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Fanny Ardant: "Não gosto de falar sobre a minha vida, não me parece interessante"

Redacção Caras
31 de julho de 2008, 00:00

Assim se comporta uma verdadeira estrela, sem exigências, com simpatia e, acima de tudo, com profissionalismo. Apesar de não gostar de posar para as fotografias, pois nada tem que ver com a maneira como encara a vida, Fanny Ardant, de 59 anos, conversou gentilmente com a CARAS no Nikki Beach do Tivoli Marinotel, abordando a sua carreira de actriz, assim como a sua vida desde que foi mãe, sem esquecer a morte do então companheiro François Truffaut, um dos realizadores mais destacados da chamada nouvelle vague do cinema francês.Foi por ocasião do concerto de Lou Reed, integrado na iniciativa Allgarve, mas também por necessitar de fazer castings a alguns actores portugueses, para um novo filme que vai dirigir, produzido por Paulo Branco, que a actriz francesa voltou a Portugal. - Sempre quis ser actriz?- Sim. Por volta dos 15 anos já sabia que queria ser actriz, o que deixou os meus pais um pouco preocupados. Ao contrário do que se possa pensar, foi no teatro que me estreei. - Sente-se uma privilegiada por fazer o que gosta?- Sem dúvida. Para mim, esse é que é o verdadeiro sentido de liberdade. Não tem que ver com o dinheiro, nem com glória, mas sim com o facto de poder fazer o que quero. - É conhecida como uma actriz dramática. É o registo que prefere?- Não sou cómica, de maneira alguma. Por instinto, tenho mais tendência para a vertente dramática. Raramente me rio no ecrã, até porque prefiro fazê-lo no meu dia-a-dia, com pessoas reais. - No dia-a-dia gosta, então, de saborear o lado bom da vida...- Tento fazê-lo, até porque para mim o presente é o mais importante. Nunca vivo no passado nem no futuro, sempre no presente. - Quatro anos depois de ter começado a partilhar a sua vida com Truffaut, de quem teve uma filha, Joséphine, ele morreu. Foi uma altura difícil?- Sim, sem dúvida. Nunca me rendi à tristeza, até porque tenho noção de que só temos uma vida, e esta deve ser aproveitada da melhor forma. Acho que a vida é preciosa e é sempre melhor lutarmos pelo que temos do que queixarmo-nos pelo que aconteceu. - Foi um privilégio ter vivido parte da sua vida ao lado de um grande homem?- Claro que sim. - Prefere manter as memórias que tem dele apenas para si...- Exactamente. Não há palavras que possam exprimir e muito menos gostaria de as ver impressas algures. Para mim, os sentimentos verdadeiros não podem ser expressos assim, já que, depois, quando se lê, o que se disse não tem nada que ver com a realidade. E isso entristece-me, pois não souberam dar valor às minhas palavras. - Tem três filhas e prefere não revelar os seus nomes nem idades. Porquê?- Não me parece que isso seja relevante. Posso falar sobre o que acredito, o que gosto ou não, mas não gosto de falar sobre a minha vida, não me parece que seja interessante o suficiente. Gosto de responder a questões que me obriguem a pensar e não a falar sobre mim. - Sente que a maternidade a mudou como mulher?- Completamente. Depois disso temos uma responsabilidade acrescida com tudo, pois há pessoas que dependem de nós. De qualquer forma, sempre preferi a companhia das crianças à dos adultos, pois acho-as mais verdadeiras. Quando era mais nova, nunca pensei ser mãe, e quando a vida me presenteou com a maternidade, senti-me uma mulher mais frágil, mas mais forte ao mesmo tempo. - Alguma vez sentiu que perdeu algo do crescimento das suas filhas devido ao seu trabalho?- Sem dúvida alguma, mas não me arrependo de nada, vivo apenas atormentada com isso. Foi também o meu trabalho que me permitiu educar os meus filhos, por isso, não me posso arrepender. Tudo tem um preço. - Ainda não é avó. É algo por que anseia?- Claro que sim, quero muito voltar a ter uma criança nos meus braços. Gostaria de ser uma boa avó, estar sempre disponível para eles, levá-los para todo o lado e ler-lhes muitos livros, pois é uma das minhas grandes paixões. - Nunca se casou e, depois de Truffaut, não se lhe conheceu nenhum companheiro. Deixou de acreditar no amor?- Não acredito que funcione dessa forma, nem tudo tem de estar sob controlo. Acredito que esperar pelo amor já é o próprio amor.

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