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Maria João Luís: "Gostava de fazer o que faço, mas ser anónima"

Redacção Caras
13 de novembro de 2008, 00:00

Actualmente, Maria João Luís, de 44 anos, é a mulher de cabelo alaranjado com momentos de gaguez que todas as noites aparece na novela Feitiço de Amor. Maria Antónia já é uma personagem de sucesso aplaudida pela crítica. Aliás, aplausos não têm faltado na carreira da actriz, que recebeu uma ovação de todos os seus pares na Gala da Ficção Nacional.Apaixonada pelo que faz, Maria João confessa que a mulher que está por detrás de todas as personagens fortes que interpreta é alguém frágil que tem no marido, Pedro Domingos, de 38 anos, e nos três filhos, Jaime, de 11 anos, Artur, de nove, e Lucas, de quatro, a sua essência.Foi numa conversa franca que a actriz partilhou com a CARAS a experiência de viver os seus papéis preferidos - o de mãe e o de mulher. "Sou uma pessoa bastante frágil, comovo-me com tudo. Não gosto que as pessoas tenham a ideia de que sou uma mulher forte." - Quem é a Maria João fora dos palcos?Maria João Luís - Sou uma pessoa bastante frágil, comovo-me com tudo. Não gosto que as pessoas tenham a ideia de que sou uma mulher forte. Há dias, alguém me disse que antes de me conhecer tinha medo de mim, porque tenho uma imagem tão altiva, tão segura... E é a pior coisa que me podem dizer, porque não sou assim, sou o oposto. - Incomoda-a saber que as pessoas podem ter uma imagem de si que não corresponde à realidade?- Incomoda-me. As pessoas, às vezes, criam uma imagem de mim que talvez esteja mais relacionada com os papéis que faço. Se pudesse passar despercebida, passava. Gostava de fazer o que faço, mas ser anónima. Sou extremamente orgulhosa daquilo que sou como pessoa, mas isso não me impede de ser uma pessoa humilde. "Sou uma pessoa do campo. Gosto de ter galinhas e patos para me entreter." - Mas apesar de ser uma das actrizes mais conhecidas do público, tem conseguido manter-se longe de mediatismos...- Há uma coisa de que sou incapaz, que é de viver na cidade. Sou uma pessoa do campo. Gosto de ter galinhas e patos para me entreter. É desse ambiente que gosto. E eu e o meu marido quisemos que os nossos filhos crescessem rodeados disso, fora do rebuliço da cidade. Eu não faço parte do mundo mediático, não me vêem nos eventos. E das primeiras vezes em que fui a uma festa fui surpreendida com uma coisa completamente descabida, que foi aquela coisa entre mim e o António Pedro Cerdeira, de quem sou amiga há anos. Agora falamos com alguém ao ouvido e temos um caso! - Como é que a Maria João e a sua família lidaram com essa situação?- Eu fiquei realmente chateada com isso. O que vale é que tenho uma família fantástica e um marido fora de série. Quando lhe liguei, muito aflita, a dizer que uma revista tinha feito capa comigo e com o António Pedro Cerdeira, o meu marido estava no Algarve com os nossos filhos e só me disse: 'O teu filho Lucas está a ficar com uns olhos verdes tão lindos como os teus.' E contra factos não há argumentos. "O segredo de um casamento feliz é o amor. Continuo tão apaixonada pelo meu marido como no início da nossa relação." - Qual é o segredo para se manter uma relação tão cúmplice?- O segredo de um casamento feliz é o amor. Continuo tão apaixonada pelo meu marido como no início da nossa relação. Há entendimentos e desentendimentos, a perfeição não existe, e ainda bem, porque uma relação perfeita devia ser uma chatice. Sabemos que temos de nos aceitar como somos e respeitar a individualidade e o espaço de cada um. E no meu casamento há essa atitude. O amor é a coisa mais maravilhosa da vida. - E como é que é ser mãe de três rapazes?- É óptimo, porque sou muito mimada. Sou a princesa dos meus filhos, que são os príncipes. E é lindo vê-los crescer e construírem as suas personalidades. - Na Gala da Ficção Nacional, a Maria João foi aplaudida de pé pelos seus colegas. O que é que sentiu nesse momento?- Não estava nada à espera que me fizessem aquela ovação. Uma das coisas que tenho vindo a tentar ganhar é alguma qualidade humana. Já trabalhei com muitas pessoas e penso que elas acabam por ficar minhas amigas. Não é somente trabalho, criamos uma relação mais profunda. Sou curiosa e interesso-me muito pelas pessoas e preocupo-me com elas e com os seus problemas. E tento ter uma atitude de grande entrega quando estou a trabalhar. Valorizo sempre o que há de bom nesta profissão e não dou importância nenhuma às coisas mesquinhas que acontecem neste meio, como em qualquer outro. "Sou extremamente orgulhosa daquilo que sou como pessoa." - Mas acha que a ovação foi para a Maria João actriz ou para a pessoa que é?- Foi para as duas. Por um lado, aplaudem o meu trabalho, que sei que muitos deles apreciam genuinamente, e, por outro, recebi aplausos pela minha forma de estar na profissão. Uma coisa que tenho procurado é a seriedade em tudo aquilo que faço. Há uns tempos, ouvi um atleta que ganhou oito medalhas dizer que aqueles prémios eram para a professora de Inglês que lhe disse que ele nunca ia ser nada na vida. Eu tenho uma história idêntica. Também houve alguém que me disse que eu nunca ia ser boa pessoa. Foi um colega meu na escola, uma verdadeira parvoíce. Mas esta frase está muito presente sempre que faço alguma coisa com importância. E a minha luta é essa: ser boa pessoa. - E sente que já ganhou essa luta?- Falho imenso. Mas procuro ser sempre melhor. Daí que aquela ovação dos meus colegas tenha tido tanta importância para mim. - Os seus pares e o público consideram-na uma das melhores actrizes nacionais. E a Maria João, já se vê como uma das melhores na sua área?- Tenho fases. Eu não sou muito modesta. Acho que a modéstia é muito perigosa, mas tenho noção de quando falho. Tenho uma grande presença de espírito em relação ao meu trabalho. Sei quando está bem, quando está muito bem, quando não está tão bem... Sou a maior e a melhor crítica daquilo que faço. "Não sou muito modesta. Acho que a modéstia é muito perigosa, mas tenho noção de quando falho." - Quando o seu desempenho não corre como espera, como é que fica?- Com alguma frustração, porque não cheguei àquilo que queria. E fico com um grande inconformismo e com uma vontade enorme de voltar a fazer aquele determinado papel, mas dessa vez bem. Os papéis difíceis são os que não faço bem. Aqueles que faço bem são manteiga, muito fáceis. Textos que eu entenda de imediato, sei que vai resultar, e é disso que gosto.

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