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Marta Rebelo: Uma mulher que dá cor à política

Redacção Caras
13 de novembro de 2008, 00:00

Assume-se como extrovertida e irrequieta. Não nega a vaidade, nem se esquece de dizer que é competente no que faz, seja como jurista ou como deputada do Partido Socialista. Aos 30 anos, já viveu um processo de divórcio, mas garante que continua a ser uma mulher de paixões e emoções fortes, ainda que disciplinada e metódica. É fanática pelo Benfica, discute os aspectos do jogo com o mesmo à-vontade com que analisa o Orçamento de Estado, uma vez que as suas especialidades são as finanças públicas e o Direito Fiscal. A política não tem que ser cinzenta, gosta de dizer, ainda que confesse ser difícil lutar contra o preconceito de ser uma mulher bonita num mundo de homens. "É difícil ser levada a sério", desabafa na entrevista que se seguiu a uma produção fotográfica de várias horas. - Quem é a Marta Rebelo? Marta Rebelo - Sou uma pessoa extrovertida que gosta de se rir, porque é fundamental para viver. Sou metódica, disciplinada, teimosa e irrequieta, porque gosto de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, ainda que já tenha aprendido que não poderei fazer tudo o que gostava de fazer. Vivo a tentar equilibrar as minhas existências e as minhas dúvidas existenciais. Penso que sou boa amiga, adoro conversar e acho que sou competente no que faço, o que numa jovem mulher na política já não é pouco. - Por aquilo que acabou de dizer, sente que é levada a sério enquanto deputada? - Um amigo já me disse milhares de vezes que uma mulher para ser levada a sério tem de fazer a prova duas vezes. É verdade. Muitas vezes sinto esse preconceito, mas como já ultrapassámos tantos preconceitos, vamos também conseguir ultrapassar este. Confesso que nem sempre encaro esta situação com o mesmo ânimo, mas luto todos os dias contra ele sem a certeza de que no fim me vão levar a sério. - Assume-se como um dos rostos da tão falada renovação da classe política nacional? - Esse é um peso tremendo para colocar nos ombros de qualquer pessoa! Não quero ter esse peso, nem espero que o coloquem nos meus ombros. Até porque essa renovação tem de passar por mais do que a imagem de uma pessoa ou de um grupo de pessoas. Posso ter ar de miúda, ser a mais nova do meu grupo parlamentar ou até ter uma imagem diferente, mas eu sou assim no Parlamento ou fora dele. Sou fiel a mim própria e penso que essa é a melhor forma de honrar o mandato de deputada. - Mudou a sua forma de ser pelo facto de ser deputada? - Procuro, seja como deputada ou em qualquer outra actividade, não mudar a pessoa que sou. É verdade que as circunstâncias acabam por nos mudar, mas tento resistir a isso. Até porque poderá ser algo pernicioso. O sistema político já vive momentos maus, em parte pela opinião que os portugueses têm dos políticos. Existe um perfil preconcebido onde todos temos que encaixar: cinzentos, chatos, aborrecidos, já para não falar de coisas menos simpáticas e mais obscuras. Ora, como eu não me considero nada dessas coisas, procuro continuar a ser igual a mim própria. Paradoxalmente, a maior mudança é que me tornei ainda mais extrovertida. - Quais são os seus objectivos políticos? Quer chegar ao Governo? - Sinceramente, não sei onde este comboio vai parar e até prefiro não saber. Ao contrário do que muitas pessoas pensam sobre mim, não sou astuta, nem tenho a minha vida totalmente planeada. Sei os meus planos para o curto e o médio prazos, mas não encaro a política como uma carreira. Sou jurista e assistente universitária. - E que planos são esses? - Ao contrário do que se possa pensar, são planos banais, comuns a quase todas as pessoas, como, por exemplo, ter filhos, escrever um livro e plantar uma árvore... - Nessa sequência não falta primeiro apaixonar-se, eventualmente casar-se e depois, sim, ter filhos? - Não. [risos] Neste momento não faço parte desse departamento dos apaixonados. E, na verdade, já fui casada. O meu estado civil é o de divorciada. - O que aconteceu ao seu casamento? - As relações humanas desgastam-se. Foi o que aconteceu com o meu casamento. - Vive sozinha. Tem tempo e paciência para a sua casa ou é simplesmente um local de passagem? - Sou a verdadeira fada do lar. [risos] Por influência da minha avó materna, com quem passei uma boa parte da minha infância, além das normais tarefas domésticas, sei coser, cerzir e até fazer croché. E, já agora, também sei cozinhar maravilhosamente. - Que expectativas tem sobre o impacto desta produção fotográfica? - Esta sessão fotográfica espelha aquilo que sou e como se costuma dizer que uma imagem vale mil palavras... Também aceitei o convite para satisfazer a curiosidade das pessoas que gostam de saber um bocadinho mais sobre aqueles que estão sentados no Parlamento a decidir aspectos relevantes para o País. Agora, só espero que as fotografias fiquem bonitas, divertidas e, sobretudo, que passem a minha mensagem de uma forma mais descontraída. - Tem noção de que estas fotografias vão também transmitir a imagem de uma mulher feminina e muito próxima do mundo da moda... - Sim, sem dúvida. Mas nunca escondi que sou feminina, nem pretendo fazê-lo. Como todas as pessoas, tenho a minha quota de vaidade. Quem não é vaidoso é mentiroso, mas tento ser vaidosa quanto baste e sem excessos. É verdade que gosto de roupa e de me sentir bem vestida e de forma adequada a cada situação. - Ganhou um certo mediatismo por ter assumido publicamente o namoro com o jornalista Pedro Rolo Duarte, relação entretanto terminada. Como lidou com essa situação? - Existem duas situações que detesto. A primeira é que digam que sou parecida com alguém, mesmo quando sou a fotocópia dessa pessoa. A outra é colocarem-me um rótulo: 'Marta Rebelo namorada de', 'Marta Rebelo mulher de'. É muito injusto que as pessoas sejam conhecidas pelas suas relações, porque qualquer um de nós é muito mais do que isso. - Mas como encara essas situações? - São custos de viver e, como noutras situações, aprende-se a lidar com elas. A deputada, jurista e professora assume-se como extrovertida e risonha, assim como metódica, disciplinada e teimosa.

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