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João Costa quer dar um tiro certeiro nos Jogos Olímpicos de Pequim

Redacção Caras
6 de agosto de 2008, 00:00

É o único atleta de tiro que irá representar Portugal nos Jogos Olímpicos de Pequim e o objectivo desta sua terceira participação no maior evento desportivo do mundo é "fazer uma grande prova". Aos 43 anos, João Costa, 1.º sargento da Força Aérea, residente em Paião, na Figueira da Foz, aceitou o desafio da CARAS e interpretou o papel de James Bond para esta produção, realizada dias antes de partir para a China. - É um motivo de orgulho ser o único atleta de tiro a representar Portugal nos Jogos Olímpicos?- Claro, embora gostasse que fossem mais atletas, pois significava que o nível do tiro em Portugal era muito mais alto. - Qual foi o tiro mais certeiro da sua vida?- Ter entrado para a Força Aérea, porque, a partir daí, descobri a vocação para o tiro, ganhei uma profissão. - E já deu algum tiro no pé?- Não, as coisas têm-me corrido sempre bem. - E um tiro no escuro?- Também não. Sou muito calculista, penso bem antes de fazer qualquer coisa. - Qual é a sua arma secreta?- A habilidade nata para o tiro. - Acredita que os melhores atletas nascem com essa aptidão?- Sim, e garantidamente haverá em Portugal muita gente que tem essa habilidade nata e nunca teve oportunidade de a descobrir. - É um homem de armas?- Sou. - Também na vida pessoal?- Sim. - Guarda as suas armas em casa? Estão fechadas a cadeado ou são de fácil acesso?- Não são de fácil acesso: estão guardadas num cofre. - A sua mulher vai apoiá-lo a Pequim?- Não pode ir aos jogos porque na aldeia olímpica só ficam atletas e oficiais, não podem estar acompanhantes. - Mas estará na China nessa altura?- Não, vai ficar em Portugal. Nessa altura a vida nas cidades onde se realizam os jogos é sempre muito mais cara. Mas estivemos juntos na China há pouco tempo. - Treina diariamente, mas queixa-se de não ter infra-estruturas para o fazer...- Não há muitas carreiras de tiro em Portugal. Além das militares, só existem três civis: uma perto de Barcelos, outra no Estádio Nacional, e a da Câmara Municipal da Figueira da Foz, que é onde eu treino. Acontece que o terreno onde está localizada foi cedido ao ginásio figueirense, para aí construir uma piscina. Apesar da câmara já ter prometido construir outra, que estaria concluída até Outubro de 2009, nada o garante. Estamos cá para ver. - Sendo militar, não pode usar as carreiras de tiro militares?- Posso, mas se as provas são todas no Estádio Nacional, não adianta ir praticar numa carreira de tiro militar, que normalmente tem 25 metros, com uma pistola de 50 metros... - Há muitos atletas portugueses a participar em provas de tiro?- Seremos uns 350 atiradores, o que é pouco para os dez milhões de habitantes. Na Alemanha, por exemplo, existem 900 clubes de tiro federados. - Isso entristece-o?- Não, o que me entristece é haver modalidades que não são tidas em conta pela política desportiva. Se o Estado não tem dinheiro, então também não deveria construir estádios de futebol para serem usados em apenas dois jogos.

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