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Oceana Basílio confessa: "No fundo, sou uma mulher frágil"

Redacção Caras
23 de dezembro de 2008, 00:00
Oceana Basílio
, 29 anos, é uma das mais promissoras actrizes da sua geração. Lutadora, com apenas 17 anos deixou a segurança da casa familiar, no Algarve, para ir estudar representação para Lisboa. Contudo, não terminou os estudos na capital e, depois de ter passado uma temporada em Londres, decidiu ir para Braga, onde começou a trabalhar de forma permanente como actriz. Com a participação em
Morangos com Açúcar
, Oceana mudou-se definitivamente para Lisboa. O seu talento convenceu e a participação em mais novelas, como
Doce Fugitiva
, tornaram-na uma cara conhecida do grande público. O mediatismo que foi ganhando trouxe alguns dissabores à actriz, que viu o namoro que viveu com Miguel Melo dissecado na imprensa. Mas hoje Oceana fala sem pudores do seu passado e do presente feliz que vive ao lado do actor e cantor
Pedro Laginha
, de 36 anos, com quem está casada há pouco mais de um ano. Foi durante uma produção no Castelo da CARAS, em Palmela, que conversámos com a actriz sobre as histórias do seu universo, que tem no centro os afectos da filha,
Francisca
, de quatro anos, do marido e do filho deste,
Afonso
, de seis.


- Como é que surgiu a aventura de ser actriz?
Oceana Basílio -
Sempre estive muito ligada às Artes, a minha mãe pintava, o meu avô era fascinado pelo cinema e o meu pai trabalhava nos casinos, nos quais eu via muitos espectáculos. E todo esse universo sempre me fascinou. Desde sempre as pessoas me ouviram dizer que queria ser actriz e participava em todos os teatros da escola.


- Com 17 anos muda-se para Lisboa. Como foi trocar a tranquilidade do Algarve pela agitação da capital?
-
Olhando para trás, penso que foi uma coisa muito gira. Foi um período de autodescoberta em que aprendi a sentir-me segura num sítio onde estava sozinha. - E foi fácil concretizar todos os projectos que tinha em mente sendo ainda uma adolescente?- Não foi fácil... Na altura não acabei o curso, por várias razões. Depois fui para Londres, para estudar teatro, mas acabei por me perder um bocadinho naquilo que queria. Era uma cidade muito grande e acabei por voltar para Portugal. "O Pedro é um companheiro para a vida. Sinto que encontrei a pessoa com quem posso ser eu própria." - É com a participação numa telenovela juvenil que ganha mediatismo. Como é que lidou com o facto de começar a ver a sua vida exposta nas revistas?- Foi numa fase em que estava muito ocupada, ainda estava a viver no Norte, e como passava o tempo a andar de um lado para o outro, isso passou-me um bocado ao lado. - Recordo-me que um pouco mais tarde surgiram na imprensa notícias que a ligavam a Miguel Melo... - Na altura fiquei um bocado triste com essas notícias, porque senti que estavam a invadir a minha vida. Falaram de coisas que não eram reais ou com uma dimensão que ultrapassava a realidade. E a coisa que mais me chocava era a nível profissional. Eu não queria ser vista dessa forma. Sempre quis ser reconhecida pelo meu trabalho como actriz e não por ser uma mulher bonita ou por ter namorado com esta ou aquela pessoa. - Mas namorou com o Miguel?- Sim, namorámos. Ele estava na Cornucópia e eu estava na Academia Contemporânea do Espectáculo e conhecemo-nos, porque trabalhávamos os dois no mesmo meio. Mas, honestamente, essas notícias não me atingiram. Continuei focada no meu percurso e naquilo que queria. - Olhando para trás, arrepende-se de alguma coisa?- Se pudesse, havia coisas que mudava. Teria de certeza acabado o curso e teria aproveitado para estudar mais. É a única coisa de que me arrependo. Porque tudo o resto que vivi reflecte-se na pessoa que sou hoje. - E quem é a Oceana?- Sou uma mulher insegura e que, por vezes, se vai abaixo. E preciso mesmo de ir abaixo para ganhar forças. É quase como reencontrar-me novamente para definir quem sou e o que quero fazer. Eu sou o género de pessoa para quem o dia teria de ter 48 horas, porque quero sempre fazer tudo. Sou muito exigente comigo própria. Acho que consigo atingir aquelas metas quase impossíveis. Sou muito lutadora e acredito sempre que o melhor está para vir. No fundo, sou uma mulher frágil e nas fases difíceis não gosto nada de expor as minhas fragilidades. "Sou uma mulher insegura e que, por vezes, se vai abaixo." - É igualmente exigente com os outros?- Não tanto. Aprendi a perceber que cada pessoa tem a sua forma de ver as coisas e que não posso impor os meus padrões de exigência. Antes, não tinha esta tolerância com as pessoas. - Para quem é tão exigente, não deve ser fácil lidar com os erros...- Muitas mulheres da minha geração sentem que têm de ser boas em muita coisa. Têm de ser boas mães, boas profissionais, boas donas de casa, boas amigas, boas mulheres... Acho que impomos a nós próprias coisas muito concretas para chegarmos à perfeição, e isso é impossível. Tenho a certeza de que falho. Não sou a mãe nem a amiga perfeita, mas tenho a certeza de que dou o meu melhor. Vivo muito para as pessoas que amo. - A maternidade mudou-a?- A maternidade trouxe-me, para além da responsabilidade, uma maior consciência como ser humano. O ser mãe também me trouxe muitos medos. Hoje em dia tenho muito mais medo do que pode acontecer. Antes, não sentia isso. E claro que com a Francisca descobri o amor incondicional. - Também descobriu o amor ao lado do Pedro...- Eu e o Pedro somos muito diferentes. Eu sou muito dinâmica e o Pedro é ponderado, acredita que há tempo para tudo... E isso ajuda-nos a encontrar o equilíbrio. O Pedro dá-me serenidade. O Pedro é um companheiro para a vida. Sinto que encontrei a pessoa com quem posso ser eu própria, com quem posso partilhar tudo de uma forma natural. Aceitamo-nos tal como somos. E ajuda sermos os dois actores, porque compreendemos as rotinas um do outro e não há cobranças. - Como é que é a vossa relação como família, uma vez que tanto a Oceana como o Pedro já tinham filhos de anteriores relações...- Damo-nos muito bem. Mas da Francisca sou a mãe, defino a educação. Ao Afonso não imponho a minha forma de educar ou de estar. No caso dele, sou mais a amiga que o ajuda a cumprir as regras. E respeito imenso a forma do Pedro e da mãe do Afonso o educarem. - Tem vontade de voltar a ser mãe?- Queremos ter mais filhos. Eu e o Pedro adoraríamos voltar a ser pais, mas para já não. Ainda quero construir muitas coisas a nível profissional. "Sou muito exigente comigo própria. Acho que consigo atingir aquelas metas quase impossíveis. Sou uma lutadora."

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