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Depois do assalto à sua loja, Nuno Gama está pronto para recomeçar

Redacção Caras
11 de dezembro de 2008, 00:00

Há dois meses, Nuno Gama vivia um momento especialmente feliz, com a inauguração, no Porto, da sua primeira loja. Um espaço à sua medida, onde funciona também o ateliê. No último dia 2, no entanto, o criador enfrentou uma experiência bem diferente: ao chegar ao espaço, deparou-se com a fechadura arrombada, a loja quase vazia e peças de roupa espalhadas pelo chão. A loja tinha sido assaltada e os prejuízos ascendem a várias dezenas de milhares de euros.Nuno Gama voltava, assim, a ser testado, dez anos depois de um incêndio ter reduzido a cinzas toda a colecção que na altura tinha no seu ateliê. Sem fazer ligações entre os dois casos, o estilista precisa de descobrir o que aconteceu para poder seguir em frente. E promete não baixar os braços, embora precise de tempo para se recompor do choque. Se foi um ataque pessoal, uma perseguição ou um simples assalto, só a polícia poderá desvendar, e Nuno confia no trabalho da PSP. Enquanto não sabe a verdade, o criador, que já foi acusado de ter simulado o assalto para reaver o dinheiro do seguro, conta com o apoio dos amigos para seguir em frente. A CARAS conversou com o estilista sobre mais esta dura prova. - O que é que aconteceu exactamente?Nuno Gama - Quando cheguei à loja, apercebi-me de que a porta estava aberta, depois vi tudo revirado, algumas peças de roupa no chão, e percebi que tinha havido um assalto. Foi uma sensação estranha, de invasão do meu espaço, uma mistura de sentimentos...Chamei a polícia, comecei a contabilizar os prejuízos e a tentar encontrar soluções. - No dia seguinte, recebeu um telefonema suspeito...- Sim, ligaram-me a pedir o resgate da roupa, por três mil euros, mas tinha que ser tudo feito na hora. Leva-me a pensar que a loja foi assaltada por alguns miúdos que acharam piada à roupa, mas a reacção e o destaque que a imprensa deu à notícia prejudicou-os. Há peças únicas e modelos facilmente identificáveis, que foram fotografados em desfiles. Por outro lado, quem assaltou pode não ter nada que ver com o telefonema e este surgir por brincadeira de alguém que se quis aproveitar da situação e gozar comigo. Estou cansado e farto de não dormir. Este não é o meu papel na vida! - Se tivesse os três mil euros, teria pago?- A minha preocupação foi prolongar o prazo para contactar a polícia. Tenho necessidade de perceber o que está por detrás disto. Há muita gente que acha que foi um acto maldoso de alguém ressabiado. Não tenho necessidade de ver 'o' ou 'os' culpados fisicamente, mas gostava de compreender e saber qual é o tamanho do 'bicho'. Se é um 'bichinho' sensível ou se é um 'bicho' monstruoso que algures no tempo entrou na minha vida. - Acha então que foi um ataque pessoal?- Não sei. Sou uma pessoa extremamente positiva, não me meto com ninguém, só quero fazer as minhas coisas... - Mas também já o incriminam...- Magoa-me imenso! Já dei imenso a este país, à moda portuguesa, e acho que é uma vergonha as pessoas dizerem isso. Fica-lhes muito mal, é uma ingratidão enorme. Só podem ser pessoas malformadas ao ponto de julgarem os outros dessa forma. Quem me conhece sabe que consegui tudo o que tenho graças ao meu trabalho. Não pensem que por termos seguro ficamos com os problemas resolvidos. Os seguros não pagam a vida das pessoas. Transcende-me esse tipo de pensamentos. Uma pessoa roubar-se a si mesma? É absurdo. - Qual é o próximo passo?- Estimar os prejuízos, fazer promoções para escoar o resto de material e começar a trabalhar a colecção de Verão, que já foi apresentada. - Sente-se com força para seguir em frente?- Neste momento não, não sinto força nenhuma. Mas não vou baixar os braços. Vou precisar de algum tempo para reagir e conseguir respirar, mas a vida continua. É realmente isto que amo fazer. The show must go on...

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