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Gonçalo Amaral conta como viveu e ultrapassou crise no casamento

Redacção Caras
31 de julho de 2008, 00:00

O processo relativo ao caso Maddie foi arquivado na passada semana pelo procurador-geral da República, mas parece ter sido agora 'reaberto', no campo da opinião pública, com o livro de Gonçalo Amaral. Maddie, a Verdade da Mentira já está a causar polémica e o ex-inspector da Polícia Judiciária é o responsável por esta reanimação mediática. Gerry e Kate McCann são o principal alvo do livro, escrito pelo ex-coordenador da PJ de Portimão que dirigiu as investigações do caso Maddie e que se reformou no dia 1 de Julho, depois de ter sido afastado do processo em Outubro de 2007. Sem medos nem hesitações, Gonçalo Amaral foca cinco aspectos fundamentais no livro, que reflectem as suas convicções: Madeleine McCann morreu no apartamento do Ocean Club, na Vila da Luz, na noite de 3 de Maio de 2007; ocorreu uma simulação de rapto; Kate e Gerry são suspeitos de envolvimento na ocultação de cadáver da sua filha; a morte poderá ter sobrevindo em resultados de um trágico acidente; existem indícios de negligência na guarda e segurança dos filhos. Dias depois do lançamento do livro, o autor acedeu a marcar encontro com a CARAS, em Alvor, onde deu a conhecer o seu lado mais pessoal, que partilha com a mulher, Sofia Leal, e as três filhas, Sofia, de 23 anos, Rita, de dez, e Inês, de quatro. - Por que é que escreveu este livro?- Essencialmente para contribuir para a descoberta da verdade e para dignificar o nosso trabalho e bom nome, esclarecer que nós, equipa de investigação, trabalhámos e fizemos de tudo para chegar à verdade. Tudo o que está no livro são factos fundamentados no processo, não há ali nada que seja inventado, falso, não há mentiras. - O casal McCann já lhe deixou um aviso através do porta-voz, Clarence Mitchell...- Em termos do Código do Processo Penal, não sei o que é um porta-voz. Agora, posso dizer que um homem de bem não responde a provocações. Mas também posso dizer que se aquilo que ouvi é verdade, que acusam o livro de ser só falsidades e mentiras, então não existe nenhum processo que possam meter, porque este livro baseia-se no que está no processo de investigação. Mas estamos cá para discutir e analisar o livro. Estou de consciência tranquila. - Não teme mais ameaças?- Antes de proferirem quaisquer ameaças, deviam parar para pensar nas dezenas, centenas de polícias, de investigadores, tanto portugueses como ingleses, que largaram as suas famílias, os seus filhos, para irem trabalhar para a Praia da Luz e que andaram durante semanas, meses, longe delas para procurarem a filha do casal. É uma ingratidão não reconhecerem o esforço e o trabalho daquelas pessoas para procurarem a filha deles. - E também não teme pela segurança da sua família?- Não. Eu vivo num país seguro, não espero grandes ameaças nesse aspecto. Sinto-me aqui bem e seguro. As pessoas que passam por mim na rua e me abordam, não é para me agredirem, mas para manifestarem o seu apoio e, muitas vezes, dizem que sou uma pessoa de coragem. E eu digo que nós, por muita coragem que tenhamos, não nos sentimos corajosos se não soubermos que atrás de nós temos pessoas que nos apoiam. E eu senti isso assim que saí de Portimão, da Polícia Judiciária. Não me sinto sozinho nesta tentativa de descoberta da verdade. Os meus amigos são muitos mais do que os meus inimigos. - Como é que a sua mulher e as suas filhas estão a lidar com isto tudo?- Agora, bem. Elas aperceberam-se do que se passava e as minhas filhas sempre souberam que o pai iria reagir desta forma, tentar repor a verdade. Está tudo calmo. - Falou com elas antes de publicar o livro?- Sim. A minha filha mais nova perguntava-me sempre se o livro já estava pronto. Nesse espaço de tempo faltei-lhes também algumas vezes em casa... - E, agora, como está a sua vida familiar? Anda sempre de entrevista em entrevista...- Há sempre tempo para alguma coisa. Mas, sim, é complicado, já não nos víamos há uns três dias... Na altura desta investigação, o meu casamento não andou muito bem, teve problemas sérios... Eu quis proteger a minha família, mantê-la afastada, também por causa do circo mediático, que era uma completa loucura. Sofremos perseguições, tentaram saber onde vivíamos, o que fazíamos... tentei afastar-me, e isso criou problemas. Por várias vezes a minha mulher me disse para abandonar a investigação... Agora já está tudo bem. Daí talvez a questão da imagem, da mudança de visual. Estive muito tempo sozinho. E um homem sozinho, em termos de imagem, é uma desgraça. Um homem precisa quase sempre de uma mulher ao lado. - Os problemas no casamento estiveram também relacionados com o que a imprensa inglesa escreveu sobre si? Foi acusado de ser alcoólico, de pertencer a uma rede de pedófilos e de ter amantes, inclusivamente...- Também... Nessa altura senti-me revoltado. Não por aquilo que diziam, porque quem me rodeava sabia que era mentira, mas pela falta de resposta por parte da instituição a que eu pertencia, que não reagiu da forma correcta e que deveria ter defendido o meu nome.

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