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Maria João Abreu: "Estou apaixonada, mas não vou dizer por quem"

Redacção Caras
26 de novembro de 2008, 00:00

"É muito bom estar apaixonada. Sente-se umas cócegas na barriga, dá choques eléctricos, vemos borboletas no ar, estrelinhas a piscar..." Julgar-se-ia que a frase anterior pertence a uma adolescente que encontrou o amor pela primeira vez. Na verdade, foi dita por Maria João Abreu, que, aos 43 anos, voltou a amar como se fosse a primeira vez e não conseguiu esconder o brilho nos olhos quando lhe perguntámos se voltara a apaixonar-se depois do divórcio. A actriz acabou por assumir que sim, um ano e três meses depois de se ter separado do também actor José Raposo, com quem esteve casada quase 23 anos e de quem tem dois filhos, Miguel e Ricardo, de 21 e 15 anos, respectivamente. Numa entrevista em que falou aberta e descontraidamente, Maria João, que faz o papel de Sofia na novela Feitiço de Amor, abriu o livro da sua vida, revelou medos que a acompanhavam desde a adolescência e a impediam de arriscar, até ao dia em que decidiu dar um passo em direcção a uma nova vida. "Casei-me com vinte anos e tive logo filhos, o que me impediu de viver muita coisa. Este ano vivi coisas maravilhosas." - No último ano a sua vida mudou bastante...Maria João Abreu - No último ano a minha vida mudou muito, mesmo. O que mais mudou foi ter perdido o medo de muita coisa. O medo e os preconceitos. E também o facto de ter conseguido desatar muitos nós. Havia coisas que há um ano aconteciam e eram um problema enorme e hoje vejo tudo de outra forma. E falo de coisas de infância, de família, da igreja... Medos que nos imprimem e que não nos deixam arriscar. Enfim, este ano atingi o tal equilíbrio e serenidade de que tanto precisava. - Sentia-se oprimida?- Um pouco, sim. Tentei sempre romper com isso, mas às vezes não se consegue totalmente. Depois, acontece-nos uma mudança drástica na vida que, mesmo sendo de forma amigável, quebra hábitos. Porque ao fim de 22 anos e meio de casamento, não é fácil mudar todos os hábitos. E isso serviu para reformular tudo na minha vida. Depois disto, perdi o medo de quase tudo. Porque eu casei-me com vinte anos e tive logo filhos, o que me impediu de viver muita coisa. "Foi uma separação amigável (...) Na altura dói, mas agora olho para trás e vejo que foi bom ter-me separado, porque renasci." - E no último ano conseguiu recuperar algum desse tempo, digamos, 'perdido'?- Este ano vivi coisas maravilhosas, sempre com os meus filhos e amigos deles. Coisas que vivi fora de tempo, o que acabou por ser bom, porque as vivi com outra maturidade e segurança. - O que motivou a vossa separação?- Sei lá... Penso que foi um pouco a saturação, o desgaste, o facto de termos trabalhado muito tempo juntos... Nos últimos dez anos fizemos quase tudo juntos. - Mas ficou uma amizade?- Ficámos amigos, sim. Foi uma separação amigável, e isso é que é importante. No início é sempre complicado, porque na altura dói. Mas agora olho par trás e vejo que foi bom ter-me separado, porque renasci... estou a viver uma segunda vida, e penso que tenho direito a isso. E ele também. De repente descobri coisas maravilhosas das quais me tinha esquecido sem querer. Pelas cedências que houve, por viver muito para os outros e esquecer-me de mim... Não é que agora vá renegar os outros, mas lembro-me de mim assim que acordo. Estou muito feliz. "Tenho uma relação muito próxima com os meus filhos, é muito giro. Eu levo-os a ver fado e eles levam-me a ver concertos 'rock'. É um intercâmbio fantástico." - Ficou a viver com os seus filhos? - Claro que sim. Sou muito mãe-galinha, não podia ser de outra forma. [risos] Sempre tivemos uma relação de grande amizade, e agora mais do que nunca. Eles andavam sempre connosco, mas agora houve uma aproximação ainda maior. Eles até tomaram conta de mim neste período, sentiram-se os homens da casa. - E lidaram bem com a separação?- Penso que sim. Quebrar com os padrões normais é sempre complicado, mas mais tarde, quando se percebe bem as coisas, chegamos à conclusão de que afinal não é assim tão mau. E, depois, tenho uma relação tão próxima com os meus filhos, o que é muito giro. Levo-os a ver fado e eles levam-me a ver concertos rock. É um intercâmbio muito giro. - Outra das grandes mudanças foi a sua imagem...- Sim, mas isso começou quando ainda não me tinha separado. Fiz uma dieta grande nessa altura. E o resto foi mudando com os vários papéis que entretanto fui fazendo e que me obrigaram a mudar de imagem. "Este ano foi muito bom estar mais com os meus filhos, poder viajar, ver concertos, sair à noite, dançar... Foi libertador." - Uma dieta grande?- Sim, no Dr. Fernando Póvoas. Há cerca de dois anos e meio estive no Porto a trabalhar e engordei bastante... [risos] Depois decidi fazer uma dieta e emagreci mais do que era suposto, mas senti-me bem com isso. - Perdeu muito peso?- Perdi dez quilos em relação ao que tinha engordado na altura, mas em relação à minha média perdi por volta de seis, sete quilos. Mas foi bom até para a minha saúde. - E melhorou também a sua auto-estima?- Também, sim. As pessoas têm-me dito que pareço mais nova, e isso alimenta-me o ego. - Na verdade, a opinião geral é a de que parece outra pessoa...- É verdade. Em termos de imagem e emocionalmente também. Mas penso que todos nós mudamos ao longo da nossa vida, desde que não tenhamos a mente fechada. É bom mudar. - Neste processo fez alguma operação plástica?- Levantei o peito. Sempre tive o peito grande, mas como amamentei, e depois com a perda de peso, a força da gravidade... [risos] Enfim, decidi levantar o peito, não aumentar. Corte e costura, mesmo. "Perdi dez quilos em relação ao que tinha engordado (...) emagreci mais do que era suposto, mas senti-me bem com isso." - Ficou satisfeita?- Muito satisfeita. - Mais uma vez se aplica a 'mente aberta a novas experiências'.- Sim, não tenho preconceitos. Fi-lo muito porque sou actriz e vivo da imagem. E às vezes tenho que usar vestidos compridos e outras roupas, e o público gosta de ver uma mulher elegante. Aliás, depois de ter o meu segundo filho pensei logo fazer isso, mas tinha medo. Mais tarde enchi-me de coragem e fiz. - Hoje é uma mulher confiante?- Sou uma mulher mais confiante. Porque eu sou muito insegura, sobretudo profissionalmente. - Como combate essa insegurança?- Acreditando nas pessoas com quem trabalho. Confiando. "Tento não pensar no futuro. Estar na vida sem pretensões é o meu ideal. Hoje é bom, amanhã logo se vê." - Está separada há mais de um ano... Voltou a apaixonar-se?- Sou uma mulher apaixonada por tudo... apaixono-me todos os dias. [risos] Estou apaixonada, sim. Não vou dizer por quem, mas estou muito apaixonada. - Pensa voltar a casar-se?- Sei lá... Se me pedirem em casamento! Mas não penso muito nisso, tento não pensar no futuro. Estar na vida sem pretensões é o meu ideal. Hoje é bom, amanhã logo se vê. - E como reagiram os seus filhos ao verem a mãe novamente apaixonada?- Muito bem. Eles querem é ver a mãe feliz. - Profissionalmente, como tem corrido Feitiço de Amor?- Tem sido tranquilo. Quando fazemos o que gostamos com uma equipa fabulosa, tudo corre bem. É um privilégio trabalhar com este elenco e com esta história, ainda por cima com actores fantásticos. - A sua personagem tem um registo diferente daquilo que costuma fazer...- Isso é que é interessante. O desafio para um actor é mudar constantemente. Antes de surpreender o público, é bom poder ser surpreendida. Descobrir que sou capaz de fazer coisas diferentes. Até uma determinada idade, a preocupação é não desiludir os outros, e continuo com essa preocupação. Mas é muito importante sentir-me bem e gostar do que faço. "No último ano a minha vida mudou muito, mas o que mais mudou foi ter perdido o medo e os preconceitos." - Sente-se mais realizada com esta personagem?- Gosto muito desta personagem. Identifico-me com a Sofia em alguns aspectos, sobretudo nesta fase da minha vida. Porque ela consegue manter um equilíbrio, uma serenidade e um bem-estar que eu também tenho neste momento. Há uma grande analogia entre nós neste momento da minha vida. Noutros talvez não. É engraçado que esta personagem veio na altura certa, foi um presente para mim. Aprendo muito com ela. - E outros projectos?- Em Janeiro começo a ensaiar uma peça no Maria Matos. Estive um ano sem fazer teatro, mas por opção, porque sempre fiz teatro, o que significa que estive muito tempo privada de jantar com amigos, estar com os meus filhos... Por isso, este ano foi muito bom poder ter fins-de-semana, estar mais com os meus filhos, viajar, ver concertos, sair à noite, dançar... Foi um ano libertador.

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