Nas Bancas

Joana Seixas: "Gostava de ter mais filhos em breve e não quero só um"

Redacção Caras
16 de outubro de 2008, 00:00

Não gosta especialmente de aparecer nas páginas das revistas, embora entenda que pode ser importante para a sua vida profissional que isso aconteça. Gosta de guardar para si momentos mais especiais da vida pessoal, mas também compreende que exista curiosidade sobre eles. Aos 32 anos, Joana Seixas tornou-se um rosto incontornável da representação em Portugal e teve de aprender a conviver com as consequências da exposição pública. Parece ter encontrado um equilíbrio, e neste momento é evidente que vive uma fase feliz tanto a nível pessoal como profissional. No papel da protagonista da novela da SIC Podia Acabar o Mundo, Vera Sarmento, a actriz tem vivido emoções difíceis de esquecer: "A Vera é uma personagem com muitas dimensões e muito complexa. Para mim, esse é o lado interessante dela, pois deixa o espectador na dúvida sobre qual será o rumo ou objectivo dela. Está a ser um trabalho muito interessante." Foi na sequência de uma manhã divertida e descontraída, onde foi evidente o à-vontade da actriz diante da máquina fotográfica, que Joana conversou com a CARAS e revelou o desejo de ser mãe para o ano, assim como falou da sua separação de João Reis, de quem tem um filho, Francisco, de sete anos, e da felicidade por ter encontrado Pedro Xavier, proprietário de uma quinta pedagógica em Loures, com quem namora há três anos e meio. "Quando falam comigo e não estou camuflada com a personagem, sinto-me intimidada." - Li que assim que conheceu o Pedro sentiu que ele era o homem perfeito para si. É uma sensação especial, a de sentir que encontrou a sua cara-metade?Joana Seixas - Foi um pouco estranho, mas de facto com o Pedro foi assim: quando comecei a conhecê-lo e a criar uma relação com ele, percebi que não havia 'volta a dar'. [risos] O Pedro é uma pessoa que encaixa na minha vida na perfeição. Para além de ter um sentido de humor fantástico, o que para mim é fundamental, e de ser uma pessoa que está de bem com a vida, dá-se muito bem com o Francisco e lida muito bem com a minha profissão. Não é fácil uma pessoa entrar numa relação já com um filho e com os acréscimos todos que a minha profissão tem. Ele encara tudo com tanta naturalidade que até eu passei a levar mais a vida dessa forma. [risos] - A opinião do Francisco foi relevante para que a relação pudesse evoluir?- No início tive esse cuidado e não sei o que teria acontecido se as coisas tivessem tomado outro rumo. Para mim, foi quase milagroso, pois nem precisei de dizer nada ao Francisco, a cumplicidade entre os dois foi logo evidente. O Francisco ainda nem sabia que éramos namorados e a relação deles já era fantástica. - O seu desejo de ter mais filhos deve-se também ao facto do Pedro não ter filhos?- Também. Para mim era importante não ter um filho único, apesar do Francisco já ter irmãos da parte do pai. Ele é filho único em minha casa e por isso queria muito dar-lhe um irmão. O Pedro, além de ter um trabalho no qual lida com crianças, tem de facto muito jeito para elas e seria quase criminoso que ele não pudesse partilhar comigo essa experiência. Gostava de ter filhos em breve e não quero apenas mais um. [risos] "Não é fácil entrar numa relação já com um filho e com os acréscimos que a minha profissão tem." "Não é fácil entrar numa relação já com um filho e com os acréscimos que a minha profissão tem." - Nota-se que gosta de planear as coisas. Também vai ser assim com a gravidez?- Tem de ser, gostaria imenso de ter oportunidade para deixar andar, mas infelizmente vivo do meu trabalho e o meu trabalho da minha imagem. Não posso arriscar a sorte, tem de haver um planeamento para que não coincida com um período de muito trabalho. Pode ser que para o ano seja a altura indicada. [risos] - Incomoda-a ter de planear a sua vida em função do trabalho?- Não. Gostaria de me sentir mais livre nesse aspecto, mas não perco muito tempo a pensar nisso. Acho que a partir de determinada altura poderei simplesmente começar a pensar em ter um filho e focar-me nisso. - Sendo uma pessoa que gosta de ter tudo planeado, a precariedade desta profissão não a assusta?- Acho que não. Felizmente nunca sofri com os períodos de paragem, até porque tenho tido a sorte das coisas encaixarem de uma forma natural. O que me custa mais é quando há convites em simultâneo e tenho de optar, pois fico sempre a pensar se terá sido a decisão correcta. Depois, também não fico parada com nada. Se não tiver trabalho como actriz, rapidamente arranjo qualquer coisa, até porque tenho várias áreas de interesse. - A Vera é uma personagem com uma grande ambição profissional. Segundo me parece, bem diferente da Joana...