Nas Bancas

Dedicada à família, Sandra Moya conta como reviu prioridades na sua vida

Redacção Caras
19 de dezembro de 2008, 00:00

Incansável, versátil e enérgica são palavras que poderiam descrever a empresária Sandra Moya, de 38 anos, até Fevereiro deste ano. Foi nessa altura que descobriu que o cansaço acumulado que sentia poderia ser mais do que isso. Quando lhe foram diagnosticados sintomas da invulgar doença de Behçet, assustou-se. Felizmente tinha (e tem) a seu lado toda a família, um exemplo de união, com quem partilha o universo pessoal e profissional: afinal, ela e os irmãos, Carlos, de 36 anos, e Miguel, de 31, gerem, em parceria com o pai, Carlos Moya, uma empresa de sucesso na área da restauração, que inclui, por exemplo, a Sagresjaria e os Harrods dos aeroportos nacionais. Já lá vão dez anos e, de projecto em projecto, o trabalho intensificou-se e o desgaste, a juntar ao facto de ser mãe de três filhos pequenos - Tomás, de nove anos, e Rodrigo, de sete, fruto de uma anterior relação, e Madalena, de três, já do seu casamento com Bernardo Daupiás Alves -, obrigou Sandra a abrandar o ritmo. O tema acabou por dominar a conversa que fez com a CARAS no âmbito de uma produção de Natal, para cujas fotos teve a companhia da mãe, Isabel Moya, da cunhada, Silvana, dos filhos e dos sobrinhos. "Quando me disseram que poderia ter a doença de Behçet, assustei-me." - Com tantas crianças, o Natal deve ser vivido de uma forma bastante intensa...Sandra Moya - Sim, é verdade. É uma época em que tentamos sobretudo passar os valores católicos às crianças, explicando-lhes que isto do Natal não são só os presentes. Mas claro que, sendo crianças, são muito sensíveis à parte material. - Teve um ano muito intenso, pois, além dos novos projectos, sofreu uma pequena intervenção ao coração. Os diagnósticos apontam para a doença de Behçet... Como é que tem encarado tudo isto?- Às vezes, pensamos que conseguimos fazer tudo e que o nosso corpo nunca se ressente de nada. E não é bem assim. Há dez anos comecei a trabalhar com o meu pai e, sendo a empresa nossa, damos o máximo. O que me aconteceu foi andar sempre a trabalhar para além dos meus limites. Claro que quando me disseram que poderia ter a doença de Behçet, fiquei assustada. Mas só se terá a certeza da doença caso os sintomas se tornem crónicos. "Tentamos passar os valores católicos às crianças e explicamos-lhes que isto do Natal não são só os presentes." - Mas como é que começou a perceber que algo estava mal?- Comecei a ter aftas e úlceras nas mucosas. E ninguém me conseguia explicar o que era. Tinha dores muito fortes e um incómodo horrível. Depois, percebi que os sintomas tinham de ser tratados como uma doença imunológica e por reumatologistas. E quando consultei a reumatologista, ela disse logo que tinha de mudar de vida, alterar o meu ritmo. E é o que estou a tentar fazer. - E está a ser fácil mudar os hábitos que tinha?- É muito complicado, mas, ao mesmo tempo, sei que tenho de pensar na minha saúde. Tenho três filhos pequenos e não posso pensar só no dinheiro e no futuro que lhes quero dar. Estou a reequacionar todos os valores. O que é que interessa uma pessoa ter dinheiro se depois não tem saúde para o gozar? Estou a mudar e tento dar mais atenção aos meus filhos, apesar de ainda me sentir um pouco cansada. E até já pedi às pessoas no escritório para me chamarem a atenção, caso vejam que estou a aumentar o ritmo. Não quero cometer os mesmos erros. "Quem sai a ganhar são os meus filhos. Antes, eu chegava a casa tão cansada que estava com eles, mas só de corpo presente, não estava de alma e coração." - Como é que a sua família reagiu a este seu esgotamento físico?- Ficaram preocupados e aconselharam-me a parar. Mas acho que esta situação também deve ser muito difícil para eles, porque estão habituados a que eu corresponda a todas as solicitações. Tenho filhos e nunca fiquei um dia em casa de baixa. E penso que, ao princípio, eles nem entendiam muito bem quando dizia que andava cansada... Mas agora já têm noção de que isto é uma coisa séria e estão a ajudar-me a evitar que esta doença se torne crónica. - Acha que o problema, ironicamente, acabou por dar maior qualidade de vida à sua família?- Acho que, de alguma forma, sim. Quem sai a ganhar são os meus filhos. Antes, eu chegava a casa tão cansada que estava com eles, mas só de corpo presente, não estava de alma e coração. E neste último mês eles têm tido a mãe. O meu marido, como também trabalha muito, ainda não se apercebeu muito bem de todas estas alterações. Como ambos tínhamos uma vida tão intensa, às vezes acabávamos por nos esquecer de nós. "Tenho três filhos pequenos e não posso pensar só no dinheiro e no futuro que lhes quero dar." - Acha que vai ser uma mulher mais feliz com esta mudança forçada de vida?- Vou ter de ser, e isso passa por definir novas prioridades.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras