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Carlos Medeiros: "Não sei bem onde começa a minha vida pessoal e acaba a profissional"

Redacção Caras
19 de novembro de 2008, 00:00

Lifestyle é uma expressão indissociável da vida deste empresário, que vende diariamente na sua empresa de catering e produção de eventos, a Cateri. Aos 45 anos de vida e 21 de carreira, Carlos Medeiros confessa ser "um frenético por natureza". Tão depressa está em Paris, como em Nova Iorque e no dia seguinte em Lisboa. Consequentemente, acaba por arrastar as pessoas consigo, nomeadamente a filha, Marta, de 12 anos, que já correu meio mundo na companhia do pai. - As viagens fazem parte do seu dia-a-dia...Carlos Medeiros - Sim, quer pessoalmente, quer na minha qualidade profissional de produtor de eventos. Faço viagens, quase mensais, onde alio a minha vida pessoal à profissional. Isto porque, como não há tempo para fazer férias, faço uma mistura de business com pleasure. Não sei muito bem onde começa a minha vida pessoal e acaba a profissional. "Trouxe a Marta para o meu mundo. Se tenho uma produção, a minha filha vem comigo, seja para Paris, Nova Iorque, para onde for." - Com 21 anos de carreira, considera-se um homem de sucesso nos negócios?- O que é isso ser de sucesso? Tenho uma frase que uso bastante: "Não quero ser o melhor, quero ser diferente." Acho que consegui atingir os objectivos a que me propus. Contudo, estou longe de achar que é isto, porque sou um eterno insatisfeito. No entanto, sou um homem agradecido com a vida. Considero-me, sim, um homem super-realizado. - É um homem de grandes ambições?- As minhas ambições não passam por coisas megalómanas. Acho que o dinheiro serve para partilharmos bons momentos com a família e os amigos. A ambição faz parte, as pessoas têm de ser ambiciosas. É uma das coisas que passo à minha filha. Agora sempre com a regra: ambição muito por medida, com metas, objectivos, sem passar por cima de ninguém e sempre com muita partilha. - Então não é um sonhador, é mais terra-a-terra?- Não. Sou terra-a-terra, mas muito sonhador. Sempre disse à minha mãe que quando fosse adulto iria viajar e passar a vida a fazer coisas fantásticas. Na altura não sabia o quê, mas consegui. Acho que todas as pessoas têm de ser sonhadoras. O sonho não paga imposto e faz parte da nossa vida. "As relações, quando são saudáveis, podem durar uma eternidade. Eu quero encontrar novamente uma pessoa..." - Como é o dia-a-dia de um homem de negócios? Atribulado, suponho...- Trabalho cerca de 12 a 14 horas por dia. Chego todos os dias ao escritório por volta das 8h15. Normalmente, sou o primeiro a chegar e o último a sair. É alucinante. A minha agenda raramente é cumprida ao detalhe. Por vezes acho que tenho uma agenda definida para o dia, mas assim que chego ao escritório, rapidamente sofre transformações na ordem dos 40 ou 50%. - Tudo para si é trabalho?- Tudo para mim é trabalho e prazer. Não consigo separar as coisas. É horrível. Misturo a vida pessoal com a profissional. Sou um frenético por natureza, estou sempre de um lado para o outro e, obviamente, acabo por arrastar as pessoas comigo também... Acho que até sou uma pessoa fácil de lidar no dia-a-dia, mas muito complicado no trabalho. - Não acha que trabalha de mais?- Às vezes acho que sim, e quando temos filhos, pensamos: será que estou a perder o comboio? Eu fiz ao contrário: trouxe a Marta para a minha vida. A ideia é: como tenho pouco tempo disponível para ela, trouxe-a um bocadinho para o meu mundo. Por exemplo, se no fim-de-semana tenho uma produção, ela vem comigo, seja para Paris, Nova Iorque, Lisboa, para onde for. Fazemos isto desde os quatro anos dela, o que até teve algum efeito negativo, porque ela acha que a vida hoje é só lifestyle. - Aprendeu com o pai...- Exactamente. Ela tem 12 anos e vive comigo, pois estou separado da minha mulher. Hoje em dia, já estou a fazer quase contra-informação, fazê-la parar e pensar: "Atenção, isto é o meu trabalho." E é nisso que temos de ter muito cuidado, em não confundir alguns momentos com a realidade. "As minhas ambições não são megalómanas. Acho que o dinheiro serve para partilharmos bons momentos com a família e os amigos." - Talvez ela não tenha ainda maturidade para os separar...- Claro que não, mas eu tenho a obrigação, como pai, de começar a protegê-la. Devido ao meu trabalho, tenho poucos momentos com ela, mas os que tenho são de muita qualidade. E tenho também outra coisa fantástica, a minha mãe. Quando eu saio, ela entra. - A Marta não se queixa dessa ausência?- Não, porque sempre esteve habituada a isso. Ela acha que tem uma vida giríssima, pois cresceu neste ambiente. A mãe dela é assistente de bordo, eu sou produtor, toda a vida ela se habituou a ver-nos viajar. E ela também, porque nos acompanhava. É óbvio que por vezes reclama por eu não estar em casa ou não ir jantar, mas depois também lhe digo: "Não estou em casa para tu teres uma vida gira como tens." Nada é perfeito, não há momentos nem famílias perfeitas, tentamos fazer o melhor dentro do possível. - Que género de relação têm?- Ela partilha tudo comigo. E faço questão de, mesmo que chegue a casa às 5h da manhã vindo de uma produção ou nem durma, estar a pé às 7h e meia da manhã para às oito a levar à escola. Todos os dias temos essa meia hora juntos, onde podemos conversar. É um momento sagrado Depois, quando tem telemóvel - que nem sempre tem, porque lho tiro quando se porta mal -, tento acompanhá-la à hora de almoço, jantar... - Terá sido o seu ritmo de trabalho que provocou o divórcio?- Não. Divórcio não tem nada que ver com trabalho. Ou se gosta ou não da pessoa com quem se vive. Acho que quando se gosta, não há nada que abale a relação. O que o meu trabalho tem, e isso é a parte perigosa, é a abertura diária que nos dá. Quando temos uma vida em que conhecemos 100 pessoas por mês, em que passamos por dois ou três países, é óbvio que a visão que temos é de 360 graus a cada hora. E isso pode tornar-nos insatisfeitos. Mas as relações, quando são saudáveis, podem durar uma eternidade. Eu quero encontrar novamente uma pessoa, não pense que fiquei traumatizado... Mas acho que quando se gosta, esta até é uma vida supercriativa e duradoura, porque não há nada pior na vida do que a monotonia. E isso é coisa de que não me posso queixar.

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