- Mais do que ter uma grande ambição, tem uma grande paixão pela profissão, nasceu para ser advogada. Eu também tenho uma grande paixão pela minha profissão, pois é preciso ser-se muito persistente e ter-se uma certa dose de loucura para se entrar nesta área. Acho que é uma paixão que tem vindo a crescer dentro de mim e que me faz gostar cada vez mais do que faço, embora ainda não saiba muito bem lidar com algumas das coisas que esta profissão traz, como o reconhecimento público. Quando falam comigo e não estou camuflada com a personagem, sinto-me intimidada. Quando estou em personagem, podem perguntar-me o que quiserem e terem as brincadeiras que entenderem, quando acontece comigo, sinto-me invadida e retraio-me. "É preciso ser-se muito persistente e ter uma certa dose de loucura para se entrar nesta área." - Mas já está mais habituada a ser reconhecida e a que falem de si...- Já, com os anos a pessoa também vai descontraindo. E, depois, as perguntas complicadas, as fotografias, as produções, tudo faz parte e temos de nos habituar a que assim seja. Já não stresso como antes, mas confesso que ainda tenho uma certa dificuldade em lidar com a minha imagem enquanto Joana. - É crítica em relação ao seu trabalho?- Imenso, e sou muito minuciosa, pois não gosto nada de ver gestos pessoais nas personagens. Mas acho que, apesar de tudo, consigo encontrar um equilíbrio entre aquilo que gostava que fosse e aquilo que depois vejo como resultado. - A sua personagem passa por um processo de obtenção da custódia de um filho. A Joana também passou por uma separação, mas aparentemente não teve dificuldades em manter a amizade com o João Reis...- Felizmente sempre conseguimos manter uma excelente relação e claro que à frente de tudo vem sempre o Francisco. É sempre importante pensarmos que antes de qualquer coisa relativa à nossa relação existe uma criança que tem de ser protegida. - O Francisco é filho de actores e deve estar habituado aos horários exigentes. Alguma vez lhe pediu mais atenção, mais dedicação?- Não, porque todas as minhas escolhas são feitas em função do Francisco. Nunca pus o trabalho à frente do Francisco. Por exemplo, o ano passado era impossível para mim estar a fazer um trabalho de protagonista, pois foi o primeiro ano de escola do Francisco e queria estar o máximo de tempo possível com ele. Era uma transição complicada que precisava de apoio, por isso, estive sempre presente. - Sente que a maternidade a tornou uma mulher diferente?- Apesar de ter as minhas inseguranças no meu trabalho e no dia-a-dia, fez desaparecer um lado extremamente nervoso que tinha antes de ser mãe. A maternidade acalmou-me imenso e fez-me passar a relativizar mais as coisas no dia-a-dia. Como não há nada mais importante na minha vida do que o Francisco, tudo o resto passou a ser relativizado e até suavizado, passei a lidar com mais tranquilidade com as questões da vida em geral. "A maternidade acalmou-me imenso e fez-me passar a relativizar mais as coisas no dia-a-dia." - Já entrou nos 30. Sente que isso implicou alguma alteração?- Talvez, se bem que acho que comigo essa mudança na vida surgiu quando fui mãe. Acho que até aos 30 nunca tinha pensado bem na minha idade e, tendo em conta a vontade de querer ser mãe outra vez, começo a dar mais importância a isso. Sinto que agora é que também tenho de resolver uma série de coisas, pois não me imagino a ser mãe muito tarde. - Isso pode ser o receio de não conseguir acompanhar as etapas todas da vida de um filho?- Acho que não. A vida é exactamente isso, feita de etapas, e quero aproveitá-las ao máximo. Se não houver um planeamento e uma decisão na altura certa, acho que as coisas são vividas tardiamente. Não me importava de ser mãe aos 40, mas nessa altura já quero estar numa fase mais sossegada. - Essa ideia traz-lhe também a noção de que o papel de mulher não pode ser descurado?- Claro que sim, acho que isso é fundamental. É essencial não nos cingirmos a nenhum papel. Não agirmos saudavelmente em todas as áreas da nossa vida implica, mais cedo ou mais tarde, que as áreas a que demos menos prioridade se ressintam, pois a pessoa não está equilibrada. É fundamental termos tempo a sós, em família, mas, acima de tudo, é fundamental saber lidar com todas essas questões. Faz parte do crescimento irmo-nos adaptando a todas essas fases da vida.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras