Nas Bancas

Inês Santos: 30 anos prometem ser um momento de viragem

Redacção Caras
10 de setembro de 2008, 00:00

De viagem marcada para Toronto, no Canadá, Inês Santos aproveita os últimos dias de férias para conviver com os amigos e recuperar energias. A meses de dar início ao projecto maior da sua carreira, a cantora de Coimbra mostra-se confiante e preparada para se revelar num País que a desconhece e perante um público diferente do que costuma encontrar. O convite da companhia canadiana Queen of Puddings Music Theatre para interpretar a ópera Pedro e Inês, um clássico da história portuguesa em versão moderna, surpreendeu-a, mas isso não a impediu de aceitar de imediato. Certa de que será o projecto dos 30 anos, que completa em Dezembro, a cantora, que já habituou os portugueses à sua versatilidade e coragem - todos se lembram que rapou o cabelo para interpretar Nothing Compares 2 U, de Sinéad O'Connor, no concurso Chuva de Estrelas -, promete voltar a Portugal onde, mesmo que não se case, quer criar os filhos que vê no seu futuro. A CARAS encontrou a cantora em Ponte de Lima, para uma conversa que deixou bem clara a sua perseverança. - Parte para Toronto em Janeiro. Como surgiu esta oportunidade de ingressar numa das mais conceituadas companhias de Toronto?Inês Santos - Eu estava de férias quando recebi o telefonema de uma pessoa que conheci na Holanda por ocasião de um concerto de fado de Coimbra, a perguntar-me se podia dar o meu contacto à companhia canadiana Queen of Puddings Music Theatre para fazer uma audição para uma ópera. Fiquei logo muito curiosa e, como geralmente aceito todos os convites para audições, porque acho que nos devemos sempre apresentar nas melhores condições, participei, ao lado de outras cantoras portuguesas, e fui a escolhida. - Qual é a história da ópera e qual será o seu papel?- Baseia-se na história de Pedro e Inês, mas numa versão completamente louca. Eu sou a protagonista, e interpreto o papel de uma fadista que emigrou para o Canadá para cantar num clube de fado. - Já nos habituámos a ouvi-la cantar muitos géneros, mas ópera será a primeira vez. Como se vai preparar?- Estudei canto lírico durante muitos anos e desde miúda que dizia que queria ser cantora lírica, até ter mudado o objectivo de vida por força das circunstâncias. Mas é algo que continua muito presente na minha vida. No entanto, na ópera não serei cantora lírica, só os meus colegas, mas é verdade que estarei inserida nesse ambiente. - Apesar de ser no Canadá, a história que serve de base à ópera é bem portuguesa. Terá essa ligação a "casa"...- Exactamente! Na audição, estava a falar com o pianista e director musical da peça, que ficou muito surpreendido com as coincidências: também sou de Coimbra e chamo-me Inês. Ele chegou a dizer que as estrelas estavam a trabalhar muito bem. - Faz 30 anos em Dezembro e no início de Janeiro parte para esta grande aventura. Acredita que será o desafio dos 30 anos?- Vamos ver o que a vida me reserva para o final de 2009, mas acho que sim. Esta oportunidade surgiu numa altura em que ainda não sabia o que ia fazer no próximo ano. Tinha terminado as gravações do Chamar a Música - que gostei muito de fazer - e estava tudo em aberto. Assim, vou fazer uma megafesta de anos e depois sigo viagem. - Já sabe qual é a duração do projecto, quanto tempo ficará no Canadá?- As sessões terminam em mea-dos de Março, mas há a hipótese de fazer uma turné mundial. Se acontecer, estou completamente disponível, porque, desde o momento em que aceitei este desafio, sinto-me preparada para tudo. - Vai sozinha nessa grande viagem?- Vou. É provável que as minhas irmãs e os meus amigos me visitem, mas vou bem sozinha. Vivo sozinha em Lisboa há 12 anos, desde os 18, e dou-me bem. Lá há muita coisa com que me entreter, para além de ter muito trabalho. Não tenho medo nenhum. - Referiu que este desafio surgiu numa altura em que não sabia o que se seguia e não hesitou em aceitar. Como fica a sua vida pessoal com esta viagem?- Está tudo muito bem cimentado na minha vida. Não há nada que eu deixe cá que não vá estar no mesmo sítio quando eu voltar. A minha família, os meus amigos, os meus gostos, os meus passatempos... As pessoas com quem convivo sabem bem que eu, quando estou a trabalhar, desapareço um bocadinho, mas que as compenso assim que posso. Nada vai abalar nada. Posso é, eventualmente, conhecer pessoas novas e fazer amigos. - E casar-se, ter filhos, está no seu horizonte?- Vou casar-me um dia, mas não tenciono fazê-lo pela Igreja, porque não acredito em Deus. Mas tenciono encontrar alguém para partilhar a minha vida. Prezo muito a minha liberdade e individualidade e só quando tiver a certeza que me quero casar o farei. Mas não tenho presa nenhuma. Já ter filhos é outra história. Desde miúda que sempre disse que quando fosse mais velha iria adoptar crianças que precisem de acolhimento, além de querer ser mãe biológica. Há muito tempo que sinto o apelo de ser mãe, mas ainda não é altura. Preciso de ter a liberdade que me permite, como neste caso, aceitar uma proposta de trabalho que me obriga a mudar para o Canadá. Casar-me não tenho a certeza, mas filhos vou ter, pelo menos, três. - Já a vimos fazer televisão e teatro, sempre com a música como ponto de partida. O que gostava que lhe acontecesse?- Gostava que alguém me garantisse que vou poder cantar até aos 90 anos. Adoro cantar ao vivo, de sentir as pessoas perto. Cantar o quê? Isso deixava que a vida me surpreendesse, para não cair em rotina.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras