres, no Porto, onde concretizou um dos seus últimos trabalhos de decoração, Cristina Santos Silva e as suas duas filhas, Rita, de 18 anos, e Mariana, de 14, abriram portas a um mundo feito no feminino, cheio de cumplicidades e boa disposição. De fora ficou, desta vez, o também arquitecto José Melo Pinto, que Cristina conheceu em Macau, onde trabalhou durante cinco anos, e com quem vive um casamento feliz. Mas sobre uma eventual mistura de amor e negócios, a decoradora é peremptória: "Se trabalhássemos juntos, estaríamos sempre a discutir!" "Quando me preparo para algum acontecimento, sujeito-me sempre à apreciação das minhas filhas." - É arquitecta de formação, especializou-se em urbanismo e hoje é conhecida pelos seus trabalhos de decoração, nomeadamente em hotéis. É um caminho pensado ou simples coincidência?Cristina Santos Silva - Realmente, tenho decorado diversos hotéis, o que não sendo uma questão de especialização, penso ser o resultado da qualidade do meu trabalho. A melhor publicidade que um profissional pode ter é a que um cliente passa a outro. Hotéis e restaurantes têm ainda a vantagem da larga visibilidade, o que se torna um excelente cartão de visita. Projectos como os restaurantes Eleven e Rio's, ou o Hotel Caminhos de Santiago, são um grande exemplo desse 'passa-palavra'. - Aqui, neste hotel, como em outros trabalhos, é possível reconhecer influências orientais. É algo que apenas se reflecte no trabalho ou também na forma de viver?- As inspirações para o meu trabalho surgem por todo o lado, uma vez que é da observação constante do que me rodeia que as ideias me surgem. Obviamente que todas as experiências que adquiri por ter vivido no Oriente estão constantemente no meu subconsciente e muitas vezes reflectem-se no meu trabalho de forma subtil. Essa influência já foi, no entanto, mais marcante, até porque na decoração, tal como na moda, as tendências são cíclicas. "Muitas vezes não precisamos verbalizar, adivinhamos o pensamento umas das outras." - É conhecida pelas suas energia e alegria. Qual é o segredo?- Quanto às minhas energia e alegria, são de certeza os genes familiares. A minha mãe é a pessoa mais enérgica e alegre que eu conheço. É superpositiva, cheia de genica. Foi seguramente dela que herdei esta alegria de viver, mas é claro que uma família feliz, harmoniosa e sólida faz o resto. - Em Outubro, vai fazer 50 anos. O que representa, para si, essa data?- Acho que o grande embate foi quando fiz 40! Aí, fiquei com a consciência de que na melhor das hipóteses estava a meio do meu 'percurso'. Portanto, quando chegar aos 50, já não estarei sobressaltada. Estou consciente de que já estou a viver a minha fase 'descendente'. Na verdade, prefiro não pensar muito nisso. [risos] "Adoraria poder viver para sempre, vê-las crescer, serem felizes, mães e avós." - Quais são os seus maiores desejos para este novo ano?- O meu maior desejo é que todos os familiares mais próximos mantenham a sua saúde, com qualidade de vida. Não deixa de ser curioso que com o passar dos anos os nossos desejos se vão estreitando. - O passar dos anos provoca-lhe algum tipo de angústia?- O passar do tempo assusta-me um pouco. Talvez seja por ter filhas e saber que não as vou poder acompanhar para sempre. Essa relativização da minha vida em função do futuro delas é das poucas coisas que me deixa com um nó na garganta. Adoraria poder viver para sempre, vê-las crescer, serem felizes, mães e avós. É só nesse sentido que o tempo me perturba. Saber que não poderei fazer tudo o que gostaria de fazer, logo eu, sempre com tantos projectos e tantos sonhos! "Tenho as filhas que qualquer pai desejaria ter." - Está casada há 19 anos. Qual é o segredo para a longevidade da relação?- Pois é, já estamos casados há 19 anos... É uma relação muito forte, que se baseia no respeito, na cumplicidade e no amor. - Percebe-se facilmente que existe uma grande cumplicidade com as suas filhas. É um verdadeiro mundo de mulheres?- Uma casa com três mulheres é sempre uma animação. Adoro ter filhas. O mundo no feminino é feito de cumplicidades. Quando me preparo para algum acontecimento, sujeito-me sempre à apreciação delas, que normalmente é assertiva e objectiva. Muitas vezes não precisamos verbalizar, porque conseguimos adivinhar o pensamento umas das outras. Principalmente a Mariana, que tem muitas afinidades comigo. Os mesmos interesses, o mesmo feitio, a mesma forma de apreensão das coisas... "O grande embate foi aos 40. Por isso, quando chegar aos 50 já não estarei sobressaltada." - Seria, então, normal que as suas filhas dessem continuidade ao seu trabalho. Sente que isso poderá acontecer?- Veria a Mariana a seguir-me as pisadas, mas quer ser advogada, e com a determinação que lhe conheço, já perdi as esperanças de algum dia a ver arquitecta. A Rita é totalmente pai, desportista, adora o mundo dos cavalos e até no feitio são iguais. Tem um coração do tamanho do mundo. Já está na faculdade a estudar Finanças, mas poderia estar com o mesmo entusiasmo em Veterinária. - A Rita já tem 18 anos. A adolescência tem sido difícil?- Tenho a sorte de nunca ter tido problemas com as minhas filhas, foram sempre meninas muito serenas, equilibradas. São as filhas que qualquer pai desejaria ter.

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