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Depois de ter sobrevivido a um incêndio, Alice Mateus já saiu do hospital: "Tenho de acreditar que me vou curar"

Redacção Caras
22 de dezembro de 2008, 00:00

Depois de ter passado seis semanas internada no Hospital de São José, em Lisboa, Alice Mateus, de 53 anos, já regressou a casa. Ainda em convalescença, tem bem presentes as marcas do incêndio ao qual sobreviveu, no passado mês de Outubro. A recuperar de queimaduras de 1.º e 2.º graus, que sofreu quando teve de enfrentar as chamas que consumiram o bangaló onde estava hospedada numa pequena ilha ao pé de Angra dos Reis, a empresária sabe que tem de enfrentar uma longa recuperação antes de poder retomar a sua vida normal. Nesta fase delicada, Alice conta com o apoio dos amigos e dos três filhos, João, de 30 anos, Miguel, de 28, e Joana, de 25, que têm sido companheiros sempre presentes.A empresária abriu as portas da sua casa, em Miraflores, e partilhou com a CARAS as mudanças que esta experiência trouxe à sua vida. "Sinto-me lindamente, mas tenho plena noção da gravidade da situação que vivi e da qual ainda tenho marcas." - Como é que foram estas seis semanas de internamento?Alice Mateus - Correram muito bem e eu reagi de forma muito positiva aos tratamentos que fiz no hospital. Sei que ainda não estou curada e que ainda tenho um longo período de convalescença pela frente, mas estou bastante optimista. E devo dizer que fui muito bem tratada por todos os profissionais que lá trabalham, sobretudo pela equipa da cirurgia estética e reconstrutiva chefiada pela Dr.ª Angélica de Almeida. - O tempo que passou no hospital também a deve ter ajudado a aceitar o que lhe aconteceu...- Foram semanas muito importantes para mim, porque tive tempo para rever toda a minha vida. Depois deste período, sei que fiquei um ser humano diferente e melhor. - Ficou uma pessoa diferente em que aspectos?- Analisei uma série de coisas na minha vida. Percebi que não damos valor às pequenas felicidades que nos acontecem todos os dias e que sou uma felizarda por ter os filhos e os amigos que tenho. Desde que aconteceu este acidente do qual, milagrosamente, saí viva, sinto que renasci. Por isso, tenho vivido em estado de graça. Estou cheia de vontade de viver e tenho tido muita energia para confortar as pessoas que ficam tristes por verem como o meu corpo ficou. Os meus amigos até costumam dizer que o meu optimismo é um bom exemplo para aquelas pessoas que andam tristes por causa daquelas pequenas coisas que nos acontecem no dia-a-dia. Sempre soube que não podia deixar-me ir abaixo. "Não preciso de olhar para o espelho para ver as minhas feridas." - Mas esse optimismo não pode estar a disfarçar o que realmente sente perante a gravidade da situação?- Sinto-me lindamente, mas tenho plena noção da gravidade da situação que vivi e da qual ainda tenho marcas. Só que tenho de acreditar que vou curar-me. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ficar boa. Neste momento, vivo um dia de cada vez. Já não vivo a longo prazo. Sei que as minhas feridas vão sarar. Essa é a prioridade. Depois logo se vê do que é que é preciso. - Quando olha para o espelho, vive bem com a imagem que agora vê?- Não preciso de olhar para o espelho para ver as minhas feridas. Mas sempre que as vejo, valorizo o facto de estarem a sarar, de ficarem mais discretas... Sei que não vou poder ir à praia e que tenho de ter muitos cuidados... Mas sei que vou melhorar. E se tiver de fazer uma cirurgia estética, não hesito. Aliás, posso até dizer que uma das coisas que quero fazer é tirar os papos dos olhos. - Acredito que já sinta saudades da sua vida normal...- Claro que sim. Tenho saudades de ir às festas, ao teatro, ao cinema... Adoro viver e sempre fui uma pessoa com uma vida social activa! Mas tenho muita sorte, porque os meus amigos vêm cá a casa e fazem-me imensa companhia. Sinto-me uma mulher muito querida por ter tantas pessoas que me apoiam incondicionalmente. "Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ficar boa. Neste momento, vivo um dia de cada vez. Já não vivo a longo prazo." - E os seus filhos também se revelaram excelentes companheiros...- Os meus filhos estiveram sempre comigo. E foi interessante ver o carinho deles. Quando os filhos crescem e ganham autonomia, às vezes esquecem-se de dizer: 'Mãe, amo-te.' E agora eles tiveram oportunidade de me dizer isso. Quando cheguei do Brasil e vi a aflição na cara deles, percebi o quanto gostam de mim.

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